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terça-feira, 28 de abril de 2009

7 - Círculo dos Assassinos

Título alternativo: Círculos da Violência

"O Minotauro vigia este local, onde assassinos, suicidas e ladrões violentos estão submergidos até os olhos, num rio de sangue fervente. Suas almas fervem e gritam. O rio de sangue cerca um bosque, não verde, mas de folhagem seca, sem frutos, sem ramos e com os troncos cobertos de espinhos. São os suicidas, transformados em árvores. Nas árvores as Harpias fazem seus ninhos e dilaceram as folhas negras. Quando uma folha é dilacerada a árvore esvai-se em sangue."


"Greg foi embora quinze minutos depois que Marcel chegou em casa" escreveu Mona no pedaço de folha de caderno que Victoria tinha lhe passado, disfarçadamente devolvendo-o para a amiga sentada na carteira a sua frente. "Aposto que ela vai perguntar: Quinze minutos? Como você sabe?" pensou ela, olhando distraidamente pela janela da sala de aula. "Eu cronometrei".
Ao som do típico alarme para o intervalo, Mona amassou o pequeno papel e o jogou dentro da mochila, imaginando que simplesmente jogá-lo numa lixeira era duvidoso demais. Victoria a chamou para descer até o pátio com as outras garotas, mas Mona recusou, parando em frente à janela, olhando para um ponto indefinido no ar. Desde o momento em que Greg fora embora, na noite anterior, ela não parara de se perguntar o porquê do garoto repentinamente trazer à tona o assunto "Deus". Era fora do comum, e por mais que ela estivesse consciente de que Greg era a pessoa mais fora do comum que ela conhecia, parecia que uma parte do enigma estava faltando, e essa parte ela imaginava ser o segredo que Greg guarda com tanto esmero.
- Sentiu minha falta? - perguntou o garoto, surgindo repentinamente atrás dela.
- Por que você quer saber se eu acredito em Deus? - perguntou ela, sem olhar para ele.
- Curiosidade, eu te disse - respondeu ele, abraçando-a pela cintura e inclinando a cabeça até encostar levemente na dela. - Isso realmente importa?
- Sim - respondeu ela, ainda sem olhar para ele, e sem reagir ao abraço.
- É simples. Me veio à mente a questão da justiça, isso enquanto você estava passando pelas páginas da internet procurando sobre a conspiração, porque por um acaso eu estava lá, caso você não tenha percebido minha presença, o que eu sei que você percebeu...
- Não me enrole, seu safado - disse ela.
- Você nunca me chamou de safado antes.
- Não em voz alta - comentou ela, sem conseguir segurar um breve riso. Greg ficou em silêncio, mas Mona tinha a sensação de que ele achara engraçado também.
- Então, enquanto eu pensava sobre justiça, eu pensei sobre Deus. Dizem que ele é o criador, e que ama todas as suas criações.
- É o que dizem - disse ela, imaginando que responder com um simples "sim" seria vago demais.
- E quanto àqueles que os humanos não amam? - perguntou ele, abraçando-a com um pouco mais de força. Mona engoliu em seco. Antes que ela pudesse perguntar algo, ele continuou. - Por exemplo, ladrões, sequestradores, assassinos.
A garota continuou em silêncio. "Faz sentido. Não, não faz!" pensava ela. "Faz sentido? E se fizer? Caramba, o que ele quer dizer, aonde ele quer chegar?". As perguntas surgiam como gotas de água numa noite chuvosa.
- Deus consegue perdoar todos eles? Você perdoaria?
- Bom, Deus com certeza sabe muito mais sobre o mundo do que eu - disse ela, sem conseguir pensar em nada mais plausível para dizer, virando o pescoço até encontrar os olhos dele.
- E se eu tivesse matado alguém? - perguntou ele, fitando os olhos aflitos dela. Pelo menos quinze frases passaram por sua mente, mas ela nada disse, com a boca entreaberta, esperando que a frase correta aparecesse. Mas ela não apareceu. Greg já não sorria, o que também a acanhava. O sorriso dele era intrigante, mas mais intrigante ainda era ele não sorrir nesse tipo de situação. A típica aura de diversão que surgia quando ele questionava a garota estava ausente. O abismo parecia mais fundo, e a salvação estava inatingível, dessa vez.
- Eu... - começou ela, agarrando-se à esperança de que um frase surgiria como um condenado agarra-se às grades de sua cela.
- Não sabe, não é? - perguntou ele. - Pois é, eu também não sei.
"O abismo é mesmo fundo" pensou Mona, quando Greg abriu aquele fatídico sorriso, finalmente.



