rss
email





twitter
facebook


segunda-feira, 26 de julho de 2010

I'm not your boyfriend, baby

- Anda logo, mulher!
- Não sou sua mulher, seu imbecil!
- Tu não tá bem hoje hein.
- Conjugue o verbo direito, por favor.
Marc riu alto. Fábia adorava quando Marc ria alto. A risada dele soava quase estrangeira. Na realidade, Fábia achava que praticamente tudo em Marc era quase estrangeiro. Ele sempre tinha algo diferente para dizer, sempre fazia ela rir da frase mais idiota possível.
- Mas é sério, eles estão com pressa.
- Calma, eu só preciso terminar isso aqui - disse ela, digitando rápido. Marc apoiou as mãos nas costas da cadeira em que Fábia estava sentada e inclinou-se sobre ela. A garota digitava sem olhar para o teclado, e ele ficou observando sem dizer mais nada. Fábia digitou a última linha, fechou o programa e desligou o notebook com calma.
- A van ficou na garagem do meu pai - avisou ele, falando baixo, próximo do ouvido de Fábia.
- A gente vai a pé, não tem problema, se precisar eu vou correndo na frente - respondeu ela, fechando a tampa do notebook, sem se dar conta de como ele estava falando com ela.
- Nós temos dez minutos para chegar lá.
- O QUÊ? - Fábia levantou da cadeira rapidamente, teria batido a cabeça no queixo de Marc se ele não houvesse se afastado a tempo. - Por que é que você não me falou antes?
- Eu te disse para andar logo... - observou ele, tirando a camiseta e sentando na cama para colocar os tênis.
- Espere aí, o quarto é meu, eu tenho que me trocar, vai para lá! - exclamou Fábia, corando repentinamente.
- Relaxa, eu juro que não vou olhar - disse ele, com um sorriso sarcástico, ajeitando os óculos. Fábia jogou a camiseta limpa que ele deixara pendurada na cadeira com fúria, acertando o rosto do rapaz. - Meus óculos!
- Sai daqui, homem!
- Eu não sou seu homem - disse ele, amarrando o tênis. - Nove minutos - finalizou ele, pendurando a camiseta limpa no braço enquanto saía pela porta.
Fábia abriu o guarda-roupa e pegou a primeira calça jeans que encontrou. Tirou a camiseta rapidamente e deu graças por estar vestindo um top de academia. Vestiu a calça, abriu uma gaveta e tirou todas as blusas do caminho até encontrar o moletom roxo, deixando uma blusa verde no chão. "Ah, depois eu arrumo", pensou ela, vestindo o moletom com impaciência. Saiu pela porta amarrando o cabelo e passou por Marc, sentado no sofá.
- Você tá com uma meia de cada cor.
- Tanto faz, me alcança meus tênis - pediu ela, sentando no outro sofá. Marc jogou o par de tênis de corrida sem muito cuidado. Fábia enfiou os pés sem desamarrar os cadarços. Levantou-se rapidamente, foi até a porta, esperou Marc passar, trancou a porta e guardou a chave no bolso da calça. Seu cabelo havia soltado. Enquanto amarrava o cabelo novamente ela parou para olhar para Marc, andando apressado ao seu lado. - Vamos, vam... Você por acaso penteou o cabelo hoje? Seu cinto tá solto e sua camiseta tá amassada.
- Meu cabelo fica ótimo de qualquer jeito. E foi você quem jogou a camiseta em mim - disse ele, olhando para ela. O abdome da garota estava parcialmente exposto, pois o moletom havia subido quando ela levou os braços a cabeça para amarrar o cabelo. Marc virou o rosto rapidamente, ajeitando os óculos. - É... Bem... Seu zíper tá aberto.
Camilla, Rob e Otto esperavam por eles no meio do corredor quando avistaram Marc limpando os óculos na camiseta, o cinto desabotoado, cabelos bagunçados e camiseta amassada, e ao seu lado Fábia, fechando o zíper da calça, com o moletom desarrumado, deixando seu abdome ainda à mostra. Rob conteve o riso, Otto levantou as sobrancelhas, perplexo, e Camilla olhou no relógio.
- Sério, vocês não têm tempo suficiente de noite? - perguntou Rob, rindo.
- Não quero saber o que aconteceu, andem logo - disse Camilla, falando rápido como se dissesse uma só palavra, dando as costas aos outros e pisando forte em direção às escadas.
- O QUE É QUE VOCÊ PENSA QUE ESTAVA FAZENDO? - gritou Otto, encarando Marc e ignorando Fábia completamente, com o rosto enrubescido, fechando os punhos. Fábia e Marc entreolharam-se.
- Eu continuo não sendo sua mulher - disse ela, sorrindo ironicamente e passando por Otto indiferente.
- Feito - finalizou ele, num tom divertido de voz, deixando Otto mais perplexo do que já estava.


