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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

- Você é obcecada, mulher!

- Obcecada, eu? - perguntou ela, indignada com o que ela classificou como petulância dele.
- É, e muito, se me permite analisar.
- Obcecada coisa nenhuma! Pelo que é que eu tenho obsessão?
Ele ficou em silêncio, em sinal de que não queria ou não sabia realmente explicar o porquê da obssessão dela. Ele sentia profundamente em seu íntimo que havia algo a ser explicado, mas ele não conseguia encontrar as palavras certas.
- Você sabe que ele está certo - disse Rob, sem cautela nenhuma, para surpresa de Uli e Otto. Rob nunca confrontava Fábia, não importava o que ela dissesse, ele não se deixava abater pelos argumentos geralmente bem-fundamentados dela, mas não retrucava de forma alguma. - Você tem uma obsessão. Uma obsessão por não querer ter obsessões.
Uli não pôde deixar de pensar "como sempre, ele não diz coisa com coisa", mas havia algo coerente por trás do pensamento de Rob. Talvez fosse essa coerência que Marc não havia conseguido expressar quando chamou Fábia de obcecada.
- Não foi bem isso que eu quiz dizer, mas tudo bem - disse Marc.
- Como assim tudo bem? - alterou-se Fábia. - Quer dizer que um acha que tenho uma obsessão e o outro já encontrou mais uma? Que tipo de pessoa vocês pensam que eu sou?
- Uma obcecada - observou Otto, sob um olhar frio de Uli.
- Ele encontrou uma obsessão em você, mas você luta com todas as armas que possui para deixar claro que não tem nenhuma. Você se preocupa com conservar um equilíbrio entre as questões da sua vida e se desespera internamente quando algo dá errado.
- Por "dar errado" ele quer dizer quando algo pequeno acaba te aborrecendo sem razão. Você acaba odiando esse pequeno aborrecimento e a sua obsessão por controlar o equilíbrio das coisas, como Rob disse, faz você odiar o fato que odeia se importar com o fato pequeno, porque você acha que não deveria odiar nada, entende?
- Desde quando vocês dois se inscreveram num curso de psicanálise? - perguntou Uli, que já não aguentava mais segurar suas piadinhas infames. Fábia estava com o olhar parado, como se procurasse algo apra observar, e Uli não gostava muito de ver sua amiga daquele jeito. Fábia naturalmente sabia se virar ou simplesmente disfarçar quando Marc atirava verdades sobre ela e fazia seus pensamentos leves como as nuvens despencarem, mas a participação de Rob na discussão fazia com que a realidade caísse como uma bigorna em sua cabeça e a forçasse a voltar ao chão. Fábia era a que eles mais podiam analisar sem que ela deixasse transparecer que estava doendo em seu íntimo ouvir as palavras deles. Ela havia aprendido com o tempo que muitas coisas que as pessoas dizem não são verdade, mas as que eram perfuravam seu senso de crítica sobre si mesma de forma que ela demorava um tempo para discernir o que ela era ou o que ela deixava de ser.
- É, vocês têm razão - disse ela, virando-se em direção à porta e deixando os outros quatro na sala, alguns segundos antes do filme que estavam assistindo voltar do intervalo.

-to be continued-

Continua num eletrizante próximo post, aguardem!
"Matem todos os homens entre aquele careca e aquele além." - Caio Júlio César Augusto Germanicus (Calígula)
beijopodemmeligarhoje:*
ouvindo ♪ "remember how you made me crazy, remember how I made you scream" - The Ataris
PS:. A-ha! Sem músicas de Bleach hoje. No post que vem elas voltam, provavelmente, então não se iludam galera.

2 comentários:

Raphael Piltz disse...

Incrível como você fez uma batalha de egos em um espaço de tempo tão curto como o intervalo de um filme, incrível mesmo, parabéns.
[obs: Sem comentários grandes hoje por que meu nível de cafeína esta baixo ;) ]

MaH disse...

Olá! o que dizer.. acho que eu tenho um pouco da fábia...hahhahaha mau posso esperar pelo próximo post.

Sobre o comentário: Menos mal, já não me sinto tão estranha hahhHhh Tb tinha aquele gibi que pra mim não bastava de 3 quadrinhos identicos juntos =/ hahahhah
bjos