WHOA! Gostei hein :D
Postado em tempo recorde! Um título conveniente como esse dá uma motivação a mais para a minha criatividade ;P

Trilha sonora do texto de hoje é o mais puro silêncio!♪
Frase famosa!

"Não sei como é a alma de um criminoso, mas a alma do homem honesto, do homem bom, é um inferno."- Nikos Kazantzakis

beijos ppl fui dormir :*
ouvindo ♪ "I'll be ur doctor, I'll be ur cure, I'll be ur medicine and more" - Cute Is What We Aim For


Considerações finais: preciso de um homem !

sexta-feira, 24 de abril de 2009

6 - Círculo dos Heréticos


"O Círculo dos Heréticos é o primeiro dos círculos da violência. Neste lugar há um cemitério de tumbas abertas de onde se ouve os gritos e os lamentos de muitas vozes. São os heréticos que queimam em brasa dentro das covas que lhes servem de moradia eterna."

Mona digitava rapidamente, procurando mais informações sobre a conspiração da pólvora em sites diferentes. Greg estava sentado na ponta da cama dela, logo ao seu lado, acompanhando com os olhos as páginas da internet que a garota abria, fazendo comentários sobre o que poderia ser utilizado no trabalho ou não. O sol parecia estar demorando mais que o usual para desaparecer por trás dos morros que cercavam a porção leste da cidade, e Mona começara a estranhar o fato de que Marcel ainda não havia voltado para casa. Sua mãe estava de plantão na clínica de novo, então isso não a preocupava muito. Greg levantou-se da cama e andou até a porta de vidro que abria-se para a sacada circular.
- Está ficando tarde - disse Mona.
- Você sempre diz isso, esqueça um pouco do tempo - argumentou ele, encostando-se na janela fechada, com as mãos nos bolsos, olhando para ela.
A garota nada disse, nem ao menos olhou diretamente para o garoto. O olhar que ele sustentava era diferente, como se algo tivesse de ser dito, mas ele não pudesse expressar. Depois daquela sensação que ela tinha classificado como uma epifania, horas mais cedo, quando ela deu a desculpa de que o perfume dele estava causando uma ação entorpecente nela, uma hipótese surgiu em sua mente: Greg é do jeito que é porque guarda um segredo. Agora, todos os nervos do corpo dela pulsavam na esperança de descobrir o tal segredo.
- Ok, então será uma apresentação de slides - disse ela, sentindo-se desconfortável, saindo da cadeira do computador e sentando-se na beira da cama. 
- Por mim tudo bem - comentou Greg, desviando o olhar para a cama.
- Então acho que temos tudo resolvido, já dividimos o trabalho, você já pode ir...
- Ah, é isso que você quer? - perguntou ele, interrompendo-a, saindo de perto da janela e dando dois passos em direção à ela. Mona virou-se para ele, segurando-se na extremidade do colchão, sem ação. Ele abriu um sorriso, apoiando-se na cadeira logo à frente dela e curvando-se. - Não é, eu sabia.
- Seu... - começou Mona, com uma expressão de raiva surgindo.
- Não vá dizer que eu te "entorpeço".
- ... Cretino! - disse ela, batendo com força no lado esquerdo do rosto de Greg. Ele segurou a mão que ela acidentalmente deixou no ar, forçando a garota a inclinar-se para trás.
- Você acredita em Deus? - perguntou ele, diminuindo a distância entre os dois ao inclinar-se em direção à ela alguns centímetros mais.
- Que tipo de pergunta é essa? Por acaso se eu responder "sim, e você?" você vai responder com aquela cara de pedreiro: "passei a acreditar quando conheci você, meu anjo"? - indignou-se ela, a expressão de raiva transformando-se em desprezo.
- Não seja ridícula - respondeu ele, rindo. - É só por curiosidade, foi um pensamento que me acometeu agora à pouco...
Ele se abaixou um pouco mais, aproximando seus lábios dos dela. Mona respirava devagar, tentando organizar a sequência dos fatos em sua mente. Greg parou por um segundo, adquirindo uma expressão de "acabei de ter uma ideia".
- Você está agindo estranho - disse ela.
- Desculpe - disse ele, pressionando seus lábios contra os dela. Mona pensou em reagir, mas o beijo foi diferente dos anteriores. Ela pensou em interromper, mas a sutil diferença a impediu. Ela sentia que algo estava errado, agora a idéia de que Greg tinha um segredo se tornara clara em sua mente, e isso a fazia querer afastar-se. Mas outra sensação surgiu simultaneamente, uma sensação de ousadia, inovação, paixão. Ela colocou uma mão sobre o ombro dele e o empurrou, fazendo-o virar para o lado e deitar-se, e depois ela apoiou-se com as mãos sobre o peito dele, ignorando os alertas de sua consciência, ouvindo somente ao som da respiração dele, sem se importar mais com o tempo. "Por enquanto", pensou ela, "acho que posso deixar-me sentir".
Greg a segurou pela cintura, e o sol se pôs, como se fosse cronometrado. Mona pôde ouvir o som de um portão rangendo, um som que parecia estar longe, muito longe. Por um segundo ela afastou-se do corpo de Greg e ouviu passos nas escadas. Ela pulou de cima do garoto, sentando-se rapidamente na beira da cama.
- O que foi? - perguntou Greg, levantando e sentando-se corretamente ao lado dela.
- Greg! Você por aqui? - perguntou Marcel, surgindo na porta do quarto. Greg virou a cabeça lentamente, até encarar o irmão de Mona, parado com os braços cruzados, o óculos equilibrado na ponta do nariz, observando a cena com uma expressão de desconfiança.
- Eu... É... Er... - começou Greg.
- Trabalho de história, não é? - perguntou Marcel.
- Exatamente, como eu tinha te falado... - começou Mona.
- Claro, claro. Já usei essa desculpa um milhão de vezes - disse ele, rindo alto, virando-se e saindo do quarto. - Podem continuar, eu juro que não vi nada!
Greg virou-se para Mona, abrindo um sorriso sarcástico.
- Vai sonhando! - disse ela, empurrando-o para trás e beijando-o novamente.