Eu ri.

~ Trilha sonora ~
A trilha de hoje é comprida e acompanha player, rá!



See You Go - 30H!3 

"Ela me parou na porta
Ela me beijou nos lábios
Eu nem conheço ela
É assim que as coisas são
(É assim que as coisas são)
Então ela tocou minhas mãos
(Oh ela tocou minhas mãos)
Me disse que eu devia ser o homem dela
P-P-Para ensiná-la a dançar
Essa é minha única chance
E isso é apenas romance

Não eu não quero ser
O cara que vai te ver ir
E eu não quero ser
Se você não me levar para casa"

Beijos, pessoal. 

domingo, 25 de julho de 2010

Whatever, baby.

"A vida é tão... Qualquer coisa".

O garoto se encolhia sentado na arquibancada. O campo de futebol vazio fazia a sensação de derrota dentro dele aumentar cada vez mais.
- O que aconteceu? - ele ouviu uma voz perguntando. Ele virou-se, surpreso. Seus olhos encontraram os da garota logo atrás dele. - Posso me sentar?
- À vontade - ele respondeu, indiferente. Fez de conta que não ouviu a primeira pergunta dela. Explicar seria chato. E de chatices, ele estava cansado.
- Problemas?
- É o que parece, não é - ele respondia sem se importar com a grosseria das palavras.
- Não vale a pena - ela disse. Ele olhou para ela, e percebeu que ele nunca tinha visto uma garota como ela pelo colégio. Ela olhava para o campo vazio, mas seu olhar parecia estender-se para além da calmaria e da grama balançando com o vento.
- O que não vale a pena?
- Ficar assim, encolhido e bravo na arquibancada.
- E o que você sabe? Mal sabe quem sou.
- Sei que não vale a pena.
- E por que isso, ãh? - a impaciência que ele sentia parecia ficar mais aguda. A frustração não deixava ele pensar muito sobre quem era a garota, e a curiosidade em saber não deixava-o pensar muito na frustração como estava pensando antes.
- Porque a vida é longa - ela respondeu, baixando os olhos para ele. As palavras dela retumbaram na confusão da mente dele.
- Longa? Normalmente me diriam que a vida é curta, e por isso não deveria ficar me martirizando por coisas pequenas e viver.
- Olha, você sabe usar palavras bonitas - ela riu. Ele continuava ríspido, e sua expressão não mudara. - A vida não é curta coisa nenhuma. Se fosse, seria extremamente frustrante.
- Mais frustrante do que está para mim agora?
- Com toda certeza - ela respondia com um tom de voz de quem é a pessoa mais calma do mundo. "Quem ela pensa que é, afinal?", ele pensava. - A vida sendo longa como é, as pessoas têm todo o tempo do mundo para usarem do jeito que quiserem.
- Você faz parecer como se eu estivesse perdendo tempo.
- Não acabei de dizer que temos todo o tempo do mundo? - ele percebeu que não pensara muito bem no que ela acabara de dizer. - Você pode ficar aí encolhido e bravo, até que lembre de alguma coisa divertida que você queria fazer. Aí você vai e faz. Não importa quanto tempo você demore para perceber, desde que você perceba. Pode parecer que você perdeu tempo sofrendo, mas quem garante que você não precisa sofrer um pouco para entender? Tudo na vida tem um propósito. Depende do jeito que você observa. Vale nunca esquecer que sempre há o outro lado da moeda. Vale lembrar que a vida é bonita. Que você não tem porque desperdiçá-la tentando entendê-la. Não é necessário que você desista de compreender e apenas vá com o fluxo, mas não há porque se martirizar, como você mesmo diria. Faça o que lhe fizer bem, não faça o que for lhe fazer mal. Se as coisas dão errado, lembre que sempre há um final feliz. Na maioria das vezes, tudo depende da forma como você vê.
Ele não entendia como a garota podia ser tão gentil com ele quando ele foi ríspido da melhor forma que conseguiu. De alguma forma, tudo que ela disse foi reconfortante. Reconfortante de tal modo que ele já não se sentiu derrotado. As coisas pareciam ter ficado mais simples.
- É, esquece o tempo... - disse ele, sem pensar muito. - Mas espera, qual o seu nome?
Ele virou-se e percebeu que estava sozinho na arquibancada.

