rss
email





twitter
facebook


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Diálogo para quê?

Há situações que dispensam palavras. Um simples suspiro mais longo, um singelo olhar, um breve aceno. Até mesmo a desajeitada ação de deixar cair as chaves da mão antes de abrir a porta. Poderiam ser substituídas por palavras, evidentemente. Mas há certas coisas, que apenas as palavras não dizem. O que realmente "diz" é a forma como se fala, a forma como se traduz o significado do que precisa ser dito. Chega a ser tão relativo quanto o tempo. Um "olá" pode significar um "adeus", dependendo da boca que o pronuncia, ou da mão que o escreve. Perdi algum tempo divagando sobre as palavras enquanto entrava em casa, mal olhando para os lados, passando reto pela porta da cozinha, virando no corredor, entrando no quarto e me encostando na porta depois de fechá-la. Uma sensação estranha me subia pela garganta. Digo estranha pois eu ainda não sei como classificar o que me acometeu. A breve conversa que eu acabara de experimentar fora o bastante para fazer meu coração dar pulos? Que raio de garota emocional eu me tornei? Foram tão poucas palavras, e agora eu extraía delas um significado tão grande que me fazia querer sair saltitando pelo primeiro campo florido que aparecesse na minha frente. O que eu não entendia era essa profundidade absurda que os poucos gestos de momentos antes haviam adquirido, gestos mais breves que as próprias palavras. O celular voltou a vibrar no meu bolso, simplesmente o tirei de lá e arremessei-o sobre a cama. Corri à janela. Na verdade não corri, mas tudo ao meu redor parecia tão suave e efêmero ao meus olhos que eu poderia muito bem ter corrido e não ter percebido. Abri a janela e debrucei-me no batente, a observar a chuva caindo. Sentia-me vulnerável, estupidamente vulnerável. Uma oportunidade parecia dançar em meio às gotas de chuva que caíam, e a vulnerabilidade fez uma parceira com a curiosidade para me fazer querer esticar os braços e sair dançando com a oportunidade. Não importava a chuva, não importavam as palavras. O que importava era só a sensação, o gesto, a ideia. Porque afinal, há situações que dispensam palavras.



Imagens de três mangás shoujo muito lindos.
2º - Suki, Tokoro no Yori Arashi (Parte 3) 

Meu humor está estranho hojem, e aí esses textos em primeira pessoa simplesmente surgem.

 Trilha sonora ♪
"In my darkest hours I could not foresee
That the tide could turn so fast to this degree"

sábado, 24 de outubro de 2009

- Mas que drama.