Que tal, un capítulo caliente! HAHAHAHAH ;P
Acordei alegre, que coisa :D
Só para constar, é a partir desse dia que Mona começa a duvidar de tudo que Greg diz, porque quer descobrir qual o grande segredo dele.
Tah-dah! :3

Trilha sonora, tanto do texto, como do meu dia♪

"Você me faz questionar o porquê
De eu gostar quando é selvagem
Eu brilho e sei disso
Não sei porque você quer sufocar isso
Preciso de um homem que goste de algo selvagem"
I Like It Rough - Lady GaGa.
"Todo dia é como uma caminhada no parque e agora
Eu estou me sentindo como
Eu estou tão novo
O amor é limpo como a cor da água
E estou tão alegre porque
Eu encontrei você"

Color of Water - Family Force 5.
"Então eu canto essa música para você
Desculpe por não ser, o que você estava procurando
Mas você simplesmente não entende.
A vida é melhor, depois da queda.
Pedaços estão chovendo sobre mim
Não irei esperar, eu não consigo acreditar nisso ou em qualquer coisa.
Depois de tudo que você fez, por que eu me importaria?
Por que eu deveria me importar?
Depois da dor que você causou, por que eu me importaria?
Por que eu deveria me importar?"

A Street Car Named Desire - A Thorn For Every Heart.

Frase famosa!
"O otimista diz que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. O pessimista teme que isso seja verdade." - James Brauch Cabell

beijos ppl:*
ouvindo ♪ "he never caught her name before they said their goodbyes" - Capital Lights


Considerações finais: dar a volta por cima faz tão bem ;D

sábado, 18 de abril de 2009

5 - Círculo da Ira

"É um lugar escuro, banhado por um rio pantanoso chamado Estige (um dos rios do inferno). Os vencidos pela ira e os que não conseguiram controlar a raiva estão amontoados, nus, cobertos de lama do rio, e, com feições iradas, esmurram-se, batem cabeças, chutam-se e arrancam as peles uns dos outros com os dentes."