 
O fantasminha é interativo, btw :B

Tá, fazia um tempão que eu queria bolar um final legal para o texto.
Foi o melhor que eu consegui. :D

Trilha sonora:
"I know where I'm supposed to be,
Beside you now,
But they won't let me.
They're taking you away.
So here I'll lay,
Eventually I'll waste away and they'll come get me
To place me next to you."
- Beside You Now (The Fold)

A música é linda, recomendo muitíssimo. Ah, aproveitar e recomendar outras :3
 Priceless (Copeland), Topics (Nevertheless) e Birds (Kate Nash).
Besos, muchachos y muchachas. 

terça-feira, 20 de julho de 2010

formspring.me

hum, entao vc vai ter que fazer o favor de ir até o portao =/
Mas me avisa um horário para eu não sair e ficar no frio, ok.
Tentem a sorte e perguntem ;)

Para entender o que acontece, visite meu formspring :D
Ok, chega de merchandise.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Welcome to paradise, baby

Gente, ler meus rascunhos perdidos faz bem. Vou reaproveitar eles mais vezes.

- "Romeus"?
- No singular, trouxa - replicou ela.- Só "Romeu".
- Espécimes da raça "Romeu" entraram em extinção, e os que restam atualmente foram domados por indivíduos da raça "Julieta", tal que são raríssimos os casos em que se pode encontrar um "Romeu" à solta - explicou ele, daquele jeito categórico que só ele sabia explicar.
- Mentira - disse ela, depois do típico silêncio após as explicações categóricas dele.
- Como sabe?
- Ué, você é um - afirmou ela. Ele levantou as sobrancelhas, mas sorriu. - E só não encontra uma "Julieta" porque não quer.
- Já encontrei a minha, mas até agora eu achava que ela não me via como um "Romeu" - disse ele, com calma.
- E quem é ela? - perguntou ela, distraída.
- Olhe para mim que eu olho para ela.

Eu nem lembrava disso. Escrevi ano passado, dia 23/06.
Nem sei em qual personagem eu pensava, se é que pensei em um personagem... Mas já que tem uma resposta categórica, deve ser o Marc, só ele responde desse jeito.
Bom, tenho uma dica, ouçam: 30H!3, +PLUS, Goo Goo Dolls e Coldplay, nessa ordem. Faz bem para o sistema. Aí compreenderão o sentido do meu "welcome to paradise". Se bem que eu ainda estou mais hell que paradise. Questão de tempo e reflexão.

Obrigada pelos comentários, me fizeram bem.
Gente, eu amei o desenho ao lado. Como eu não sei desenhar eu posso até dizer que fiquei com inveja (?) É... Não, ahahah. Mas visitem a galeria da artista: leaair

Trilha sonora momentânea só para fechar:
"Call this a mess, call me strong
Call me a mess, call me wrong
Cause sick hearts do fine
With wasting their time"
"Chame isso de bagunça, me chame de forte
Me chame de bagunça, me chame de errado

Porque corações doentes ficam bem
Perdendo o tempo deles"
- Sick Hearts (The Used)

Quantos links num só post. Beijos, pessoal.

Welcome to hell, baby.

Eu tenho pelo menos 15 postagens salvas como rascunho, nenhuma passou no segundo parágrafo. Uma delas, aliás, começa quase igual a esta aqui, a diferença é que esta eu planejo realmente publicar. Deus queira que eu esteja certa.

Eu ando fazendo tudo errado. Mentira, não tudo. Mas parece que foi tudo. Não parecia, a pelo menos dois dias atrás. É, coisa legal essa de ser inconstante feito eu. Sou mesmo, já falei disso até demais. Pare com isso, é o que eu tento me dizer. Preciso parar de achar que estou errada, preciso parar de querer fazer diferente, preciso parar de ficar indagando o que eu mesma desejo ou deixo de desejar, preciso parar.