- Realmente - concordou Code, observando a briga no fim da rua, até que um rapaz resolveu apartá-la, e os jovens se dividiram em dois grupos, cada um saindo para um lado da rua.
- Humanos são estranhos - analisou Lena.
- E nós somos tão estranhos para eles quanto eles para nós - observou Maxwell.
- Na verdade nem tanto - corrigiu Alice. - Eles não dão a miníma se não sabem nossa natureza. Mas quando descobrem...
Code sorriu, encostando-se na van. Lena analisava suas unhas, e Maxwell sondava a rua de esquina à esquina. Alice olhava para o céu azul. Um dia antes, Jeremy havia lhe perguntado se era queria voltar a ser vampira ou se não se importaria de permanecer humana para sempre. Por mais que Jeremy só perguntasse por perguntar, a questão não a abandonou. Ela vivera como uma humana normal por sete anos, mas nada poderia comparar-se à vida de um vampiro puro, a vida que ela um dia experimentara.
- Pensando no quê? - perguntou Code. Alice virou-se abruptamente para ele, encontrando os olhos cereja do rapaz olhando para ela com uma expressão calma.
- Ah... Na... Nada - gaguejou ela. "Que sentimento é esse?", pensou ela. Uma força parecia comprimir seu coração. Ela não sabia dizer se era porque uma decisão precisava ser tomada logo, ou se era apenas por causa do olhar de Code. Ela imaginava que ele tinha um poder quase anestésico quando olhava para ela. "Talvez seja porque a magia elemental dele é o gelo", imaginou ela, num ímpeto de inocência.
- Você sabe que tudo dará certo, não sabe? - perguntou ele, virando-se de frente para ela. - Talvez medidas dramáticas não sejam necessárias.
- Eu imagino o que acontecerá se as medidas forem realmente dramáticas - disse ela. O sorriso de Code minguou, e ele levou a mão aos cabelos.
- Ah, ser humana por tanto tempo pode ter te afetado.
- O que você quer dizer? - exaltou-se Alice, levantando as sobrancelhas.
- Você não sabe o que escolher agora. Se nunca tivesse vivenciado as opções, não seria difícil de escolher. Seria como decidir entre uma bebida que você conheça e uma que você jamais tenha provado. Mas agora que você já provou das duas bebidas, não sabe qual escolher.
- Não precisa me contar isso - murmurou ela, baixando a cabeça. Code adquiriu uma expressão levemente assustada, como se tivesse feito algo muito errado.
- O que eu quero dizer é... - começou ele, procurando as palavras. Alice levantou os olhos para ele, e uma nova sensação a acometeu quando a ideia de que Code era realmente bonito surgiu em sua mente. O rapaz olhou para os olhos dela, e então as palavras apareceram. - Não importa qual bebida você acabar escolhendo, isso não vai mudar o que eu sinto por você.
"O que eu sinto". As palavras ecoaram na mente de Alice. Agora a decisão parecia ficar um pouco mais difícil, por mais que a ideia de ter Code apoiando-a, indiferente de qual fosse a decisão, a fizesse sentir melhor.
- Mesmo se eu fizer um drama? - perguntou ela, puxando ele pela camiseta.
- Mesmo se você fizer um drama - ele sorriu, e então a abraçou.

"Code, nunca me deixe".

A ideia do texto surgiu no meio de uma conversa no msn, e acabou ficando melhor que a encomenda!
A trilha sonora de hoje fica por conta de um vídeo, feito com cenas de Vampire Knight.


Beijos leitores meus.

- Lute comigo.

- Quê? - Lena encarava Jeremy com uma expressão perplexa. - Eu, lutar com você?
- É, foi exatamente isso que eu disse.
Code olhou para Alice, que recorreu à Matt, que olhava de Lena para Maxwell, e então pousou o olhar sobre Ella, como se perguntasse o que estava acontecendo. Ella, por sua vez, apenas balançou a cabeça. Maxwell e Seth entraram pela porta a tempo de presenciar a discussão.
- Eu não posso lutar contra você - concluiu Lena.
- E por que não pode?
- Você é meu aliado, isso vai contra meus princípios.
- Princípios, claro... - murmurou Code, enquanto Maxwell sentava-se ao seu lado para tentar entender o que estava acontecendo.
- E você fique quieto, congeladinho.
Matt riu brevemente e Code fechou a cara. Alice desencostou-se da cadeira alta e apoiou o rosto nas mãos, uma expressão que beirava o fascínio no rosto, observando os olhos de Jeremy. "Ele fica mais ousado e seus olhos mais brilhantes a cada dia", pensou ela.
- Achei que você era o tipo que apoiava treinamentos - argumentou Jeremy. - Matt já me treinou, Alice fez o que pôde para me ensinar um pouco sobre magia em lutas corpo a corpo, Code e Dean já lutaram comigo, mas lutar com uma vampira cujo poder elemental é o vento seria um verdadeiro desafio, talvez a minha maior provação.
- Errado - uma voz ecoou pela sala, e todos os rostos presentes viraram-se para observar. Uma brisa leve entrava pela porta de vidro entreaberta. Ella estava sentada com as mãos agarrando o assento da cadeira, a cabeça baixa, mordendo o lábio. Talvez seus olhos mostrassem raiva, ou então insegurança, era impossível dizer uma vez que os olhos dela sempre estavam envoltos por bandagens. - Sua maior provação é vencer a si mesmo.
O fascínio nos olhos de Alice intensificou-se ao ouvir as palavras de Ella. "Ela fala pouco, mas quando fala...", filosofou Matt. Lena deixou cair o queixo, olhando para a irmã, os olhos levemente marejados pelo que poderiam ser lágrimas. Maxwell e Code sorriram.
- Elementar - começou Code. - Apenas um poder que seja equivalente ao seu poderá constituir tal provação. Você pode lutar contra dezenas de magos, exterminar centenas, mas nem o poder de milhares será tão desafiador quanto encarar a si mesmo.
- Vindo de Ella, você poderia admitir isso como um desafio - comentou Alice. - Ela é a mais forte entre nós.
Seth levantou as sobrancelhas, Matt suspirou, como se já soubesse daquilo. Jeremy observava os rostos dos que falavam um por um, pousando o olhar sobre Ella, ainda na mesma posição rígida, agarrada à cadeira. O clima na sala tornou-se mais leve diante da resolução que acabara de ser pronunciada. Jeremy andou até ficar frente à Ella, e apoiou-se com as mãos espalmadas sobre a mesa, olhando para ela com um ar decidido.
- Então você lutará comigo?
- Você é idiota ou o quê? - exclamaram Code, Alice e Maxwell em uníssono, e todos desataram a rir.