A tarde já caía quando Mona colocou seus pés para fora da lanchonete, o letreiro vermelho refletindo na calçada molhada. Saíra sem exatamente se despedir de Tabatha, procurando pelo celular dentro de sua mochila.
- Eu tenho certeza que deixei aqui dentro... - ela dizia para si mesma, andando rapidamente pela rua, escolhendo o caminho mais curto para chegar em casa o mais cedo possível. A chuva que havia caído mais cedo deixara poças pela calçada, e aquele cheiro único de grama molhada que a garota tanto adorava. - Mas que droga!
Ela fechou a mochila com certa violência e jogou-a por cima do ombro, respirando fundo e olhando para o céu enquanto andava. Não havia um único espaço azul, como um campo de algodão. Uma sensação de que algo estava errado a invadiu quando ela virou a última esquina para chegar à quadra de sua casa. Ela imaginou que a sensação pudesse ser explicada pela presença de uma moto azul-escura na calçada logo em frente à garagem.
- Você disse que ia me ligar - disse ela à ele, depois de ter atravessado a rua.
- Eu não ligaria no telefone da lanchonete - disse ele, colocando o mão no bolso da jaqueta para tirar alguma coisa. - E é meio difícil ligar para o seu celular, quando ele está comigo.
Ele estendeu a mão para ela, segurando o celular prateado. Ela pegou o celular o mais rápido que pôde, com uma expressão insatisfeita no rosto.
- Ladrão! Por que estava com você? - perguntou ela, tirando a chave do bolso da calça e indo abrir o portão do pátio. - Pode ser uma forma idiota de você chamar atenção, mas não vai conseguir assim. Você sabe que eu fico preocupada por coisas pequenas, e não tem ideia do que pode ter acontecido hoje, nem se importou com...
- Foi você que me entregou o celular - interrompeu ele. Mona parou de falar, segurando o portão aberto e olhando para Greg como quem diz "falei demais".
- Cala a boca e entra - finalizou ela, empurrando o portão e cruzando os braços até que Greg entrasse na casa. Ele parou em frente à escada, enquanto ela foi em direção à sala e jogou-se no sofá. Ele encostou-se no corrimão da escada e virou-se para ela.
- Bom, já que eu estou aqui, você está aqui e não há mais ninguém em casa, eu pensei que nós poderíamos...
- Se você disser o que eu penso que você vai dizer, eu ligo para o Marcel, ele chega aqui em cinco minutos e acaba com a sua raça - disse ela.
- ... Fazer o trabalho - continuou ele, rindo. - Ok, o que aconteceu? Espere, aposto que a resposta começa com "C".
- Jura? - perguntou ela, lançando um olhar sarcástico. - Eu sei que é idiotice minha e que eu pareço uma colegial idiota, mas... Ah, não sei.
- Você não parece nada, está agindo como uma garota normal. Mas não fique assim, é perda de tempo.
- Olha quem está falando.
- O que você quer dizer?
- Você vive tendo suas crises existenciais e depois eu é que não devo "ficar assim".
- São situações diferentes.
- Não, não são.
Greg abriu a boca para retrucar, mas nada disse. A raiva ao redor de Mona era praticamente vísivel, poderia ser sentida à metros de distância.
- Não adianta aconselhar para que você não fique assim, então tudo bem - observou ele, começando a subir as escadas.
- Onde você vai? - perguntou ela, sentando-se corretamente no sofá e seguindo-o com o olhar.
- Para o seu quarto, ligar o seu computador, para começar a fazer o nosso trabalho - disse ele, num tom de voz que dava a entender que ele estava satisfeito consigo mesmo. Ela ficou parada enquanto ouvia os passos dele subindo os últimos degraus até o andar superior. A raiva que ela sentia e transparecia não foi embora, e ela não tinha muita esperanças que fosse tão cedo. O trabalho de história era a única coisa que poderia distraí-la dos fatos, mas a presença de Greg não a deixava com a certeza de que realmente poderia entreter-se com o trabalho. "Irei cair no abismo, ou ainda posso ser salva?" filosofou ela, antes de decidir-se por subir as escadas em direção ao quarto.

A inspiração veio e rendeu um texto que eu realmente gostei. O problema, é que não veio da melhor das fontes. Perdoem a minha demora, muitas coisas aconteceram.
O capítulo de hoje ser a "Ira" foi extremamente conveniente, vocês não têm ideia.
Num post futuro eu descrevo o que me acontece ¬¬.