Para. Chega. Tá tudo certo e vai tudo ficar bonito.
Dá tudo certo no final, é nisso que eu sempre vou querer acreditar.
De repente o trecho "don't stop believing, hold on to the feeeeeling, streetlights people aaaaaah" me veio à mente. Sei lá o que acontece comigo. Não é a primeira vez, então pelo menos dessa vez eu sei lidar. Quer dizer, até onde me consta eu sei lidar. Preciso de uma piada boa, uma festa divertida, uma galera para sair caminhando no meio da rua de madrugada sem dar a mínima. Preciso ler um livro, fazer de conta que estou lá dentro, no mundo divertido dos personagens. Preciso de um abraço, de um beijo daqueles que eu fico lembrando por um bom tempo. Preciso lembrar que a vida é bonita, que eu não me arrependo de nada, que eu sou feliz de um jeito que eu não tenho consciência. Porque se eu tivesse, eu não ia ficar reclamando desses dias que eu preciso parar para pensar nisso tudo. Pensei num texto baseado na minha raiva hoje de tarde, mas eu esqueci exatamente o que era. O bom de ter esquecido exatamente o que era é que agora eu estou digitando exatamente o que estou pensando. É disso que eu preciso. Porque eu vou ler, e vou entender, e vou parar.

Parar com essa minha ladainha, porque eu me diminuo cada vez que eu começo a falar desse jeito sobre eu mesma. Ora vamos, eu sou mais forte que isso.

Opa, lembrei de um texto.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

The Curse of Curves

"I've got the gift of one liners
And you've got the curse of curves
And with this gift I compose words
And the question that comes forward."

- Garota bonita se dá bem na vida de um jeito ou de outro. É sempre assim.
- Garoto bonito também.
- Você diz isso para se referir a mim pensando que eu me referi a você? - perguntou Fabrício, rindo com gosto. Cátia lançou-lhe um olhar de repreensão, mas ela não podia esconder que subentendera ser a "garota bonita", mesmo que essa não fosse a intenção do rapaz.
- Canalha - disse ela, empurrando ele, que ainda ria.
- Idiota - ele abraçou-a com força, imobilizando os braços dela, e continuou andando, com a cabeça inclinada ao lado da dela. - Tem alguma festa por aí hoje não?
- Deve ter, mas a essa hora não teria graça nenhuma chegar numa festa.
- Tá sem dinheiro, né? - perguntou ele, com um tom alegre na voz, falando baixo, ao pé do ouvido. Cátia não sabia definir o que sentia quando Fabrício fazia isso. Ela primeiramente achava que ele era um insensível e por isso queria fazê-la pensar que ele tinha segundas intenções quando falava ao pé do ouvido dela, mas aí ela pensava que estava indo longe demais e que era só mais uma forma de brincar com o humor dela quando ele assim queria. Ele era seu amigo, era isso que a consciência sempre dizia.
- Eu vou matar você! - reagiu ela, atingindo as costelas de Fabrício com o cotovelo, da forma que conseguiu. O rapaz reclamou levando as mãos ao abdome, mas a expressão alegre não fazia o descontentamento dele parecer tão honesto assim. Ele se aproximou dela novamente, ela empurrou-o e deu-lhe tapas. Os dois riam, riam como se o ar fosse engraçado. Fabrício segurou as mãos de Cátia e ela enterrou a cabeça no peito dele, abraçando-o finalmente. Haviam algumas nuvens no céu, poucas delas cobriam as estrelas. Eles andaram até a esquina, onde havia uma agência de turismo, fechada àquela hora da madrugada, cuja propriedade era circundada por uma cerca de madeira baixa. Cátia sentou-se confortavelmente sobre a cerca, e Fabrício parou na sua frente, olhando para cima e depois para ela.