Não era esse texto que eu planejava, mas as palavras simplesmente digitaram-se sozinhas.
Ler Fairy Tail deve ter influenciado um pouco, recomendo ^^.

Me empurre do penhasco;
e eu ainda te digo:
- Foda-se, eu adoro voar. 


Beijos e até mais, pessoas.
Merchandise básico:
su-tilmente, blog da minha xará querida :)
Eu e ela somos uma dupla: o Sub & o Consciente, sacam? xD

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sistema de Gráficos (Delphi)


Rá, mais um programa :)
Desta vez é um sistema de gráficos para computar dados sobre a gripe suína (A ideia não foi minha).

Eu havia escrito um texto lindo e magnífico - modéstia à parte - protagonizando Alice e Matt, mas o IE (sim, estou usando IE) deu uma bela travada e eu perdi meu precioso trabalho, porque o Blogger recusou-se a salvar. Imaginem a desgraça.



Dramas à parte, segue o código para o programa:
 

Imagens (os dados utilizados são fictícios):



Por enquanto é isso, mais tarde - ou outro dia - eu volto e posto o texto que o Blogger não quis salvar :<

Frase famosa!
 "É bem melhor pensar sem falar do que falar sem pensar." - Jô Soares

Trilha sonora ♪
"Onde foi que eu errei? 
Batendo de frente com a diferença 
Entre eu e o mundo"
Me vs. The World (Madina Lake)

Beijos, tenham juízo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Volúpia.

Cátia saiu calmamente do vestiário, andando pelo corredor da academia sem olhar para ninguém. Ela se sentia vazia. Vazia como se todas as coisas perdessem sua importância. Como se a vida fosse vã, como se as pessoas não existissem, fossem apenas expressões de existência. Ela mesma não sabia explicar o que sentia. Em frente à academia, Fabrício estava parado, olhando para o letreiro, baixando os olhos apenas quando Cátia apareceu à porta.
- Oi - disse ele. Ela ficou em silêncio, parando por um momento e depois andando devagar até ele. - Tudo bem com você?
- É, estou melhor - respondeu ela. - Amanhã estarei melhor ainda, espero eu.
- Vai sim - garantiu ele, olhando nos olhos dela. A garota olhou para baixo, depois para o fim da rua, e então voltou a olhar para ele.
- Eu não quero ficar sozinha... - disse ela.
- E não está sozinha, você sabe que pode contar com todos nós, não vamos te suportar, estamos todos no mesmo barco, afinal de cont...
- Você não me deixou terminar - disse ela, colocando uma mão sobre a boca dele, ficando na ponta dos pés e dando um curto passo à frente. - Eu não quero ficar sozinha hoje.
Fabrício levantou as sobrancelhas, e numa fração de segundo Cátia estava mais perto do que nunca. Ele fechou os olhos, ao passo que ela colocou uma mão sob seu queixo e a outra aberta em seu peito, beijando-o levemente, como se hesitasse. Ela parou, a boca colada na dele, como se esperasse alguma ação. Fabrício segurou-a pela cintura, puxou-a para mais perto - embora segundos antes ele tivesse imaginado que ela não poderia ficar mais perto - e retribuiu o beijo. Cátia deslizou a mão pelo tórax do rapaz, como quem diz "não me largue". Quantos segundos haviam se passado? Quantos segundos ainda se passariam? Nenhum dos dois sabia, e nenhum dos dois queria saber. Um dia antes eles se sentiam como se estivessem distantes, como se vivessem em mundos diferentes. E ali estavam eles, tão perto que não eram mais corpos distintos, e sim um único, um único mundo.