Trilha sonora especial (de novo). ♫
"Mas lá vai você e eu ainda não terminei
Você está dizendo adeus, pelo menos você está se divertindo
A maré subindo não vai deixar você me esquecer
Me esquecer"

Ruthless (Something Corporate)
"Coração, para que se apaixonou,
por alguém que nunca te amou,
alguém que nunca vai te amar?"

Coração (Rapazolla)
"Não sou eu quem você deve culpar,
então tome o que eu te deixei para a dor,
e faça o seu melhor para esquecer o meu nome."

Calling All Cars (Senses Fail)

Frase famosa (extremamente especial) !
"O amor, quando não é correspondido dói. Dói muito. Porém, ainda assim, não deixa de ser gostoso senti-lo, pois temos uma razão maior de viver e um sentido verdadeiro para sonhar." - Damares Nunes

ouvindo ♪ "quando se quer alguém, como eu quis você." - Hateen
ouvindo também ♪ "chora, me liga, implora, meu beijo de novo" - João Bosco e Vinicius
beijos galerë :*



Considerações finais: PUTA MERDA!
(perdoem o palavreado.)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

4 - Círculo da Avareza.


"Avareza: um dos sete pecados capitais, é o medo de perder o que possui."

Uma brisa leve entrou pela porta aberta da lanchonete alguns minutos depois que Greg foi embora. Mona respirou fundo e foi em direção à caixa registradora.
- Qual seu tema do trabalho? - perguntou Fernando, sentando numa das banquetas à frente do balcão.
- Conspiração da pólvora - respondeu Mona. - E o seu?
- Revolução Americana.
- Sortudo - comentou ela.
- Não sou que vou fazer o trabalho com a pessoa que eu mais amo nesse mundo - riu-se ele, fazendo caretas. Mona o encarou, sem encontrar motivos para rir. - Ora vamos, eu só estou brincando.
- Eu sei - disse ela, com frieza. - Mas a Revolução Americana é mais interessante. E eu não coloco tanta fé no Greg. Ele é aficcionado por história.
- E você quer alguém melhor para fazer um trabalho de história do que um aficcionado por história? - perguntou ele, em tom de dúvida. - Ou então será porque aí ele vai deixar de te dar atenção?
- Vocês só pensam nisso, né. - disse ela, andando para mais perto dele pelo outro lado do balcão. Fernando havia começado a rir, mas parou abruptamente ao ouvir o que Mona dissera.
- Vocês?
- É, garotos. Vocês não levam as coisas a sério, sempre pensam na parte mais divertida.
- Ah, não seja chata, eu só estou brincando - disse ele, apoiando o rosto em uma das mãos. - E garotos não são assim. Pelo menos não eu, só acordei de bom humor. E o Greg menos ainda.
Uma chama de interesse acendeu no íntimo de Mona. "Fernando é a melhor fonte de informações do universo!" imaginou ela. Ela ficou em silêncio, olhando para ele como quem insinua que quer ouvir mais. Nas últimas duas semanas, os acontecimentos na vida dela pareciam o trailer de um filme, e ela sentia-se como se não pudesse esperar pela estréia, tinha que descobrir os pormenores da história o quanto antes.
- Ele só faz piadinhas sarcásticas - disse Fernando, aparentemente sem perceber a aura de curiosidade ao redor de Mona. - Isso quando ele sequer faz piadas.
- Ele sabe usar as palavras, eu acho - comentou ela, desejando que a entonação de sua voz fosse o gatilho para uma conversa mais aprofundada.
- Greg é ganancioso, isso sim.
- Ganância? Claro que não! - estranhou ela. - Ele é consideravelmente altruísta, do meu ponto de vista... Ele até pagou o meu almoço hoje.
- Não, eu não quero dizer ganancioso por ser egoísta ou mesquinho. Ele não gosta de perder.
"Isso é novidade" pensou Mona, encostando-se na parede logo atrás do balcão e lançando um olhar momentâneo à porta da frente para checar se nenhum cliente estava chegando para interromper a conversa.
- Mas isso é normal.
- Não do jeito dele.
- Pare com isso, faz parecer que ele é tão diferente assim de vocês - disse ela, rindo em seu interior, mas transparecendo uma expressão de convicção.
- Olha, é mais ou menos assim: quando você entra numa competição, existem aqueles que não sabem perder, entende? - ela balançou a cabeça em confirmação, a curiosidade crescendo cada vez mais. - Greg não é um desses. Ele não se importa com absolutamente nada... Material. Ele se importa com atitudes, resoluções, pensamentos, é como se ele quisesse mudar o mundo, saber tudo o que se passa... - ele fez uma pausa, virando os olhos como se procurasse uma palavra para completar seu raciocínio. Mona agora fitava-o com extrema surpresa e cautela. - Controle. Isso, ele quer garantir o controle das coisas, acho que é isso.
- Mas o que isso tem a ver com não gostar de perder? - perguntou ela, quase inconscientemente.
- Ele quer que as coisas sejam como devem ser, e se isso não acontece, ele fica naquele humor depressivo dele.
Ao longe, um telefone tocou. Fernando desceu da banqueta e foi em direção à sala da gerência, aos fundos da lanchonete. Mona continuou encostada na parede, petrificada. A ideia de Greg ser controlador não havia passado pela sua cabeça. "Manipular é diferente de controlar" imaginava ela. A lanchonete mergulhou no silêncio. A garota continuou encostada na parede, agora olhando para algum ponto na altura do ângulo entre o teto e a parede oposta, uma brisa mais forte começando a entrar pela porta. Flashbacks e frases aleatórias passavam por sua mente numa velocidade tal que ela não conseguia assimilar todas as informações. Agora sim, a pergunta voltava a lhe ocorrer: quem é Greg? Um fotógrafo, jogador de futebol, amante de história, irônico, esperto e controlador? Algo parecia não encaixar.
"Ainda não consigo entender" pensava ela, "ele é diferente sob todos os pontos de vista, sob o meu e sob o dos próprios amigos dele! Ele sempre sabe o que dizer, parece ter duas personalidades, é mais suscetível às coisas do que a maioria das pessoas, tem uma percepção aguçada, e a capacidade de convencer as pessoas dele é indiscutí...".
Seus pensamentos foram interrompidos pelo som da porta de metal batendo com o vento. Mona desviou o olhar para lá quase instantaneamente.
- É. Controlar e manipular não são a mesma coisa - disse ela à si mesma. 

