rss
email





twitter
facebook


sábado, 29 de agosto de 2009

Sonho.

audácia. S.f. 1. Impulso de ânimo que leva a cometer atos arrojados ou difíceis. 2. Ousadia, coragem, valor. 3. Atrevimento, insolência, petulância.

audaz. Adj. 2 g. 1. Que tem audácia; ousado, corajoso, temerário: "Na última hora / Teus feitos memora. / Tranquilo nos gestos. / Impávido, audaz." (Gonçalves Dias, Poesias II, p. 44.) 2. Em que há audácia, arriscado, temerário, empreendimento audaz.

Lembro-me de certo sonho transgressor e audaz. E agora o sonho voltou. Mais audaz. Mais esquecível, porém, foi como se o sonho anterior desse um passo além. Agora não era uma sala escura, mas sim um ambiente vazio, vazio até demais. E havia um sofá, ou seria um banco? Não sei, mas era algo no qual você pode se sentar (ô explicaçãozinha....) E havia outra pessoa nesse banco/sofá. A mesma pessoa dos olhares do sonho anterior. Só que mais perto, quer dizer, tão perto quanto. Dessa vez eu não fiz absolutamente nada. Tudo partiu do outro. É, talvez isso tenha feito o sonho ser mais audaz que o outro, pois a audácia não partiu de mim. Entendam que, se o sonho fosse trazido à realidade, a audácia provavelmente partiria de mim. Não vou explicar os motivos, pois seria remoer o passado, coisa que eu andei fazendo muito, e não quero expor aqui, ao menos não agora.

O problema - sim, há um certo problema - é que, agora eu quero a versão real do sonho. Quero porque quero e acho que meu inconsciente vai continuar me fazendo sonhar a mesma coisa até que a versão real passe a existir. Afinal, sonhos são obra do inconsciente, e o inconsciente é o lar de todas as coisas que não reconhecemos ou desconhecemos. O meu inconsciente quer me mandar uma mensagem, ou pelo menos é isso que parece estar fazendo. E eu quero responder. Eu REALMENTE quero. Problema é aquela falta de coragem, aquele medo de transgredir - sim, chega a ser um medo - e aquela falta de... audácia.

Então né, e agora?



Lucky I'm in love with my best friend ♪

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Desejar as estrelas do céu.

- Quer companhia? - perguntou ele, enquanto ela saía da academia.
- Ah, você vai por aqui também? - replicou ela, não querendo responder afirmativamente nem negativamente.
- Não tem medo de andar sozinha pelas ruas escuras? - ele andou um pouco mais rápido para chegar ao lado dela, e os dois atravessaram a rua. Ela passava a mão pelos cabelos, ele mantinha ambas as suas nos bolsos da calça.
- Na verdade não.
- Deixe-me adivinhar... Filha mais nova ou filha do meio entre dois ou mais irmãos, teve que aprender a se defender deles e assim acabou por não temer ataques noturnos?
- Não - ela falou de forma curta e calma. - Filha única, pais ocupados.
Ele levantou as sobrancelhas, ela sorriu.
- E você deve ter uma irmã mais nova - comentou ela, olhando para o céu, ainda sem estrelas.
- Por que acha isso? - interessou-se ele.
- Você faz o gênero. E já que perguntou isso, quer dizer que você se preocuparia com uma garota andando sozinha à noite, portanto você deve ter uma irmã para saber como é se preocupar assim.
- Você sabe ler as pessoas melhor do que eu, realmente - disse ele, sorrindo. Ela ainda olhava para o céu, e ele levantou os olhos também. - Olha, Vênus apareceu.
- Faça um pedido - disse ela, num tom de descrença.
- Acredita nisso?
- De forma alguma - respondeu ela, rapidamente. - Eu não faço desejos às estrelas, eu somente as desejo.
- Desejar estrelas... Interessante. Isso por elas serem inatingíveis?
- Porque elas nunca param de brilhar - disse ela, olhando para ele, enquanto ele mantinha os olhos no céu. - E quando desaparecem, seu brilho ainda permanece por certo tempo... É como se elas deixassem sua marca, e não fossem embora em vão. Por isso eu desejo as estrelas. Ser como as estrelas...
- Persistente e memorável - disse ele, olhando para ela. - Boa colocação.
- Obrigada.
E assim os dois seguiram, hora falando de alguma pessoa na rua, hora imaginando possibilidades além. Ela enrolando uma mecha de cabelo e ele com as mãos nos bolsos. Um ao lado do outro, sem mais.

Texto imaginado na saída da academia, cerca de três horas atrás, inspirado pelas ruas escuras da cidade. E também pelo fato de que as estrelas me fascinam. E também pela música Dark Days, by The Used.

MERCHAN!
Visitem www.brainofchampolas.blogspot.com.
Blogueiro de primeira viagem xD amigo meu, cara que tem futuro /o/

Uma recomendação: usem Winamp. Faz uma diferença enorme. LOL



"quero que você seja a pessoa mais feliz do mundo, assim como eu, quando estou ao seu lado."

sábado, 22 de agosto de 2009

Via Láctea.

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".


