- Nem eu. - completou a garota, apesar de sentir que a pergunta não era para ela.
Tabatha virou-se a voltou para a cozinha. Greg estava entretido em mexer seu leite com chocolate, ou pelo menos fingia estar, mas de minutos em minutos lançava um olhar furtivo para Mona, apoiada sobre o balcão, olhando para a janela. Ela era do tipo que adora silêncios, porque sempre que precisava de uma deixa para pensar e deixar-se imaginar, silêncios surgiam nas conversas. Mas ficar em silêncio com Greg tinha um efeito contrário, apesar de ela relutar em aceitar isso. Ela queria conversar, queria dizer tudo que tinha para dizer, queria que ele entendesse, que dissesse o mesmo, que ele contasse tudo que ele tivesse para contar, segurasse ela em seus braços e saísse correndo porta afora. Aquele silêncio a irritava mais que qualquer outra coisa, fosse a amiga que não andava lhe dando o maior apoio do mundo, fosse o professor de matemática que insistia em fazer com que ela se sentisse a pior aluna do mundo.
- Tem certeza que não quer o especial do dia? - perguntou a voz doce de Tabatha, surgindo pela janelinha da cozinha e diminuindo a aflição de Mona.
- Eu... - começou Greg, aparentemente procurando por uma resposta no ar. - ...agradeço mesmo, Tabatha, mas realmente não estou com fome.
Tabatha olhou para Mona, como quem diz "fale logo com ele, eu não estou pedindo, estou mandando". Por algum motivo que nenhum deles poderia enumerar qual, Mona resolveu deixar seu eu mais racional de lado e atirou-se às emoções, mas antes que ela pudesse declarar qualquer coisa, Greg falou.
- Sobre ontem...
- Eu não quero falar sobre ontem. - interveio ela, forçando-se a acreditar que não fora grossa.
- Tá bom. - disse ele. - Caso você queira saber, eu não quero que seja só um "ontem".
Ela demorou para racionar ao redor da metáfora dele.
- Não quer? - perguntou ela, fingindo um tom de voz como se dissesse "achei que era isso que você queria", apenas fingindo, é claro.
- Não, mas é claro que eu não quero! - disse ele, deixando a colher do chocolate girar sozinha dentro da xícara. - Me escute, ontem foi tudo pelo que eu podia esperar já faziam algumas semanas, e eu não quero que isso soe estranho. Não foi a melhor das experiências ter de ver você namorando meu melhor amigo, e eu...
Ele parou. Engoliu em seco.
- Eu não quero perder... Sempre fui do tipo que só se importa em competir, mas, esquece, isso não tem nada a ver, eu...
- Eu também não quero perder você de jeito nenhum, se era isso que você ia dizer. - disse Mona. - Você, você, é o único que me escuta. Tá, eu admito, não é o único, mas enfim! Só você se importa, só você realmente presta atenção e me diz tudo o que eu preciso, exatamente o que eu preciso. Você... por mais clichê, careta, ou o diabo a quatro que isso pareça, você me completa, você me faz tão bem. E tudo que eu mais quero nesse mundo, agora nesse segundo, é que você entenda, e talvez, por uma emenda feita no destino, se é que se pode acreditar nisso, você sinta o mesmo. Eu adoro você, e eu quero ficar com você, agora e para sempre, mesmo que eu não acredite em "para sempre". Porque estar com você me faz até contestar as coisas que eu julgava ser verdade.
"Eu te amo tanto, Gregory" foram as últimas palavras dela, as quais ela disse sem emitir som algum. O garoto a observava com uma expressão no olhar, aquela expressão que ela conhecia, aquela expressão de quando ele concordava com ela e se empolgava sobre o assunto. Mas todo o resto de sua pessoa não parecia estar tão empolgada. Ele levantou-se, andou até a caixa registradora, deixou uma nota de cinco, passou para trás do balcão, agarrou as mãos dela e a beijou, como se fosse a última coisa que ele fosse fazer na vida. Ela deixou a caneta que segurava na mão esquerda cair no chão, e atirou-se aos braços do garoto, apoiando as mãos sobre o peito dele.
E como ela sempre se sentia quando Greg estava com ela, junto dela, abraçando ela, ela esqueceu-se de tudo, e em tudo que podia pensar era no forte cheiro do perfume dele, aquele perfume que ela queria sentir para sempre... mesmo que essa coisa de "para sempre" fosse mentira.
PS 1: Perdoem a demora para postar, mas eu estava procurando meios alternativos de não desistir do meu antigo blog, porque eu ainda não me conformo.
PS 2: Esse texto pode vir a tornar-se parte de um livro, um projeto que eu tenho em mente mas não consigo levar para frente já fazem algumas semanas.
beijogalera:*
comentem, por favor!