Ninguém comentou sobre a metáfora contida no texto anterior ou sobre as minhas ênfases nas expressões das músicas do final do post, então ninguém ganhará moedas :/


OOPS!

Percebem o novo fundo do blog? De minha autoria, huhuh :3
Autores das frases que o compõe e seus respectivos donos:
Kon (Bleach © Kubo Tite);
Sanji (One Piece © Eiichiro Oda);
Saïx e Axel (Kingdom Hearts II © Square Enix & Disney);
Zero e Kaname (Vampire Knight © Hino Matsuri);
Mokona (Tsubasa Chronicle © CLAMP);
Sebastian(Kuroshitsuji © Toboso Yana);
Lavi e Allen (D.Gray-Man © Katsura Hoshino).

Trilha sonora ♪
"Eu nunca mentiria para você
A não ser que eu precisasse, eu farei o que eu preciso
A não ser que eu precisasse, eu farei o que eu preciso, a verdade
É que você poderia cortar a minha garganta,
e com o meu último suspiro ofegante
eu pediria desculpas por ter sangrado na sua blusa"

You're So Last Summer - Taking Back Sunday
"Me diga mais uma vez que você me amará até a morte
E eu devo morrer, você jura que virá até mim
Enquanto eu desapareço, você estica seus braços
e por favor não me deixe ir"

You Be The Anchor That Keeps My Feet On The Ground, I'll Be The Wings That Keep Your Heart On The Clouds - Mayday Parade

Frase famosa!
"Se entre duas pedras pode nascer uma flor, porque entre dois amigos não pode nascer o amor?" - retirada de uma comunidade do orkut :3

ouvindo ♪ "in your eyes, I lost my place" - The Used ♥
beijos ppl:*



Considerações finais: Yep, a autora pode estar apaixonada e não saber.
Edit: ou não querer admitir :3

quinta-feira, 2 de abril de 2009

3 - Círculo da Gula

Aviso: um post enorme à vista.

"Uma chuva, gélida e eterna, como neve e granizo, cai sobre as almas que jazem deitadas. Cérbero, o cão do inferno, late para as almas que tentam, em vão, proteger-se das chicotadas da chuva ."