Olavo Bilac

Um poema parnasiano de uma aleatória aula de português que veio a encaixar perfeitamente às minhas últimas noites, nas quais eu me ajoelho na cama e fico olhando pela janela. E antes de ontem, o céu estava pintado de estrelas. Se elas pudessem me ouvir, ficariam espantadas com meus segredos, desejos e audácias. É claro, certas coisas só contamos às estrelas, e certas coisas só somos capazes de fazer e pensar quando estamos sozinhos, tal que na situação real, nada do que planejamos acontece. Eu particularmente tenho uma certa dificuldade em arriscar-me, e tal dificuldade parece estar sendo vencida. Porém, há uma batalha que eu estabeleci à mim mesma, e tal batalha não será esquecida enquanto não for vencida. EU daria tudo para vencer a batalha. Tudo. Já escrevi sobre ela, mas nunca usei o termo "batalha". Afinal, o termo só se encaixa no que estou tentando dizer neste texto, então não haveria razão para ter sido usado nos textos anteriores. O fato é: já falei disso antes e volto a falar. Por quê? Porque afinal de contas eu não superei, eu não esqueci. Ainda vivo daquele passado, e se eu pudesse, queria que aquele passado fosse meu presente, agora mesmo, nem que por poucos momentos. Afinal, aquele passado é feito de poucos momentos. Poucos TRÊS momentos, para ser mais exata. Talvez eu esteja querendo isso por motivos outros, motivos que eu desconheço, mas que meu inconsciente quer me fazer tomar consciência. É tudo culpa do subconsciente, a parte de mim que possui toda a audácia e poder para arriscar-se que falta no consciente. E esse subconsciente quer dar ouvidos ao inconsciente, mas o consciente não deixa. Eu queria poder ter feito o que não fiz quando tive um impulso e não o obedeci. Mas o que passou, passou, e não vai mais voltar. O que me resta agora, é encontrar um bom impulso daqueles, e me jogar ao risco, à chance e à oportunidade, pelo bem do meu inconsciente, subconsciente e consciente. Pelo bem de quem eu sou, pelo bem de quem eu quero ser, pelo bem de quem eu fui.

Depois de tudo isso dito, eu chego à mesma conclusão a qual já havia chegado antes de procurar o poema, colá-lo aqui e começar o texto:

Velho, preciso desesperadamente ir numa festa, ou num show.
Sair com a galera, relembrar aqueles três momentos, mas relembrar por bem.
Curtir, pular, gritar, beber, rir, e demais verbos.
Desesperadamente, eu repito.



Um viva pelos desabafos de uma tarde de sábado.
trilha sonora ♪ "se eu digo venha, você traz a lenha, pro meu fogo acender" - Zeca Baleiro

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cheiro de cloro.

É simplesmente o melhor cheiro do mundo. Já fazia um ano que eu não sentia o cheiro do cloro, a água quente, os azulejos lisos. Estou fora de forma, mas voltar a nadar me faz um bem tão grande que poderia ser comparado à um viciado quando cheira sua cocaína. Comparaçãozinha ruim, eu sei. Mas só entrar na água, fazer uma série de nado livre, ah, foi como... como mandar um alcoólico ir comprar pinga. Outra comparaçãozinha ruim. Ok, então pense em alguma coisa que te satisfaz mais do que tudo, que te faz sorrir para o vazio, que te faz respirar mais fundo e esquecer tudo que lhe aflige, afligiu ou afligirá. Convenhamos, eu admito: natação é a minha droga favorita. Tira o peso dos meus ombros, me faz respirar mais leve. Talvez seja meu esporte favorito por tratar-se de algo individual, no qual você não depende de ninguém além de si mesmo. Você e a água, a água e você. Mexe com todo o seu corpo, dos seus olhos até a ponta dos dedos do pé. Sei que não sou só eu que sinto assim. Mas enfim, só eu devo gostar do cheiro do cloro desse jeito. É bom demais. It's my personal drug. E agora que eu senti o cheiro do cloro de novo, eu não quero mais ficar longe. "O cloro é meu perfume", como disse um certo Anônimo. Ou como disse um outro anônimo: "H2O: duas porções de coração (H = heart) e uma porção de obsessão (O = obssession)". Tudo isso resume-se no seguinte fato: vivo e respiro cloro. Quer dizer, natação.

Trilha sonora ♪
"Seijaku wo ima buchikowasu yaketsuku honnou no SERENAADE
Ichido de ii kara tsutaetai bokutachi ga WINDER
Kizutsuite mo kamawanai kiseki wo KIMI ga kureta kara
Sono te no naka no mirai ga kagayakidasu yo
Arisou de nai "jibun-rashiisa" ni koe mo dasezu mogaku no nara
Shi-no-go-no iu katte na ashita ni
Sagasete mita yo KOKORO NO RIARU
BOKU WA KOKO NI IRU."

- Winder ~ Boku Wa Koko Ni Iru ~ (Shounen Kamikaze) | tradução não encontrada.
Vídeo da música lá no fim do post ;D

Frase famosa!

"Bons atletas praticam bons esportes, mas somente os melhores praticam natação."
- não sei de quem é, mas achei por toda parte.



S.P.Y. - Swimming Paradise e Youkoso! Traduzindo: Bem-vindo ao paraíso da natação!
~ um mangá shoujo que é a coisa mais fofa, tematizado por natação ;D


WINDER ~Boku wa Koko ni iru~
Enviado por vandeth. - Ver os últimos vídeos de musica em destaque


Por hoje é só ;D
beijos amores:*

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Noite mal-sonhada.