- Então, aonde vamos?
- Você quer mesmo ir para algum lugar? Agora? - Cátia não sentia sono, tampouco sentia ânimo de ficar andando pela cidade de madrugada.
- Ah, vamos, por que não? - a garota não entendia a causa do humor de Fabrício. Ele parecia se sentir extremamente leve, como se todos os problemas tivessem se resolvido. - Se você não quer decidir um lugar, eu posso acabar te carregando até o primeiro hotel que eu achar... E não sei o que sou capaz de fazer depois.
- Você está andando a pé. Às quatro e meia da manhã. Hotéis ficam perto daqui, mas um hotel do jeito que você quer tá meio longe, não acha? - ela fez o que podia para fugir dos olhos dele. Ele estava alegre. Alegre demais. "Não, Cátia, as pessoas podem ser alegres o quanto quiserem, ele não está alegre demais", ela pensou.
- Seria mais prático ir para a minha casa, não acha? - disse Fabrício, dando um passo a frente. - Afinal, todo mundo abandonou a casa. Não haverá ninguém lá... Além de você... E eu.
Outra coisa que Cátia não sabia definir o que sentia quando acontecia era quando Fabrício falava com pausas ligeiramente demoradas como havia acabado de fazer. Ela achava que conhecia ele da melhor forma, que sabia dizer exatamente como ele se sentia, independente da situação. Quando ela não sabia definir o que sentia, era porque ela não conseguia entender totalmente o que estava acontecendo, e disso ela não gostava. Perto de Fabrício, ela sempre se sentia no controle das coisas, porque era sempre para ela que ele vinha dizer "hoje eu não estou nada bem". Ele deu mais um passo a frente e apoiou-se na cerca, olhando nos olhos dela, as mãos ao lado das mãos dela. Olhando firme nos olhos dele, ela podia quase sentir a animação intrínseca. Talvez ela não tivesse entendido antes, quando pensara que era uma alegria, uma animação. Talvez fosse outra coisa, e como ela não entendera antes, agora tudo estaria errado. Ela não chegou a pensar em tudo isso.
- Fa, o que você vai fazer? - perguntou ela, num tom baixo, sentindo a face corar.
- O que você quer que eu faça? - replicou ele, com um sorriso leve, aproximando as mãos do quadril dela. "Não diga nada que incite ele mais ainda", pensou ela. "Mas também não fique sem dizer nada". Procurando o que dizer, ela encontrou o que fazia tanto sentido quanto "alegria" para explicar o que Fabrício sentia. Descontrole. Quando ia responder, Cátia sentiu a boca selada, literalmente. Ela desapoiou as mãos, mas não podia empurrar Fabrício para longe. Não podia fugir, não podia virar para o outro lado, não podia repensar. Ele não deixou que ela fizesse qualquer coisa, segurando-a apoiada na cerca, inclinado em direção a ela, com os lábios tocando os dela. Atônita, Cátia esperou um ou dois segundos e tentou distanciar-se dele, mas ele era claramente mais forte que ela, e ele agia como se não fosse parar de forma alguma. Sem pensar sobre nada, ela juntou as mãos entre os dois, não queria que ele ficasse mais próximo dela do que já estava. "Por quê?", ela se perguntou. Antes que pudesse pensar na resposta, ele continuou a beijá-la, e ela não quis relutar. Tudo ficou branco, como uma tela de cinema antes da sessão. Ela fechou os olhos, relaxou os braços, apoiou as mãos no peito dele, deixou que ele a abraçasse de forma que ela não conseguia mais perceber distância alguma entre os dois.
"Mesmo que você se descontrole, eu estarei aqui para te segurar", pensou Cátia, finalmente, deslizando uma mão até a nuca de Fabrício e passando os dedos pelo cabelo dele.

