Há situações que dispensam palavras. Um simples suspiro mais longo, um singelo olhar, um breve aceno. Até mesmo a desajeitada ação de deixar cair as chaves da mão antes de abrir a porta. Poderiam ser substituídas por palavras, evidentemente. Mas há certas coisas, que apenas as palavras não dizem. O que realmente "diz" é a forma como se fala, a forma como se traduz o significado do que precisa ser dito. Chega a ser tão relativo quanto o tempo. Um "olá" pode significar um "adeus", dependendo da boca que o pronuncia, ou da mão que o escreve. Perdi algum tempo divagando sobre as palavras enquanto entrava em casa, mal olhando para os lados, passando reto pela porta da cozinha, virando no corredor, entrando no quarto e me encostando na porta depois de fechá-la. Uma sensação estranha me subia pela garganta. Digo estranha pois eu ainda não sei como classificar o que me acometeu. A breve conversa que eu acabara de experimentar fora o bastante para fazer meu coração dar pulos? Que raio de garota emocional eu me tornei? Foram tão poucas palavras, e agora eu extraía delas um significado tão grande que me fazia querer sair saltitando pelo primeiro campo florido que aparecesse na minha frente. O que eu não entendia era essa profundidade absurda que os poucos gestos de momentos antes haviam adquirido, gestos mais breves que as próprias palavras. O celular voltou a vibrar no meu bolso, simplesmente o tirei de lá e arremessei-o sobre a cama. Corri à janela. Na verdade não corri, mas tudo ao meu redor parecia tão suave e efêmero ao meus olhos que eu poderia muito bem ter corrido e não ter percebido. Abri a janela e debrucei-me no batente, a observar a chuva caindo. Sentia-me vulnerável, estupidamente vulnerável. Uma oportunidade parecia dançar em meio às gotas de chuva que caíam, e a vulnerabilidade fez uma parceira com a curiosidade para me fazer querer esticar os braços e sair dançando com a oportunidade. Não importava a chuva, não importavam as palavras. O que importava era só a sensação, o gesto, a ideia. Porque afinal, há situações que dispensam palavras.
Imagens de três mangás shoujo muito lindos.
Meu humor está estranho hojem, e aí esses textos em primeira pessoa simplesmente surgem.
Trilha sonora ♪
"In my darkest hours I could not foresee
That the tide could turn so fast to this degree"
1 comentários:
Putz, toda vez que eu leio algo seu, você consegue trazer a ton algo novo dentro de mim, não sei o que é, mas é algo brilhante que desencadeia emoções, suspiros, e por fim apreciação...
Parabéns Juuu
q vc seja sempre assim
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