Já passava da meia-noite quando eu li a última linha de meu exemplar já amarelado de Dom Casmurro e fechei os olhos para dormir. Dormi? Não. Levantei, mudei o espelho de lugar, porque por incrível que pareça, eu tenho medo de espelhos, no escuro, particularmente. Olhei para a janela fechada e a cortina torta. Subi na cama, arrumei a cortina, me ajoelhei e enfiei a cabeça janela afora (depois de abrir a janela, claro) e fiquei olhando para o vazio da madrugada. Voltei, ajeitei a cortina e fechei os olhos para dormir. Dormi? Não. Levantei, fui até a sala, procurei um livro, revi algumas fotos, arrumei a mochila. Voltei ao quarto, comecei a pensar em que roupa usaria para o colégio, e em como arrumaria o cabelo. As coisas não aconteceram nessa ordem, tampouco foram estas as coisas que me inspiraram a escrever sobre a noite. Venhamos aos fatos: eu estava decidida, depois confusa, depois decidida novamente. Eu sabia que não iria conseguir dormir enquanto não me resolvesse. O que me afligia não vem ao caso, era só mais um "x" de mais uma questão. Perto das duas horas, eu havia feito as pazes comigo mesma, lembrando que eu teria de acordar às seis e meia, e calculando as quatro horas de sono que teria. Então, tal que nem o "x", nem a questão me incomodavam, fechei os olhos para dormir. Dormi? Sim. Um sono leve, quase consciente, por assim dizer. Agora vem a parte que importa da noite. Estava eu num mundo diferente, pós-apocalíptico, desfigurado, mas nem tanto, psicodélico, mas não ao extremo da loucura. Havia uma janela enorme, numa sala ampla e bem-iluminada, ao que parecia ser algum andar alto de um prédio, com a vista para o interior da quadra, e para uma esquina além. As situações passavam como flashes. Num minuto era uma reunião política, depois uma discussão sobre estratégias militares. Ou ao menos foi assim que as coisas me pareceram. Não lembro dos diálogos, mas os diálogos deixaram de ser importantes quando o sonho chegou à sua terceira parte, ou pelo menos eu julgava-a terceira. Ah, foi somente por causa dessa terceira parte que a minha noite foi tão "mal-sonhada". O ambiente agora estava escuro, com luzes entrando pela enorme janela. Não houve diálogo, mas uma sequência se olhares. Olhares sobre olhares. Se houve diálogo, foi totalmente ignorado pela minha pessoa. Não vou mentir, há uma sensação de algo transgredido. Transgredido, essa é a palavra. Procurei por ela o dia inteiro, desde a primeira aula de química da manhã, na qual comecei esse texto na última folha do caderno. É o tipo de situação que eu não quero esquecer, e por isso hei de escrevê-la a mão e guardar junto às cartas e anotações, os segredos e confissões de uma adolescente. Havia algo que me lembra transgressão naqueles olhares, junto a um desejo, uma audácia, algo dessa classe. E tão logo os olhares se transformaram em toque, o despertador tocou e eu abri os olhos para o quarto claro, pois eu havia deixado metade da cortina aberta. Li em algum lugar sobre o fato de que quando acordamos despertados por algo, e não espontaneamente, não nos lembramos dos sonhos. Mas quem sabe, por eu ter dormido tão bem nessas férias, ter dormido pouco nesta noite não me afetou, tal que quando abri os olhos e desliguei o despertador, a última cena do sonho estava gravada na frente dos meus olhos. Só faltava um bilhete dizendo: "É, você sonhou exatamente isso". Fazia alguns dias desde o último sonho que ficou tão nítido em mim quanto esse. O dia inteiro, todos os segundos de todos os minutos de todas as horas, eu lembrava do sonho, da cena, daquela terceira ou final cena. Queria continuar o sonho. Queria ver até onde ia aquela sensação de transgressão acompanhada à de audácia ou algo dessa classe. Quis com todas as forças fechar os olhos e voltar ao meu pseudo-mundo pós-apocalíptico, naquela sala, com aquela iluminação pela metade, e ficar lá, para sempre e todo o sempre. Mergulhar em sonho, viver de sonho. Entendam que minha noite só foi mal-sonhada por causa dessa minha vontade incontrolavelmente controlada de querer voltar ao sonho e não poder. Pois pelo sonho, foi uma das mais bem-sonhadas. Não sei, já devo ter desejado isso alguma vez, mesmo que não me lembre agora. Provavelmente eu esquecerei o sonho e quando acontecer algo parecido novamente, não vou lembrar de ter querido voltar a um sonho tanto quanto agora. É uma das pequenas coisas do tempo, que nos faz esquecer. Por isso mesmo eu escrevo e guardo, para lembrar e sentir de novo, talvez com uma intensidade menor, toda essa transgressão, essa audácia, essa classe de sensações. Talvez o "quê" do meu sonho seja o fato de que um dia ele foi verdade, ou quase verdade. Ao menos a sensação era verdade. Não a transgressão, somente a audácia. E por eu estar naquela situação decidida, confusa e decidida de novo, eu me sinto uma verdadeira transgressora por desejar essa audácia. Não vou negar a realidade, sinto e admito. Essa é mais uma das pequenas coisas da vida. E agora mesmo eu dou tudo para ter mais uma noite tão mal-sonhada quanto essa.

Trilha sonora ♪
"Todo perdedor pode ganhar,
quando ele desejar, tudo que ele deve fazer
é te deixar para baixo, te deixar para baixo."

- Loser (Cute Is What We Aim For)

"É assim que vamos saber
Isso não é um teste, oh não
Isso é uma parada cardíaca
De um mundo muito orgulhoso para admitir nossos erros
Estamos batendo contra o chão enquanto tudo desmorona"

- Collapse (Rise Against)

Frase famosa!

"Em minhas memórias, quem eu debilmente vejo... É você." - retirado de uma comunidade @ orkut.



beijos galera:*

domingo, 16 de agosto de 2009

Eis o "x" da questão.

"Hoje cedo acordei, mas sei lá".

Uma frase de uma música sertaneja nunca teve um impacto tão grande em mim. O resto da música não importa, foi só essa frase, que falou diretamente ao meu "eu" que precisava ouvir algo. E agora, depois de ler boas páginas de Machado de Assis e ouvir uma ou duas músicas com boas guitarras, eu continuo presa à afirmação:

Hoje cedo acordei, mas sei lá.

