- Mas pare de insistir! - retrucava o músico.
- É uma música só! Só pra ver se ela toma uma atitude... - dizia o amigo.
- Então vá e fale você. Diga que você acha que ela não devia fazer tal coisa e tal coisa e pergunta se ela não preferiria sair dessa festa. Daí você me dá um sinal qualquer, eu ligo um CD que tiver à mão e a gente corre lá pro Tiago.
- Você não tinha que passar na locadora antes?
- Tá, então enrola um pouco. Daí me manda uma mensagem... - começou, já impaciente. Percebendo que o amigo iria dizer algo, mudou de discurso. - Se não tem crédito, me dê um toque a cobrar. Porque eu tenho dinheiro pra comprar crédito antes de perder o número do celular.
- Vê se para de me alfinetar. - disse o amigo, correndo os olhos pelo ginásio do colégio, ignorando a decoração mal planejada pela comissão de formatura dos alunos do terceiro ano e prestando mais atenção às cadeiras perto da mesa do ponche. - Tá, fica ridículo eu aparecer e falar isso pra ela. Impossível ser mais direto, logo, eu assusto ela. Você não quer que eu saia contando minhas intenções...
- Então você tem intenções. - interveio o amigo, abrindo um sorriso sardônico. O outro fechou a boca e cerrou os olhos.
- Vai tocar a música. Vai, não quero saber! O que te custa? Tem palheta nova e tudo. Isso é só preguiça que eu sei. Vai logo, senão eu conto pro técnico do seu zero em álgebra.
- Eu não tirei zero em álgebra. - disse o outro, inocente.
- Vai ter tirado se não for lá tocar a música agora! - disse, em tom de ordem. O outro agarrou o violão encostado na parede e subiu até o palco improvisado. Ligou o violão no amplificador, pigarreou num tom baixo demais para qualquer pessoa ouvir e sentou-se num banquinho perto do microfone. Sentia-se um tanto quanto inferior, com sua calça jeans emprestada do amigo com o qual estava conversando segundos antes e sua camiseta branca, comparado aos outros, mais bem vestidos, com suas calças jeans talvez novas e camisas sociais. Mas, ele não tinha ninguém para impressionar, caso precisasse, a música impressionaria, e não as suas roupas. Realmente não gostava de tocar composições próprias a um público tal qual se apresentava, mas era um favor a um amigo, e ele não tinha nada a perder.
- Atenção? - perguntou ele, naquele tom humorado com o qual sempre falava, ou falseava quando não se sentia nos seus melhores dias. O público virou-se para o palco, com seus copos de ponche na mão, ou então digitando mensagens ao celular, e ainda, alguns tentando convencer garotas, ou agarrando as que já haviam sido convencidas. - Esta música é uma composição minha, então eu não garanto qualidade para vocês. Ainda assim, eu espero que gostem.
Alguns deram suas risadinhas sutis, e a música começou. Não era simples, nem complicada, não necessitava do som de muitos instrumentos, mas Greg sentia que uma bateria fazia falta. Mas, já que Tiago não poderia auxiliá-lo no momento, ele fez o melhor que pôde para preencher o espaço que a bateria ocuparia na música. Ele sentiu-se leve ao decorrer da música, e o receio de esquecer a a letra foi embora tão rápido quanto chegara, sendo substituído aos dois minutos de música pelo medo de uma corda arrebentar, que ia crescendo quanto mais perto ele chegava da fatídica frase que já havia lhe tirado três cordas. Tudo era uma questão de segundos. Ele correu os olhos pelo aposento segundos antes da corda não arrebentar para ver onde Fernando se localizava. Ele estava parado perto da mesa do ponche, a uns três metros da garota para quem a música fora direcionada, que estava sentada numa cadeira de metal, escrevendo algo com um lápis de olho num guardanapo apoiado no joelho. Segundos depois Greg sentiu-se tão aliviado pelo "não-arrebentamento" da corda que um sorriso estampou-se em seu rosto por poucos segundos, e ele nem percebeu. Alguns segundos após o término da música, Fernando havia falado com a garota, que havia trocado palavras com outra garota e um garoto por alguns segundos, e segundos depois os quatro estavam saindo pela porta que abria-se para o corredor. Greg levantou-se do banquinho, agradeceu ao público, encostou o violão na parede, disse para o garoto que estava mais próximo colocar um CD aleatório para tocar, pegou o celular que estava vibrando em seu bolso, checou se havia deixado as chaves no outro bolso, pulou do palco pelo outro lado e saiu por uma outra porta que saía diretamente fora do colégio, tudo isso segundos antes de outro garoto, de olhos verdes e uma aliança colocada às pressas na mão direita, se dirigir até a cadeira onde a garota estava sentada e encontrar uma aliança igual à sua, ao lado de um bilhete toscamente escrito num guardanapo, com um lápis de olhos marrom, onde lia-se: "Pela memória do que nós costumávamos chamar de amor."
beijo galerinha:*
Frase: Que bom que a terra é uma bola, porque se fossem duas, seria um saco. (Paulo Bonfá)
ouvindo ♪ "So much to say, but no words to convey." - Motion City Soundtrack
- É uma música só! Só pra ver se ela toma uma atitude... - dizia o amigo.
