"Há duas espécies de homens: uns, justos, que se consideram pecadores, e os pecadores que se consideram justos."
Blaise Pascal
Blaise Pascal
"Perdoe-me Senhor, pois eu pequei".
A catedral estava vazia, silenciosa, iluminada pelo brilho fraco do pôr-do-sol através das altas janelas e vitrais. Um homem alto e magro, de cabelos castanho-claros, vinha andando no corredor central. "Perdoe-me Senhor, pois eu pequei", repetia ele.
- Afinal, por quê pedes tanto perdão? - uma voz ecoou do fundo da catedral. O padre suspirou.
- Se há algo que fiz na vida pela qual eu não deva pedir perdão, eu gostaria de saber - comentou ele, parando em frente ao altar da catedral.
- Ora ora, quem nunca pecou que jogue a primeira pedra, certa vez disse o filho de Deus - desta vez a voz era mais grave, de certa forma um pouco rouca, e ouviu-se uma gargalhada também rouca. O padre virou-se para as portas da catedral, hermeticamente fechadas. Nos últimos bancos, estavam sentados uma mulher de cabelos negros e um homem de cabelos prateados, a mulher com as pernas cruzadas, lixando as unhas, e o homem com os pés sobre o encosto do banco da frente, olhando para o teto. O padre colocou as mãos para trás e voltou a andar calmamente pelo corredor.
- Já é tempo? - perguntou ele, olhando para a mulher.
- Não - disse ela, a voz fina, suave, quase que angelical, levantando os olhos azuis e olhando diretamente para o padre. - Mas os cavaleiros serão escolhidos em breve.
- Então a resposta correta seria "sim" - disse o homem, ainda sem tirar os olhos do teto da catedral. A mulher largou a lixa, que desapareceu em pleno ar, e fulminou o homem pelo canto do olho. Uma chama azul surgiu sobre o ombro dele. Ele levantou-se num sobressalto, apagando o fogo a tapas. - Hei, foi só um comentário!
- Por "tempo" você deveria estar de referindo ao fim dos tempos e não ao tempo à ocasião de escolher novos cavaleiros, ou seja, você deveria ser mais específico da próxima vez.
- Evidentemente, Than - murmurou o padre, claramente sem dar tanta importância ao acontecimento.
- Mais alguma coisa, Vossa Eminência? - perguntou o homem, rindo e encarando a mulher. Seus olhos eram igualmente azuis, de um azul claro, que beirava o branco.
O sino tocou, anunciando as seis horas da tarde. O brilho do sol agora só atingia as primeiras janelas da catedral, próximas ao altar. O padre virou-se para observar o altar iluminado, em frente à cruz dourada que se erguia ao fundo da catedral. "De fato, é tempo" pensou ele. O sol iluminou a cruz por completo, e a catedral escureceu subitamente, restando apenas a cruz iluminada. Se a porta não estivesse fechada, teria batido com o vento forte que soprou, sutil e fugaz, percorrendo toda a estrutura da construção. A mulher e o homem levantaram-se, olhando para a cruz iluminada.
- Os quatro cavaleiros foram escolhidos ao mesmo tempo? - surpreendeu-se o padre.
- Aparentemente sim, senão a cruz teria se iluminado devagar, e não todas as partes de uma vez só - comentou o homem. - Talvez os cavaleiros já se conheçam.
- Talvez não, eles já se conhecem - corrigiu a mulher. - O anti-cristo e a morte são o meu par.
- Então me resta a fome e a guerra. Ótimo par. A moça é a fome e o rapaz é a guerra, como acontece sempre?
- Exato... - a mulher olhava para a cruz, uma expressão estranha nos olhos. - Já fazia um tempo desde a última vez que vi esta formação.
O padre olhava para os dois com certa apreensão, tentando entender o que eles queriam dizer. A cruz perdeu seu brilho, e a catedral voltou a iluminar-se, agora numa menor intensidade, uma vez que o sol já havia sumido por trás das montanhas no horizonte.
- Eis um cavalo branco e a sua amazona com um arco, e foi-lhe dada uma coroa, e ela saiu vencendo - parafraseou a mulher. O queixo do padre caiu.
- O cavaleiro branco é uma mulher? - perguntou ele, sabendo que nenhum dos dois o responderia.
- E saiu outro cavalo, desta vez vermelho, e ao seu cavaleiro foi mandado tirar a paz da terra e para isso, foi-lhe dada uma espada - prosseguiu o homem.
- Eis um cavalo preto e sua amazona leva uma balança consigo.
- Eis que veio um cavalo baio, e seu cavaleiro é chamada Morte - terminou o homem.
- O cavaleiro branco é uma mulher? - repetiu o padre.
- Realmente, é um fato praticamente inédito - disse a mulher ao homem. - Uma vez entitulados os cavaleiros, o acaso ou o destino os trarão até aqui, e então sua jornada terá início.
- Correto - o padre afrouxou o colarinho da batina e saiu em direção às salas ao fundo da catedral. "Perdoe-me Senhor, pois eu pequei" repetiu ele uma última vez, ao passo que a mulher e o homem saíam pela porta da catedral, andando num passo tão leve que pareciam estar flutuando.
- E o Inferno os seguirá de perto - disseram os dois, antes de desaparecerem em pleno ar.

Ô prefáciozinho demorado para escrever hein. HAHAHA
Contei até com a ajuda da Bíblia ;D
História nova, não dá para entender muito bem por enquanto, mas é legal. xD
Título: Hellhound Gang (Gangue do Apocalipse)
Frase!
"Há pecados tão agradáveis que, se os confessasse, cometia o pecado do orgulho. "
(Sophie Arnould)
Trilha!
"Só um pouco mais, venha e me satisfaça
Só um pouco mais, venha e me aterrorize
Só um pouco mais e eu terei terminado
Tome a minha vida e depois eu vou sentir bem"
It's Just Me (Escape The Fate)
beijos povo:*





4 comentários:
deus o livre...
num quero mais ser seu empresario...
eu ia ficar rico demais...
melhor... tudo que ganhar dou metade pra caridade...e ainda assim fico rico...rs
o menina talentosa...
Bjs e Parabens denovo
Uau Júlia!
Pelo que vi [e senti] essa será a minha preferida *-*
Por um momento achei que havia roubado meu tema. Mas ainda é cedo pra falar. Até que eu diria que não é algo ruim, pois vc poderia se considerar uma escritora por completo ja que teria um processo no currículo hahahahahahaha
Adorei!!! ~♥
Ficou muito bom!!! Quero ler mais!!!
Beijos!!!
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