Afinal de contas, hoje é domingo. O definitivo e derradeiro último domingo das minhas férias prolongadas. Prolongadas duas vezes. E amanhã, lá estarei eu, na mesma sala, do mesmo colégio, numa carteira atrás da mesma amiga, ao lado da outra mesma amiga, e ao lado do mesmo garoto. Estranho é que eu não consigo dizer "ao lado do mesmo amigo". Ele não é um amigo. MAS essa não é a questão. A questão é que, é meu último e derradeiro dia como uma estudante de férias. E sabe o que mais? Eu não fiz absolutamente NADA do que eu estipulei que faria na primeira semana. É... Virei os dias no maior dos ócios, ficando até tarde no msn, rindo, indo ao cinema, indo na sorveteria, rindo mais um pouco, contando causos, vendo filmes, lendo mangás e mais mangás. Não li um único livro por inteiro, tal que só fui pegar um Machado de Assis nessa última semana. Não editei todos os mangás que queria editar, não escrevi tudo que tinha por escrever, não vim postar aqui o tanto quanto queria. Perdi tempo. E não recupero o tempo perdido em vão. Por essas e outras, eu acordei na maior das indiferenças hoje. Amanhã é segunda. Amanhã tem aula de espanhol, a aula que eu queria poder evitar. Não é por causa da aula em si, mas é espanhol... Ah, não vou demorar-me a explicar. Amanhã é dia dezessete de agosto do ano de dois mil e nove. Mais uma segunda-feira, mais uma manhã de aulas, e uma tarde num laboratório entre computadores desmontados e gabinetes antigos, mais uma noite num curso de psicologia. Mais um dia. Mas AGORA eu vou fazer tudo que não fiz? Eis o problema. Eu vou acabar achando que não tenho tempo, e tal e coisa, coisa e tal. E vou acordar todos os dias lembrando de tudo que não fiz e deveria fazer. Acordar todos os dias indiferente, "sei lá". Eis o "x". Como diria Machado de Assis: "decifra-me ou devoro-te". E o tal "x" dessa questão, eu não decifrarei tão cedo.

Hoje cedo acordei, mas sei lá.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O garoto da porta ao lado.

Marina e seu guarda-chuva prateado me abandonaram a uma esquina de casa. Todos os dias era assim, mas quando há uma variável chamada "chuva" dentro da equação, as coisas mudam. Eu não seria o tipo de amiga que pediria para a outra me acompanhar até em casa por causa de uma chuvinha, e naquele final de tarde não seria tão mal, já que eu mal sentia a chuva tocar meu corpo. Cheguei, tirei a chave do bolso e a enfiei na fechadura da porta de vidro. O prédio era tão frio em seu interior, que talvez fosse mais agradável ficar na chuva. Andei devagar até o elevador, parando para avaliar a situação de meu cabelo, e enquanto esperava, ouvi o som típico da porta de vidro se fechando. Não me virei para ver quem era. Até hoje eu acho que a melhor coisa que eu fiz foi não olhar, mas só Deus sabe o que teria acontecido se eu tivesse me virado e olhado para trás alguns segundos antes de um rapaz de camiseta verde e jaqueta preta surgir ao meu lado, ao mesmo tempo que o elevador chegou e as portas se abriram. Eu entrei, indiferente à tudo, e principalmente à ele, apertei o botão do quinto andar e encostei-me no fundo do elevador. Ele adiantou-se para apertar um botão também, mas nada fez, e só então eu olhei para ele. E ele olhou para mim, os olhos castanhos fitando os meus verde-acastanhados.
- Eu não conheço você - eu disse, sentindo a face esquentar. Foi como se meu subsconsciente falasse por mim. Ele riu.
- Acabo de chegar a prédio - respondeu ele, estendendo a mão. - Meu nome é Ícaro.
- Lisa - eu levantei a mão e acenei. Afinal, eu estava encharcada, e ele, impecavelmente seco. - Acho melhor não...
Ele sorriu, e eu também, ao ver uma pessoa reagir de uma forma tão gentil à minha afirmação, que poderia ser entendida como grosseria. Talvez fosse essa certa indiferença que eu sentia para com o mundo, ou então a sensação que me fazia ver o mundo tão cinza, mas algo me fez perceber algo a mais no simples sorriso dele. - Mudou-se para o quinto andar também, então?
- É... 507 - disse ele. O elevador havia acabado de passar pelo terceiro andar. - Você não está com frio?
- Não, não tomei tanta chuva assim - por mais que eu dissesse isso, minhas roupas e meu cabelo não me deixavam mentir. Algo dentro de mim queria manter a conversa, mas as palavras faltavam - Mas você é novo na cidade também?
- Não, não. É que eu precisava me mudar para algum lugar mais perto da faculdade, então vim para cá.
- Você mora sozinho? - de novo, meu subsconsciente falou por mim. Logo após a interrogação, eu quis apagar a pergunta. Que petulância a minha, sair questionando o coitado.
- Agora sim - ele respondia ainda sorrindo. Agora eu tinha me convencido de que já tinha feito perguntas demais, mas ele parecia não se importar. - E você, faz faculdade?
Eu sorri um sorriso torto, colocando uma mecha de cabelo por trás da orelha. Já perdi a conta de quantas pessoas me perguntaram isso. Todos me julgavam pelo menos quatro anos mais velha do que sou, e isso, por mais que pareça interessante, está longe de ser um ponto positivo para mim.
- Não... Estou no segundo ano...
- Mesmo? - ele soou tão surpreso quanto metade das pessoas que haviam duvidado da minha idade antes dele. - Não parece...
- Ah, se eu ganhasse uma moeda por cada um que me diz isso... - eu suspirei, ele riu, o elevador chegou ao quinto andar, as portas se abriram, ele saiu dando um passo à direita. Tudo isso pareceu ter acontecido numa fração de segundo, e só então minha mente computou uma informação que havia sido ignorada. O som da voz dele dizendo "507" ecoou no fundo de minha consciência.
- Hei, em que apartamento você mora? - perguntou ele, virando-se e seguindo à direita, enquanto eu saía do elevador e dobrava também à direita.
- 505... - respondi com a voz fraca. Ele continuava sorrindo, e disse algo como "ah, que bom", mas foi num tom baixo demais para que eu ouvisse, e eu simplesmente fingi não ter ouvido nada. Eu parei no meio do corredor, em frente à porta de casa, enquanto ele continuou até uma porta mais além, próxima ao final do corredor, acenando e se despedindo antes de colocar a chave na fechadura. Eu coloquei a mão na maçaneta da porta, mas não entrei em casa. Fiquei observando ele sumir pela porta, esperando o som da chave girando, olhando fixa para a parede. A chave que eu segurava na mão caiu no chão, o celular pareceu ter vibrado dentro do bolso da calça, e o mundo recuperou sua cor. Os apartamentos ímpares ficavam de um lado, e os pares do outro, e um andar possuía exatamente oito apartamentos. Resumo da ópera: aquele rapaz, com seu sorriso tão gentil, sua camiseta verde, voz aveludade e olhos castanhos profundos acabara de se tornar... O garoto da porta ao lado.