- Então vá e fale você. Diga que você acha que ela não devia fazer tal coisa e tal coisa e pergunta se ela não preferiria sair dessa festa. Daí você me dá um sinal qualquer, eu ligo um CD que tiver à mão e a gente corre lá pro Tiago.
- Você não tinha que passar na locadora antes?
- Tá, então enrola um pouco. Daí me manda uma mensagem... - começou, já impaciente. Percebendo que o amigo iria dizer algo, mudou de discurso. - Se não tem crédito, me dê um toque a cobrar. Porque eu tenho dinheiro pra comprar crédito antes de perder o número do celular.
- Vê se para de me alfinetar. - disse o amigo, correndo os olhos pelo ginásio do colégio, ignorando a decoração mal planejada pela comissão de formatura dos alunos do terceiro ano e prestando mais atenção às cadeiras perto da mesa do ponche. - Tá, fica ridículo eu aparecer e falar isso pra ela. Impossível ser mais direto, logo, eu assusto ela. Você não quer que eu saia contando minhas intenções...
- Então você tem intenções. - interveio o amigo, abrindo um sorriso sardônico. O outro fechou a boca e cerrou os olhos.
- Vai tocar a música. Vai, não quero saber! O que te custa? Tem palheta nova e tudo. Isso é só preguiça que eu sei. Vai logo, senão eu conto pro técnico do seu zero em álgebra.
- Eu não tirei zero em álgebra. - disse o outro, inocente.
- Vai ter tirado se não for lá tocar a música agora! - disse, em tom de ordem. O outro agarrou o violão encostado na parede e subiu até o palco improvisado. Ligou o violão no amplificador, pigarreou num tom baixo demais para qualquer pessoa ouvir e sentou-se num banquinho perto do microfone. Sentia-se um tanto quanto inferior, com sua calça jeans emprestada do amigo com o qual estava conversando segundos antes e sua camiseta branca, comparado aos outros, mais bem vestidos, com suas calças jeans talvez novas e camisas sociais. Mas, ele não tinha ninguém para impressionar, caso precisasse, a música impressionaria, e não as suas roupas. Realmente não gostava de tocar composições próprias a um público tal qual se apresentava, mas era um favor a um amigo, e ele não tinha nada a perder.
- Atenção? - perguntou ele, naquele tom humorado com o qual sempre falava, ou falseava quando não se sentia nos seus melhores dias. O público virou-se para o palco, com seus copos de ponche na mão, ou então digitando mensagens ao celular, e ainda, alguns tentando convencer garotas, ou agarrando as que já haviam sido convencidas. - Esta música é uma composição minha, então eu não garanto qualidade para vocês. Ainda assim, eu espero que gostem.
Alguns deram suas risadinhas sutis, e a música começou. Não era simples, nem complicada, não necessitava do som de muitos instrumentos, mas Greg sentia que uma bateria fazia falta. Mas, já que Tiago não poderia auxiliá-lo no momento, ele fez o melhor que pôde para preencher o espaço que a bateria ocuparia na música. Ele sentiu-se leve ao decorrer da música, e o receio de esquecer a a letra foi embora tão rápido quanto chegara, sendo substituído aos dois minutos de música pelo medo de uma corda arrebentar, que ia crescendo quanto mais perto ele chegava da fatídica frase que já havia lhe tirado três cordas. Tudo era uma questão de segundos. Ele correu os olhos pelo aposento segundos antes da corda não arrebentar para ver onde Fernando se localizava. Ele estava parado perto da mesa do ponche, a uns três metros da garota para quem a música fora direcionada, que estava sentada numa cadeira de metal, escrevendo algo com um lápis de olho num guardanapo apoiado no joelho. Segundos depois Greg sentiu-se tão aliviado pelo "não-arrebentamento" da corda que um sorriso estampou-se em seu rosto por poucos segundos, e ele nem percebeu. Alguns segundos após o término da música, Fernando havia falado com a garota, que havia trocado palavras com outra garota e um garoto por alguns segundos, e segundos depois os quatro estavam saindo pela porta que abria-se para o corredor. Greg levantou-se do banquinho, agradeceu ao público, encostou o violão na parede, disse para o garoto que estava mais próximo colocar um CD aleatório para tocar, pegou o celular que estava vibrando em seu bolso, checou se havia deixado as chaves no outro bolso, pulou do palco pelo outro lado e saiu por uma outra porta que saía diretamente fora do colégio, tudo isso segundos antes de outro garoto, de olhos verdes e uma aliança colocada às pressas na mão direita, se dirigir até a cadeira onde a garota estava sentada e encontrar uma aliança igual à sua, ao lado de um bilhete toscamente escrito num guardanapo, com um lápis de olhos marrom, onde lia-se: "Pela memória do que nós costumávamos chamar de amor."
beijo galerinha:*
Frase: Que bom que a terra é uma bola, porque se fossem duas, seria um saco. (Paulo Bonfá)
ouvindo ♪ "So much to say, but no words to convey." - Motion City Soundtrack
[preciso continuar textos para esta história.]




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