"Cada pecador confessa, ouve sua sentença, e é atirado no abismo onde uma ventania incessante os arrasta. O abismo é um lugar escuro onde só se ouve o som das vozes melancólicas - emanando de um enorme redemoinho - que se assemelham ao som de uma grande tormenta. São almas sofredoras, sacudidas pelo vento que nunca cessa."
Ela não havia imaginado que Greg poderia ser alguém tão conveniente para se formar uma dupla num trabalho de história, especialmente com o tema "conspiração da pólvora". Ela sentia-se como se quem ela era estivesse em guerra contra quem ela se tornava quando estava perto dele. Ela não queria agir diferente, mas era quase que inevitável. A aula chegava ao seu fim, e Greg levantou-se para carregar a carteira até seu lugar original.
- Mona! - chamava Fernando.
- Diga - disse ela, sem muito interesse.
- A galera tava combinando de irmos almoçar na lanchonete do meu pai hoje, que tal?
- Quer dizer que eu vou mais cedo para o trabalho hoje? - perguntou ela, em tom de ironia, sorrindo.
- É, digamos que sim - respondeu ele, sorrindo também, jogando a mochila sobre um dos ombros. - Quem vai? - quis saber ela.
- Ah, as meninas, o Vin e o Thiago, e o Greg, aparentemente... - respondeu ele, virando-se por um momento para localizar Thiago conversando com Greg. Mona suspirou, e confirmou sua presença para o almoço. "Passar um tempo com eles vai me fazer sentir melhor" pensou ela. Ela não sentia-se mal, mas algo parecia estar sufocando-a, algo que a deixava ser saber o que fazer. "Uma verdadeira luta entre meus sentimentos e a razão" imaginou ela, rindo poucos segundos depois do que havia imaginado.
O sinal tocou e os alunos começaram a deixar a sala. Mona colocou sua mochila sobre a carteir para guardar seu caderno e olhou pela janela antes de ir embora. No pátio lá fora, um aluno do oitavo ano agredia outro garoto, consideravemente menor que ele, culpando-o por não ter passado as respostas da prova. Ela continuou observando até o garoto mais alto dar um soco no menor e ir embora. Um momento depois, um grupo de quatro ou cinco garotas saíam do prédio do colégio, conversando alto, enquanto a última delas carregava os livros das outras, alguns passos atrás.
- Quanta futilidade - disse Mona à si mesma.
- Quando eu digo que o mundo vai acabar, ninguém me escuta - disse uma voz por trás dela.
Mona virou-se rapidamente, parando a poucos centímetros do rosto de Greg.
- Não apareça de repente assim, as pessoas não gostam - disse ela, olhando para ele com ar de reprovação. - E não por coisas assim que o mundo vai acabar, não exagere.
- Você uma vez escreveu um texto sobre a teoria do caos. Então, o bater de asas de uma borboleta podecriar um tufão do outro lado do mundo, logo, coisas assim podem fazer o mundo acabar eventualmente.
Ele abriu um sorriso, mas ela continuou a observá-lo com ar de reprovação.
- Não foi isso que eu quis dizer com o texto, era só uma análise da teoria...
- Mas você concorda comigo que o mundo vai acabar, não é?
- Não - disse ela, agarrando a mochila e andando em direção à saída. - O mundo pode beirar o desastre, mas eu não tenho a mesma visão psicopata das coisas que você tem.
- Me chama de psicopata e ainda assim gosta de mim? - perguntou ele, seguindo-a.
- Exato. Eu me dou ao luxo de gostar de você - respondeu ela, rindo alto enquanto os dois saíam para o corredor do colégio.
- Luxúria é pecado - comentou ele.
- E eu ligo para isso? Por acaso, você liga? - perguntou ela, estranhando a afirmação dele.
- Não, mas os pecados que as pessoas tanto categorizam podem levar o mundo ao seu fim.
- Ah, pare de falar no fim do mundo, que coisa mais deprimente - sugeriu ela, parando antes da porta principal do saguão e virando-se para ele. - Viva a vida. Coisas ruins sempre acontecerão, assim como as coisas boas. Então não pense no fim do mundo, pense em...
- Você? - perguntou ele, sorrindo com uma expressão maliciosa.
- Pode ser, se isso te deixa feliz - respondeu ela, piscando para ele, virando-se e saindo em direção à rua. Minutos antes, ela estava se perguntando o que fazer sobre ele, mas agora ela encontrara a resposta mesmo sem querer. Momentos antes, ela havia cogitado se não seria melhor desaparecer, mas agora ela sentia que não precisava disso. "Tudo depende do ponto de vista" foi a frase que veio à sua mente. Agora o que importava não era o futuro, nem o mundo, o que importava estava ali, alguns passos atrás, estendendo a mão para que ela saísse do abismo em que sentia que estava.
Texto inspirado numa frustração pós aula de educação física e em certas coisas que acontecem num certo fórum por aí :B
Trilha sonora do capítulo de hoje:
"Você ensinou ao meu coração um sentido que eu nunca soube que podia sentir."
- My Heroine (Silverstein)
"Nós falamos com vozes diferentes, quando brigamos com aqueles que amamos."
- Voices (Saosin)
Horo & Lawrence, de Ookami to Koushinryou (Spice and Wolf)
- abrindo uma temporada de imagens deles.
Porque eles são fofos, o anime parece ser bom (não assisti ainda) e porque eu gostei deles, vou até fazer um pack avatar e sign dos dois :B
Ah é! não contei essa novidade aqui.
Eu, autora do oohmygod, recentemente peguei uma doença chamada Photoshop, conhecem?
Estou fazendo designs feito uma louca HAUHEHEUAHEUAH;
Um dia aí eu posto alguns por aqui ok? :D
Desculpem a demora, eu juro que voltarei mais cedo na próxima.
beijosamovcs:*