ouvindo ♪ "I am not kissing you goodbye, on my own" - The Used

domingo, 9 de agosto de 2009

Pizza Wars: Neo Attacks

Introduction: Erick estava morrendo de fome, indo em direção à luz no fim do túnel. A última alternativa era usar "aquilo", mas Júlia havia deixado sua zanpakutou em casa e Hisoka estava sem chakra. E agora, o que eles farão?

Gilberto - Hisoka diz:
resume game
>>Erick Beer~~ diz:
*chegando na luz...*
Gilberto - Hisoka diz:
talvez tudo isso tenha sido plano de alguém....
fizeram vc esquecer sua zampakutou
me sabotaram
e botaram pressa no erick
além de fome

Júlia • omg. diz:
deve ser tudo culpa do Neo.
>>Erick Beer~~ diz:
arrggghhh... não dá mais pra adiar
Gilberto - Hisoka diz:
bem q estranhei ele tentando me ajudar hoje
Júlia • omg. diz:
aquele maldito.
>>Erick Beer~~ diz:
adeus, meus amigos...
Gilberto - Hisoka diz:
vou ter q quebrar o selo secreto e congelar o tempo
Júlia • omg. diz:
NÃO, DK, NÃO.
Gilberto - Hisoka diz:
(quebrado)
>>Erick Beer~~ diz:
*paralizado a apenas 2 segundos da luz...*
Júlia • omg. diz:
Bakudou no 81: Danku!
*surge uma barreira entre DK e a luz*
Gilberto - Hisoka diz:
mesmo com o tempo parada não se pode impedir a morte..... tome ju... meu Magenkyou Sharingan.....
Júlia • omg. diz:
não Gil, não se sacrifique assim, ainda tenho reiatsu suficiente para prender o DK
>>Erick Beer~~ diz:
o selo.... grrrhh... nã.... não vai ag... aguentar
Júlia • omg. diz:
e impedi-lo de prosseguir
Bakudou no 99 - KIN!
Bankin!
Bankin Taihou!
>>Erick Beer~~ diz:
* a luz se torna um vortex e começa a despedaçar o selo*
Júlia • omg. diz:
*DK é preso ao chão por hastes de ferro do terceiro encantamento do bakudou*
>>Erick Beer~~ diz:
vc não vai conseguir segurar por muito tempo Juh, vá embora
Júlia • omg. diz:
seu ingrato, eu aqui usando até kinjutsu e você me diz isso T_T
>>Erick Beer~~ diz:
logo ficará sem raiatsu, não se sacrifique à toa
Gilberto - Hisoka diz:
entrarei no lugar de erick..... ja perdi tudo nessa vida
Júlia • omg. diz:
eu não posso desistir agora, DK.
Gilberto - Hisoka diz:
deixar separados grande amigos não posso deixar isso acontecer
e não deixarei neo vencer

>>Erick Beer~~ diz:
irmãos Gil, irmãos...
Gilberto - Hisoka diz:
irmãos...... e amigos
Júlia • omg. diz:
Gil, que nobre de sua parte.
>>Erick Beer~~ diz:
espere Gil
tenho um plano

Gilberto - Hisoka diz:
diga a nós erick
Júlia • omg. diz:
explane, DK.
Gilberto - Hisoka diz:
usando seu poder telepatico
>>Erick Beer~~ diz:
eu posso passar parte da minha raiatsu pra Juh e parte do meu chackra para o Gil
Júlia • omg. diz:
uau, vc tem chakra e reiatsu? O_O.
>>Erick Beer~~ diz:
ao fazer isso ficarei inconsciente, mas a Juh poderá segurar mais a barreira e Gil usar seu mangekyou
Gilberto - Hisoka diz:
ele é erick, afinal
Júlia • omg. diz:
tens certeza, DK?
>>Erick Beer~~ diz:
vamos logo, não há muito tempo, não podemos parar para analizar a situação
Gilberto - Hisoka diz:
MS neo não pode barrar........... ainda......
Júlia • omg. diz:
posso reforçar mais um bakudou, nem Neo é capaz de passar por tantas barreiras...espero eu...
>>Erick Beer~~ diz:
deem-me vossas mãos
Gilberto - Hisoka diz:
segure erick!
Júlia • omg. diz:
(Y)
>>Erick Beer~~ diz:
õ/*\õ/*\o *transferindo*
aaaaaaaaaaaaaaarrrrghhhhhhhhhhhhhhhhh
*desmaio*

Gilberto - Hisoka diz:
barreira ju!
Júlia • omg. diz:
Bakudou no 73: Tozansho !!
Gilberto - Hisoka diz:
agora meu MS!
warmhole - um buraco dimensional suga érick q lançando novamente para a vida.... mas quando cai no chão acaba aterrisando de mal jeito e quebra o braço

>>Erick Beer~~ diz:
I'M DEAD
Júlia • omg. diz:
E a Liga da Injustichat vence mais uma vez...
nada que um kidou médico não ajude, DK.