As ruas pareciam mais lotadas do que normalmente estavam quando o grupo de sete pessoas saiu do pátio do colégio em direção à lanchonete de letreiro vermelho à algumas quadras de distância. Mona andava ao lado de Victoria, enquanto ela tentava fazer com que Mona se aproximasse cada vez mais de Greg. Fernando andava mais à frente e foi o primeiro a entrar na lanchonete quando lá chegaram. Mona foi andando mais rápido logo depois de Fernando, indo em direção à caixa registradora para guardar a mochila e a jaqueta embaixo do balcão.
- Tabatha, como vai a vida? - perguntou Vin, num tom animado, pulando sobre uma das banquetas da lanchonete e apoiando-se no balcão para conversar com a cozinheira. Lyn e Victoria conversavam sobre algo do colégio enquanto sentavam-se numa mesa e Fernando foi até a parte de trás do balcão para falar com Mona.
- Então, o Greg.
- Até você? - perguntou ela, olhando para ele de esguelha enquanto levantava os cabelos para prendê-los com uma piranha. "Parece que vou ouvir isso por um bom tempo" pensou ela.
- Ah, você me conhece, eu quero saber das coisas - disse ele, sorrindo levemente e encostando-se de costas para a parede ao lado da estante de copos. Mona resolveu não dizer nada, sorriu e foi perguntar aos outros o que eles queriam comer.
- Eu pensei que você fosse a caixa daqui, não garçonete - comentou Vin, terminando a conversa com Tabatha e indo em direção à mesa onde todos estavam sentados.
- E ela não é, mas a Katie não chegou ainda - disse Fernando.
- Ela nunca chega no horário, você poderia despedir ela - disse Mona, olhando para baixo, percebendo os olhares curiosos que lhe foram lançados. - Quero dizer, diga para o seu pai colocar ela na rua.
- Quanto ódio - comentou Greg. - É por causa do Caio?
- Que mané Caio! - exclamou Victoria.  Mais tarde ela viria dizer à Mona o quanto ela achou o máximo Greg ter se importado com Caio.
- Não, é o Caio mesmo - respondeu Mona.
- Saudade? - perguntou Thiago, curvando-se para frente como quem se interessa por um assunto.
- Está mais para raiva - comentou Fernando. - Pense comigo, toda vez que a Katie está aqui, há chances dele aparecer. Se ela não estiver aqui, nem eu nem Mona teremos de ver ele.
- Exato.
- Ela acabou com ele - disse Lyn, rindo.
- Ele mereceu - comentou Victoria.
- Não, ninguém merece - disse Thiago.
- Ele só diz isso porque já acabaram com ele! - disse Vin, dando início à uma animada conversa sobre garotos e garotas. Mona demorou um pouco para conseguir passar à Tabatha os pedidos de todos eles, não por causa da conversa, mas porque desejava mais ouvir o que Greg tinha a dizer sobre o assunto do que fazer qualquer outra coisa. O ar parecia ficar menos denso quanto mais ela conseguia compreender o que ele pensava. Como o sol depois da chuva.
A garota foi sentar-se ao lado de Greg após ela e Fernando levarem os lanches que os amigos haviam pedido à mesa. Uma sensação confortante, a invadiu enquanto o tempo se passava, uma sensação de veracidade, realidade. Não era forte o bastante para fazer com que as dúvidas que surgiram sobre Greg caíssem por terra, mas mesmo assim ela sentiu-se aliviada. "Ele é tão lindo" foi a primeira coisa que Victoria havia lhe dito quando Greg entrou no colégio, e Mona surpreendeu-se por lembrar disso depois de tanto tempo.
- Você vai ficar, eu suponho.
As palavras a pegaram desprevinida.
- Ãh? - perguntou ela, piscando e percebendo que estivera olhando para Greg por um bom tempo. - Ah, sim, meu turno acaba às cinco hoje.
Thiago observava a cena pelo canto do olho, Mona podia sentir o olhar dele. Victoria e Lyn estavam conversando com Tabatha encostadas no balcão e Vin já tinha ido embora.
- Então eu te ligo depois - disse Greg, levantando-se da cadeira. - Ouviu?
- Claro.
- Você não parece estar prestando atenção - comentou ele, ajeitando o capuz de seu moletom.
- Não estava - concordou ela. - Que perfume você usa? Acho que pode ter causado uma ação entorpecente em mim.
Greg sorriu.
- Eu queria ter um senso de humor igual o seu - riu-se ele, antes de inclinar-se e e despedir-se dela, ainda sentada. "Não foi uma piada, foi uma metáfora, seu idiota" pensou Mona, também rindo da situação.