Escolhi essa imagem porque essa é a única cena que eu realmente gostei no filme Crepúsculo.

Frase: A paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe. (Shakespeare)

Sem trilha sonora, infelizmente. 
Beijos, se cuidem. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"E essa agora?"

Pensava Fabrício. Cátia e Maria Helena puxaram-no até um dos bancos da catedral, e Daniel sentou ao seu lado, com o olhar frio, fixo em algo além. Ele não conseguia pensar em nada. Tudo que estava acontecendo não parecia abalar seu bom senso, mas o deixava inquieto ao mesmo tempo. Por alguns segundos ele se ocupava em pensar quanto tempo estaria perdendo ali na catedral, e logo sua atenção voltava ao casal e ao padre, que se colocavam logo na frente deles. "O que diabos está acontecendo, afinal?", perguntava-se o rapaz.
- Antes de tudo, uma coisa: vocês quatro estudam naquele colégio católico na outra quadra? - perguntou Atos.
- Eu faço cursinho lá - respondeu Fabrício, surpreendendo-se com a naturalidade de sua própria voz. - E antes da faculdade nós quatro estudávamos lá.
- Certo - disse Than. - Então vocês devem conhecer a Bíblia.
Ninguém se prontificou a reagir.
- E já ouviram falar dos quatro cavaleiros do apocalipse também, presumo eu...
- Você pensa que somos idiotas? - perguntou Maria Helena, encarando Than com os olhos afetados.
- De forma alguma - o padre e Than responderam em uníssono, com as risadas de Atos ao fundo.
- Lee, se acalme - recomendou Cátia, segurando a mão da amiga. Maria Helena respirava rápido, apertando a mão de Cátia. - Vamos ouvir, na pior das situações a gente corre.
- Gostei dessa garota - comentou Atos. - Ela é do meu par dessa vez?
- Não, é do meu, junto com o fortinho da marca no queixo - Daniel bufou, e Fabrício não pôde conter um breve e baixo riso. - Pois bem. Vou contar uma história. Não sei se vocês possuem uma crença em algo, mas alguma base religiosa vocês devem ter, fruto do colégio católico e da cultura religiosa que predomina em quase todos os cantos do planeta. Então. Eu e meu irmão Atos aqui, somos, como a mocinha ali disse, a personificação da Morte. Cuidamos do ir e vir das almas, da vida material para a vida extra-corpórea, para uma nova vida, quem sabe. Para o que vocês tendem a denominar Céu e Inferno. Diferente do que a maioria das pessoas acredita, essa história de juízo final não é algo futuro e distante, quando todas as almas serão julgadas e então adentrarão o Reino dos Céus ou padecerão entre as chamas infernais. Cada pessoa passa por seu próprio julgamento, por assim dizer. Tudo que as pessoas fazem na vida é registrado e guardado numa biblioteca. Quando alguém falece, seus registros são analisados e é determinado o que acontecerá à alma. Esse é o nosso trabalho.
Os olhos de Cátia brilhavam, em contraste à aflição que ela apresentava minutos antes. Maria Helena ainda respirava ofegante, mas parecia estar mais apta a ouvir e não apenas a replicar. Na mente de Fabrício, as informações não soavam tão alarmantes quanto ele pensava que soariam. Talvez fossem todos os problemas que o tivessem atingido naquele dia, talvez fosse essa preocupação que o atormentava, alguma coisa o fazia crer que estar ali ouvindo a estranha mulher falar sobre a morte não era algo detestável.