Gilberto - Hisoka diz:
issae
>>Erick Beer~~ diz:
então, mãos a obra DS
meu pescoço está doendo

Júlia • omg. diz:
estranho, kidous médicos não tem encantamento...
*transferindo reiatsu para DK*

Gilberto - Hisoka diz:
mais prático
>>Erick Beer~~ diz:
*curado, me levantando*
*de repente surge uma porta dimensional, então Neo aparece*

Júlia • omg. diz:
*caio de joelhos, consciente, mas muito fraca*
Gilberto - Hisoka diz:
* meus olhos doem e minha visão ainda está um pouco embaçada, mas consigo reconhecer rapidamente Neo*
>>Erick Beer~~ diz:
*Neo lança um golpe em Júlia, eu entro na frente e recebo o golpe, mas consigo levar a Júlia dali*
Gilberto - Hisoka diz:
corra erick... irei segurá-lo aqui o quanto eu conseguir
>>Erick Beer~~ diz:
irei levar a Júlia para um lugar mais afastado e retornarei, acha que consegue enquanto isso?
Gilberto - Hisoka diz:
derei o meu melhor!
agora vá!

Júlia • omg. diz:
*perco a consciência*
>>Erick Beer~~ diz:
*pego a Júlia nos braços e uso minha habilidade dimensional para sair dali (é, também tenho poderes legais. u_u)*
Gilberto - Hisoka diz:
Vou te mandar para o lugar q vc merece Neo.... para o Windows 95
Magenkyou Sharingan!!!!
>>Erick Beer~~ diz:
*enquanto isso em um local afastado do portal surgem Erick e Júlia, eu a coloco deitada no chão e quando me preparava para voltar.... (Juh, diga ou faça algo)
Júlia • omg. diz:
ele... não... pode... vencer *desmaia*
(quer que eu faça o que mais, sem consciência?)

Gilberto - Hisoka diz:
*um calafrio se passa por Hisoka*
>>Erick Beer~~ diz:
*penso comigo mesmo: não se preocupe minha irmã, ele não vai!*
Júlia • omg. diz:
fogo... ele não resiste... ao fogo...
>>Erick Beer~~ diz:
*abro um portal e volto para ajudar Hisoka*
Gilberto - Hisoka diz:
*Neo altera os códigos da Matrix e o MS se torna apenas um sharingan comum*
Neo: eu aprendi a hackear blue ray e iphone...... isso não é nada.... Hisoka

Júlia • omg. diz:
*após DK ter saído, minha reiatsu começa a voltar ao normal*
>>Erick Beer~~ diz:
*eu chego utilizando meu poder e lanço várias bolas de fogo, mas ele defende usando barreiras eletrônicas*
Hisoka...
eu sei que vc entende um pouco de informática, já que foi um prisioneiro da Matrix, vc conseguiria abrir uma brecha no escudo dele para que eu possa atingi-lo?

Gilberto - Hisoka diz:
Usarei o virus omg
provoca falhas de configuração e há uma chance de o escudo ficar sem utilidade contra fogo

>>Erick Beer~~ diz:
tudo bem, irei destraí-lo enquanto isso, me dê um sinal quando o vírus estiver pronto
Júlia • omg. diz:
*me recupero aos poucos, e tento entender aonde estou*
>>Erick Beer~~ diz:
*parto para cima do Neo*
uso ataques de todos os elementos, mas ele continua a defender
estática, é isso!

Júlia • omg. diz:
*ouço sons estranhos e então enxergo Hisoka, DK e Neo ao longe*
Gilberto - Hisoka diz:
*é só carregar o meu pen drive na entrada usb de Neo.... finalmente vejo uma abertura*
>>Erick Beer~~ diz:
qualquer produto eletrônico não resiste a eletricidade estática
vá agora Hisoka, aproveite enquanto eu ainda consigo mantê-lo ocupado com meu ataque de estática
Júlia • omg. diz:
Hadou no 11: Tsuzuri Raiden *uma corrente elétrica percorre o chão até Neo, o distraindo*
Gilberto - Hisoka diz:
conectado.... carregando virus.....
Júlia • omg. diz:
*a barreira eletrônica de Neo vai se desfazendo*
>>Erick Beer~~ diz:
*barreira falhando*
Gilberto - Hisoka diz:
é a hora erick!
Júlia • omg. diz:
Agora, DK!
>>Erick Beer~~ diz:
RÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁA..... Kameeee-hameeeeeeee-fireeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
Júlia • omg. diz:
*Neo é atingido e começa a se contorcer entre as chamas*
>>Erick Beer~~ diz:
Gil, aproveite que seu MS foi liberado, dê o golpe final
Júlia • omg. diz:
Use o Housenka no Jutsu.
Gilberto - Hisoka diz:
Vá de uma vez pra o windows 95 neo! é o seu fim!
MAGENKYOU HOUSENKA NO JUTSU

>>Erick Beer~~ diz:
*Neo é totalmente consumido pelas chamas*
Júlia • omg. diz:
*o portal começa a girar como um buraco negro, as cinzas de Neo são sugadas*
>>Erick Beer~~ diz:
conseguimos, agora vamos para uma pizzaria que não estou aguentando de fome. =]
Júlia • omg. diz:
surge uma mensagem pairando no ar: "WinErr: 001 Windows loaded - System in danger"
Gilberto - Hisoka diz:
pera q vou abrir um portal direto pra lá com meu doujutsu
>>Erick Beer~~ diz:
*enquanto isso na matrix: uma máquina está juntando os restos mortais de neo e irá implantar em um robô*
fim?**

Gilberto - Hisoka diz:
apenas o começo
Júlia • omg. diz:
*uma música começa a tocar e os créditos aparecem*

Conclusion: e é isso que acontece quando três desocupados particularmente criativos se juntam. Surge então uma nova saga...