Photoshopagem exclusiva para a história de Greg e Mona, postei um exemplo dos meus designs (só avisando, não é um dos MELHORES) atendendo ao pedido da Neyara, beijosteamogarota:*
Os personagens não foram imaginados exatamente como na imagem, só pra constar. Garotas, podem sonhar com o Greg que vocês preferirem.

Hoje eu estou animada para postar no blog, hohoh :3
Preparem-se, hoje temos 2 frases famosas e 4 músicas na minha BÁSICA trilha sonora.
Vejam só vocês, eu fui indicada ao Prêmio 66 por mais uma vez! (faz tempo que me indicaram, mas hoje eu tive vontade de divulgar o fato) Não irei indicar ninguém porque já fiz isso antes (duas vezes), então, caso queiram saber quem eu indico, cliquem nos links sob o título "Friends" no menu ao lado esquerdo, obrigada HAEUHAEUAHEAUH ^^
E vejam só vocês, encontrei um comentário pertinente de um "Anônimo" por aqui. Interessante como anônimos conseguem dizer em seus comentários coisas que eu não esperaria ouvir de ninguém xD


Anônimo disse...
Poxa, se ela é exigente assim com amigos, imagina como não deve ser pra namorar com ela =(


Ri muito, eu devo dizer. Anônimo, parabéns, você conseguiu fazer com que eu postasse sobre a situação do meu coração. Até agora, no blog, toda vez que eu gostava de alguém eu falava sobre o "Fulano Tal", vamos reviver os Fulano's hahahah x)

Lembram-se do Fulano X? Se não, vide aqui.
Vi ele na rua hoje, depois de um bom tempo sem vê-lo por aí. Imaginem a menina que DERRETEU-SE enquanto andava. Ele cortou o cabelo, tá a coisa mais linda de se ver *¬*
Lembram-se do Fulano A? Se não, vide aqui. 
Vejo ele quase todas as manhãs quando volto do colégio agora, mas já nem penso mais nele.
Lembram-se do Fulano Z? É claro que não, eu não falei dele.
Mas ele foi quem motivou esse texto aqui.
Por incrível que pareça, o Fulano Z é o único Fulano que importa agora. Não tem como explicar. Se vocês lerem o texto acima linkado, entenderão.

Trilha sonora especialíssima:
"O tempo não espera por ninguém,
te deixa quebrado, especialmente quando você está sob a arma.
Faz as coisas ficarem complicadas,
te deixa cansado em direção à todas as coisas que estão abaixo do sol."

- Never Let Me Go (Family Force 5)
"Cansei de te avisar com palavras e canções
Tarde demais, estou bem e sentindo novas emoções
Você me perdeu para você mesma
Viva sozinha e me esqueça"

- Saudade (Forfun)
"Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar não vejo a hora de te reencontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem ficou pra hoje"

- All Star (Nando Reis)
"O arrependimento por hesitar e pensar demais,
eu prefiro viver a vida e ter arrependimentos,
do que não fazer nada.
Mesmo se eu desejar continuar para sempre,
minha vida tem um fim,
e é por isso que eu posso brilhar."

- Zero no Kotae (UVERworld)

Frases famosas especialíssimas!
"O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão mais inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão." - Clarice Lispector
"As paixões são como ventanias que inflam as velas dos navios fazendo-os navegar, outras vezes 
podem fazê-los naufragar, mas se não fossem as elas, não haveria viagens, nem aventuras, nem descobertas. Não existe nada de grandioso sem paixão."
- Voltaire

ouvindo ♪ "and truth be told, I MISS YOU" - The All American Rejects
ouvindo também ♪ "I can't think of anything except you" - Dot Dot Curve :)

Atenção para a ênfase, quem tiver uma teoria boa sobre o porquê da ênfase ganha uma moeda. Ganha duas moedas se entender o que Mona quis dizer com sua metáfora ao final do texto. É sério, eu quero saber se ficou subentendido. 

beijos ppl:*