Texto influenciado fortemente pelas músicas The Curse of Curves, Moan e Navigate Me, da banda Cute Is What We Aim For. Confiram o vídeo de The Curse of Curves, um dos meus preferidos:


Consideração final: Férias, cheguem logo aê.
Beijos, pessoal.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Não leia"

É lógico que ele vai ler. É lógico que eu coloquei esse título exatamente para que ele lesse. Ele deve ser curioso o suficiente para ficar interessado. Eu sou curiosa assim, mas todas as pessoas devem ser. As pessoas tem essa coisa, de se interessar pelas coisas que elas não devem, não podem, coisas que os outros dizem para não fazer. O que é proibido realmente sempre parece melhor. Mas o que eu escrevi não é proibido. Só é... Revelador. Isso. E por isso mesmo seria melhor se ninguém lesse, se só eu soubesse. Mas eu quero que leiam, eu quero que saibam, eu quero que me ajudem? Não, não quero ajuda. Eu só quero tirar isso de mim, porque pensar nisso sozinha é problemático. Eu não quero ficar lembrando dele sozinha. Quer dizer, é claro que eu irei lembrar dele sozinha, porque os detalhes eu vou guardar comigo, mas eu não tenho para quem contar, eu não tenho quem me apóie, eu não tenho quem diga "é, ele é o cara". Então eu só preciso perceber, resolver e ir em frente - ou não - sozinha. Acho que eu sempre soube que é uma questão pessoal assim. Porque o que eu acho ou deixo de achar sobre ele, só eu sei. O jeito que eu fiquei pensando nele, só eu entendo. Porque eu não acho que fiquei assim antes. Quer dizer, vários fatores causaram essa minha "reação", não só ele, mas foi diferente das reações que eu tive com aqueles que vieram antes dele. Ou eu ficava idiota - literalmente - e dizia coisas consideravelmente bobas, ou eu ficava naquela "será que é ou não é". Em relação a ele eu fiquei relativamente... Normal. Eu não fiquei me preocupando, porque eu tinha outras coisas para me preocupar. Eu fiquei nervosa, mas meu alter ego me deu um tapa na cara por causa disso e eu joguei o nervosismo fora. Levei cerca de uma semana para jogar ele fora por causa das outras coisas que me deixavam confusa e levemente insegura, mas enfim. Diante da minha indecisão interminável sobre todas as coisas - porque eu sou assim indecisa - eu simplesmente decidi não agir como eu agira antes. Resolvi fazer diferente, levar na boa, lembrar que eu jogara o nervosismo pela janela, respirar fundo e não fazer de conta, não fazer nada para parecer ser melhor do que sou. Afinal, eu só preciso ser eu. Com isso em mente, eu estou aqui encarando isso que eu não sei se sinto. AH VÁ, eu já disse que sou indecisa.
O que supostamente não é para ser lido é o seguinte:


Eu levei um tempo para acreditar no que tinha acontecido.
Apenas porque era você.
Eu me perguntei o que é que você tem de mais.
O que você tem de mais eu ainda não descobri exatamente, mas só o fato de eu ter demorado a acreditar no que aconteceu me convenceu de que alguma coisa você tem de mais. O que eu sei de você, não me permite entender porque você parece ser assim, mais do que qualquer um. A verdade é que eu quero descobrir.

Quero que aconteça de novo, para que eu possa demorar a acreditar de novo, para que eu posso questionar de novo, para que eu possa querer descobrir mais, para que eu possa encarar que parece diferente porque é diferente. A verdade é que eu quero você de novo.

Ele não vai ler isso. Disso eu sei.
Na verdade não sei se o texto fez sentido.
Eu só precisava colocar isso em palavras.

 

Trilha sonora tripla dessa vez:
Ashley (Escape the Fate)
Burn The Night Away (There for Tomorrow)
É Muito Melhor (Maskavo)

Beijos, boa noite.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Fundação.

fun.da.ção sf (lat fundatione) 1 Ato ou efeito de fundar, ou de erigir. 2 Conjunto de obras necessárias para segurar e assentar os fundamentos de uma edificação. 3 Fundamento, alicerce. 4 Princípio, origem de alguma coisa.

"A ponta dos meus dedos estão segurando as rachaduras da nossa fundação
E eu sei que eu deveria deixar para lá,
Mas eu não consigo
E toda vez que brigamos, eu sei que não é certo
Toda vez que você está chateado e eu sorrio
Eu sei que eu deveria esquecer, mas eu não consigo
"
- Foundations (Kate Nash)

Nas últimas duas semanas, a minha "fundação" esteve abalada. Sei lá se realmente esteve. Essas duas últimas semanas foram bem "sei lá". Eu literalmente não sabia de mais nada. Quando eu parava para pensar, me aparecia uma tela perfeitamente branca, como aquele mundo em branco que o Bob Sponja vai parar num episódio dele... Bom, é mais fácil imaginar uma tela perfeitamente branca do que tentar lembrar do episódio de Bob Sponja - cuja música tema graciosamente reapareceu na minha mente -, então é assim que eu posso resumir a situação da minha mente.

Nada. Blank. Empty. Eco. Apatia. Inércia. Blé.

Foi chato quando eu percebi isso. As perguntas "o que foi?", "por que isso?", "o que eu faço?" apareceram e foram embora sem que eu percebesse que passei tempo pensando nelas (?)
Mas eu pude me segurar nas rachaduras da fundação. E agora eu volto a saber como é bom, a sensação da "volta por cima" (ou volta olímpica, eu já falei disso aqui...). A tela branca, coloriu-se de todas as cores de antes. O "sei lá" virou "ah, eu sei!". Voltei a crer que tudo no final dá certo. Espera, eu nunca deixei de crer.


"Sorriso na cara, estou de volta"

Tossindo feito uma tuberculosa, mas de volta.
Consideração final: deu certo! (da série coisas que só eu entendo)
Beijos, cuidem-se!