Pizza Wars
Por um mundo com pizza.
Estrelando: Hisoka, Erick e Juujie.

To be continued...

sábado, 8 de agosto de 2009

Unhas vermelhas.

Não consigo lembrar quando foi a última vez que pintei as unhas de vermelho. Ok, reformulando: não consigo me lembrar da última vez que EU MESMA pintei minhas unhas com tanta precisão quanto hoje. Não há ninguém para ver minha unhas. É tão bom olhar para as minhas unhas vermelhas, sabendo que eu fiz isso só por mim, e por mais ninguém. Eu sei, eu pareço uma louca falando, mas é isso mesmo. Essa felicidade que eu descobri posts atrás continua vibrando dentro de mim. Sinto-me tão bem comigo mesma agora que é quase irreconhecível. E amanhã com certeza, à alguma hora do dia, eu não vou mais estar me sentindo assim. É estranho, sou mais inconstante que as fases da lua, fazer o quê. Me entreguei aos caprichos que eu de certa forma tinha privado a mim mesma. Sempre me preocupo demais com coisas que talvez não mereçam tal atenção, e esses momentos em que eu consigo respirar e olhar para o nada sorrindo, são a melhor coisa que eu tenho. Às vezes acabo pensando "o que eu estou fazendo aqui, eu poderia estar lá, ou acolá, com fulano, ciclana, beltrano"... E nessas mesma vezes, eu me sinto como se estivesse jogando minha vida fora. Mas afinal, o que é viver a vida? É aproveitar o momento, dizer às pessoas que você se importa com elas, sentir-se bem consigo mesmo, fazer o que quer fazer? Questionar isso é o mesmo que questionar de onde viemos, para onde vamos, até onde vai o universo e o que encontramos depois da morte. Talvez não cheguemos sequer a saber, as respostas para nenhum destes questionamentos. É complicado, efêmero. É o tipo de coisa com a qual eu parei de me importar. Para onde vou, de onde vim, o que raios estou fazendo aqui, como morrerei, de que é feito o universo, até onde vai, nada disso me importa mais. Tudo que eu sei é que, se as pessoas procurassem saber como as outras estão e se importassem mais em viver bem consigo mesmas e com os outros, o mundo não seria o que é. Todas as catástrofes, crimes hediondos, corrupções, desigualdades, tudo isso é obra do puro egoísmo e seu parceiro orgulho. São os maiores males da humanidade, suas duas únicas chagas, das quais todas as outras feridas derivam. Tem dias que eu penso sobre o que eu posso fazer pelo mundo, afinal. Porque eu sou uma parte desse egoísmo. Sou tão egoísta que dói. Dói em mim mesma, e eu choro sozinha pensando sobre como reparar a mim mesma. Sempre me dizem "você? Nãão, você não é egoísta!", mas a verdade é que eu sou. Eu posso ser uma grande mentirosa, ser fria, ser uma falsa, ao passo que posso ser uma boa ouvinte, uma conselheira, uma amiga. Às vezes eu não me sinto digna, às vezes eu acho que fiz tudo errado. Já errei, já tropecei, já caí, já levantei quando não tinha mais esperanças, já subi alto. Estou longe de ter visto de tudo. Longe de saber qual meu propósito em existir. E longe de me importar com isso. O que eu sei, e o que eu sinto, é que se eu estou viva, um motivo deve ter. Não quero procurar pela causa desse motivo, nem que motivo é esse. Mas ele existe, e é por causa dele que eu me mantenho aqui, tentando ser aquela amiga, aquela ouvinte, aquela filha, aquela namorada, aquela pessoa. Talvez o mundo seja baseado em tentativas. E se todo mundo tentasse junto, o mundo seria melhor. Talvez, quem sabe, sou só uma garota que acabou de pintar as unhas de vermelho e resolveu falar sobre tudo isso numa madrugada de sábado.

E você, já tentou hoje?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Primeira pessoa.

