I say if they don't get outta town,
we kill the men, we kill the women,
we kill the children, we kill the babies,
we kill the blind, we kill the crippled,
we kill the crazy...
we kill the men, we kill the women,
we kill the children, we kill the babies,
we kill the blind, we kill the crippled,
we kill the crazy...
Sean sentou-se com o telefone ao ouvido, esperando que alguém atendesse. Ao som do quarto ou quinto toque, Sean ligou o viva-voz e esticou-se no sofá.
- Você ligou para Jack Rich III, deixe sua mensagem após o bip - era uma voz masculina que claramente não pertencia a uma secretária eletrônica, com o som de uma televisão ao fundo. - Bip.
- Da última vez que liguei você era Jack Smith II - comentou Sean.
- Estou no viva-voz, certo?
- Você sabe que só ligo para você com o viva-voz ligado...
- Santa frescura - resmungou o rapaz do outro lado da linha, murmurando alguns palavrões e respirando fundo. - Então como vai a sua nobre existência, meu caro amigo Sean?
- Resplandecente, e a sua, meu falso amigo Jack?
O rapaz riu, disse mais alguns palavrões e ouviu-se o som de algo metálico. Todas as atenções da sala voltaram-se para Sean e o desconhecido no viva-voz. Sean olhou brevemente pela janela. As estrelas pareciam estar estranhamente mais perto.
- Presumo eu que tu estejas ligando para mim a fim de alegar que finalmente perdeu a cabeça, está louco da silva e precisa de ajuda?
- Primeiro, pare de tentar soar culto e letrado - riu-se Sean - Segundo, eu não estou louco, e eu somente te ligaria se...
- ... Alguém pensasse isso de você - completou Jack. - É, eu ainda lembro.
- Morando onde?
- Espanha.
- Vá até uma ilha no sul da França, uma de nome estranho...
- Sei qual. Mas o que me levaria até lá? - Jack falava num tom cômico, como se não levasse nada a sério. Sean lembrou-se dele ao acaso, quando alguém citou algo sobre onde iriam morar, ou talvez não tivesse sido isso. Talvez tivesse sido quando Mike encontrou o livro debaixo de sua cama e o trouxe até a sala, o livro que ele simplesmente colocara ao lado da almofada e sentara-se ao lado dele, como se fosse algo completamente indiferente à situação. Quem sabe uma parte de sua consciência quisesse crer que nada do que estava acontecendo estava realmente acontecendo. A verdade caía sobre ele como um cometa, cegando-o como o brilho de uma estrela. Talvez a verdade simplesmente o tivesse atingido com força demais para ser ignorada, e o tivesse feito ligar para Jack no viva-voz, tentando soar como se nada fosse.
- Você sabe o que te levaria até lá - respondeu Sean, sem muita emoção.
- É claro que eu sei, mas o fato de você responder ou não responder faz toda a diferença - explanou Jack. - Sua resposta quer dizer que há mais pessoas perto de você, e estas pessoas não sabem algo que você sabe, algo que você está discutindo comigo indiretamente e algo que causará muitas perguntas, principalmente sobre o porquê de eu estar dizendo tudo isso, uma vez que você não quer que as pessoas perto de você agora saibam, e então...
- Nos vemos no aeroporto - interrompeu Sean.
- ... Nos vemos no aeroporto - completou Jack, após ouvir o tom ríspido de Sean.
O viva-voz foi desligado, Sean levantou-se e foi até o quarto guardar o livro. A sala permanecia em silêncio. Quando ele voltou, Josh foi o primeiro a falar.
- Há algo que você não contou?
- Sim - disse Sean, num tom indiferente.
- E isto seria algo que você vai contar? - perguntou Lara.
- Agora não. Mas um dia, sim.
- Esse dia virá logo?
- Todas as probabilidades apontam para sim.
- Esse Jack é de confiança? - quis saber Liam.
- Ele é o primeiro nome no meu testamento - Sean jogou-se no sofá, sorrindo. Claramente, metade das pessoas ali ainda achavam que ele estava louco. Mas tão claro quanto isso era o fato de que ele não poderia contar a verdade no momento. A hora chegaria, o mais cedo possível. Doía esperar. Doía tanto quanto sentir que as estrelas estavam estranhamente mais perto, como se o ar ao seu redor o pressionasse. Ele estendeu o olhar ao céu, pensando sobre como todos o ignorariam, como a sua pseudo-loucura havia convencido a todos eles. O que consolava era ter certeza de que não havia convencido a si mesmo. Ainda.
Trecho de um projeto meu, trecho que precisava escrever a muito muito muito muito tempo, e hoje consegui (:
Frase!
"Um bandido não precisa de passagem para pegar um trem" - do filme Os Invencíveis (que eu não assisti, aliás).
Trilha!
"Você diz que você sabe quem eu sou
Mas você não imagina
O que te espera depois da linha
Você pensou que você me tinha
Mas ainda estou aqui
E cansado de fugir
E agora estou aqui sentindo a dor de mil corações
Estive no inferno e voltei
Não vou aguentar isso"
- Anthem for The Underdog (12 Stones)

beijos galera :*





4 comentários:
Pois é. Agora que eu li, eu acho que vc deveria escrever mais. Tipo pra amanhã.
quanto mais eu leio, mais eu acho que podia concorrer ao posto de seu empresário...você escreve assustadora, extremamente, f$&#$@ bem.
12 Stones é Jóia.
Poderoso Chefão 4 !
ahhahahha tb pensei em poderoso chefão, ou algo relacionado a mafia, mas assumo que no comecinho me lembrei do começo do jogo Alone the Dark (alg lembra desse jogo?) enfim vc sabe que eu sou fã de suas histórias né!
bjoos
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