Chovia. Pelo menos todo mundo disse que estava chovendo. Eu não sentia a chuva. Não sentia nenhuma das pequeninas gotas que caíam sobre mim. A tarde que chegara ao fim parecia ter passado rápido demais. O mundo não parecia girar, as nuvens pareciam estáticas, e as pessoas andavam como se nada estivesse acontecendo ao seu redor. Talvez fosse esse o motivo de eu não sentir a chuva. Meu mundo parecia tão vazio quanto as linhas de um caderno novo. Há tempos eu não me sentia assim.
- Lisa! - alguém gritou. - Mulher, você vai ficar ensopada desse jeito, é uma chuvinha de nada, mas para quem vai voltar a pé para casa, você deveria se importar mais, sabe...
Marina vinha correndo com seu guarda-chuva prateado e sorria, com aquele sorriso de todo dia, aquele sorriso de "eba, finalmente saímos do colégio" ou então "oba, ir para casa assistir TV e comer pipoca!". Aquele sorriso que sempre preenchia um par de linhas do meu mundo vazio.
- Ah, aquela aula de química hoje de manhã foi um saco, não foi? - eu adorava química, adorava o professor de química, adorava fazer contas para descobrir quanta energia uma reação exotérmica causava numa temperatura tal sob a pressão de tantos graus. Não era minha matéria favorita, perdia de longe para as fórmulas de física e os discursos de sociologia.
- É, mas não foi tão ruim assim...
- Você diz isso porque consegue fazer as contas!
Realmente eu conseguia. E realmente não me importava com isso. Era só mais algo para adicionar ao currículo: sei fazer contas com certa facilidade. Ou seria certa indiferença? Não sabia ao certo. Sabia, porém, que eu precisava de algo que abalasse meu mundo, algo que fizesse o lápis tremer quando eu fosse escrever algo nas linhas do caderno vazio. A monotonia do colégio não poderia ser a explicação, afinal, acabamos de voltar às aulas, e metade dos professores resolveram inovar suas didáticas, isso é, tentar fazer os alunos se interessarem mais e mais pelas matérias que cada vez caíam mais e mais baixo no grau de interesse dos alunos. O que estaria faltando? A resposta mais óbvia, mais clara e mais ignorada apareceu como se um piano tivesse caído de um prédio bem na minha frente.
- E o Diogo? - foi a fatal pergunta que fez o piano cair com mais força no chão.
- O que tem ele? - Afinal, é só o Diogo.
- As meninas disseram que vão chamar ele para ir assistir filme na casa da Bel, no sábado... - Marina era minha melhor amiga, e eu sabia dizer quando ela estava sendo sugestiva melhor que qualquer pessoa no mundo.
- Que bom - por mais que eu tentasse soar indiferente, era mais do que lógico que eu não poderia. Assim como eu conhecia Marina melhor que qualquer um, ela me conhecia como a palma de sua mão.
- Lisa, você realmente não sabe disfarçar...
- Não há o que disfarçar - as palavras saíam quase que atiradas para fora da minha boca. Na verdade, havia o que disfarçar.
- Tudo bem, se você quer mentir para si mesma...
Não é uma questão de mentir. É uma questão de esquecer. O Diogo é o Diogo e sempre será o Diogo, nada mais que isso. Mal sabia eu que naquele final de tarde chuvoso, o meu mundo tão vazio quanto as linhas de um caderno novo seria preenchido com rabiscos e esboços. Rabiscos e esboços de uma realidade que eu jamais sonhara, mas que sempre estivera logo ali, esperando que eu abrisse o caderno.

Nova historinha ~ Doodles and Sketches.
Porque YES, I CAN! HAHAHAH. Descobri agora mesmo que consigo escrever em primeira pessoa, então mãos à obra /o/
Inspirada pelas músicas: I'd Lie (
Taylor Swift) e Imagination (Jonezetta)

Sem frases famosas por hoje.
beijos amoures da Jú :*
ouvindo "about a girl with no name" -
Capital Lights

domingo, 2 de agosto de 2009

Pandemia.

colaboradores: o professor de física e a diretora do colégio/coordenadora do curso de administração.

O Governo do Estado do Paraná está tirando os alunos de suas salas de aula e os mandando para casa até o dia dez de agosto do ano de dois mil e nove por causa da tão alarmante gripe A/H1N1 vulgo swine flu vulgo Nova Gripe vulgo gripe suína vulgo "gripe do porquinho". E nas últimas semanas, tudo que eu ouvia quando alguém espirrava era "olha a gripe do porco!". E então eu me deparei com uma realidade que eu de certa forma não chegava a me conformar e também não chegava a admitir: brasileiro não sabe reagir a uma pandemia. E por "brasileiro" eu quero dizer o governo, o sistema de saúde e os cidadãos em geral. Quando a Argentina virou um caos, o Ministério da Saúde garantiu que estávamos preparados para o tal vírus. Agora, já temos mais de 1000 infectados. Na minha pequenina cidade, uma pessoa já morreu. Por essas e outras eu acabei ouvindo o tal comentário quando alguém espirrava. E isso me levou a admitir outro fato: brasileiro AMA senso comum. Espirrou, é gripe. Problema é que, por culpa da mídia e da ineficiente campanha do governo para alertar aos cidadãos sobre os sintomas da gripe, o cidadão não entende que uma das maiores diferenças de uma gripe normal, que chega a matar mais pessoas que a tão temida H1N1, e a Nova Gripe é o fato de que na H1N1 a pessoa tosse muito mais do que espirra.
Ok, agora façamos as contas. A incompetência do governo, somado ao senso comum que predomina por todos os cidadãos, multiplicado por um falta de higiene dos infernos resulta em... ? Medidas para parar as aulas! Ah, podem me dizer que sou nerd, que quero ir para a aula, porque eu quero mesmo. Porque no final do ano quem se ferra sou eu, ao ter que ficar indo para o colégio uma semana a mais, ou quem sabe, ter aulas nos sábados. Legal. Maravilha. Agora me digam: vai adiantar de alguma coisa? NÃO. Se você for pegar gripe, vai pegar porque saiu de casa de regata com um vendaval extremo só porque saiu um pouco de sol à tarde. Vai ser porque andou descalço em casa, porque voltou do shopping de ônibus no meio de tanta gente que pode ou não estar doente, chegou em casa e não lavou as mãos antes de comer. Parece coisa que nossa mãe diz e que nós achamos exagerado, mas é verdade. Aposto que todas as mães brasileiras um dia disseram aos filhos: "não anda descalço em casa, meu filho!" "leve o casaco para não passar frio!". E então aposto eu que a maioria não deu atenção. E aposto ainda que pelos menos metade dessa maioria pegou um resfriado. É a mesma coisa.
Como disse meu professor de física: "Galera, vou ser curto e grosso: brasileiro é porco. Brasileiro não se cuida, não toma as medidas necessárias, e aí tem que fazer coisas assim, como tirar as aulas. E isso não é bom. Eu, pelo menos, vou perder uma semana do meu pagamento". E como disse a diretora/coordenadora citada na primeira linha desse post: "Hoje eu vim oficialmente avisar vocês que por causa de um certo vírus extremamente letal para alunos, as aulas estão suspensas até dia 10, porque até lá o vírus terá ido embora". Claro, porque o vírus está tirando férias em nosso país e vai mudar-se depois do dia 10. Ah, faça-me o favor.