- Evidentemente, apenas dois indivíduos como nós não podem se encarregar de todo o mundo - prosseguiu Atos. - Afinal, é bastante gente. Por isso, a cada geração, quatro pessoas são escolhidas em cada um dos quatro cantos do mundo, para atuarem como mediadores da Morte, os quatro cães infernais, os quatro cavaleiros do apocalipse. Adivinhem só, estas quatro pessoas são vocês - ele fez uma pausa, olhando temporariamente para cada um dos jovens, e então pousando o olhar sobre Cátia, passando a conversar com um tom de voz mais categórico, como se discursasse. - A primeira a entrar foi você. Curiosa e decidida, tende a ser uma boa líder, egoísta, mas não deixa que as outras pessoas percebam seu egoísmo com facilidade, mascarando-se por caridades e gentilezas. Não é por isso que não merece mérito. Sabe persuadir assim como sabe mentir. É amiga de muitos, e muitos a seguem. Seu cavalo é branco, e foi-lhe dada uma coroa. Simboliza a conquista, o anti-Cristo. Você representa o cavaleiro branco, que vai vencendo.
Cátia sentiu uma estranha pressão no peito, Fabrício e Daniel engoliram em seco. Tudo que Atos dizia era verdade, como se ele conhecesse Cátia a anos. Ele então olhou para Fabrício e prosseguiu.
- Protetor, indeciso, preocupado. Problemático, bagunceiro. Por vezes não demonstra piedade alguma por outras pessoas ou causas. Gosta de montar estratégias, e não evita medidas drásticas, tampouco dramas ou intrigas. Seu cavalo é vermelho como o fogo e o sangue, e você carrega uma espada, destinado a trazer a destruição. Simboliza a guerra, o cavaleiro vermelho. - Atos virou-se para Maria Helena, que até então olhava para baixo. - Ah, a mocinha que sabe tudo sobre todas as coisas. Realmente, sua posição é bem condizente com o seu perfil. Sincera, vaidosa, altruísta e alienada. Informada sobre todas as coisas que lhe parecem interessantes, tem vários amigos e inimigos, gosta de tudo que é do bom e do melhor. Não menospreza as outras coisas ou pessoas, porém. Ao menos não publicamente. Cavalga num cavalo negro, e carrega uma balança. Representa a fome, a desigualdade derivada da guerra.
A moça abriu a boca, mas de nada valeria retrucar palavras que eram sinceras. Fabrício fechou a cara, remoendo a descrição que lhe fora dada. Daniel já levantava os olhos ao homem de cabelos prateados, imaginando o que viria para ele, e já tendo conhecimento de qual era seu cavalo.
- Finalmente, o cara com a marca no queixo. Você, garoto, tem as portas do Inferno abrindo-se às suas costas. Forte, popular, falso e por vezes indiferente. Materialista, pode acabar sendo frio demais, ignorando os sentimentos de outrem, às vezes não dando valor às coisas. Seu cavalo é magro, de uma cor baia, como a cor de corpos em decomposição. Simboliza a Morte como um todo, a praga.
O padre respirou fundo, e a catedral mergulhou no silêncio. Cátia e Maria Helena entreolharam-se quando as palavras começaram a fazer sentido. "Tudo aconteceu tão rápido" pensou Daniel, tirando o celular do bolso para checar as horas, agindo com uma leve indiferença à descrição que ouvira. Than e Atos aguardavam por um comentário dos jovens, e o padre fitava Fabrício com um ar de preocupação, ou talvez fosse apenas curiosidade.
- E não temos escolha a não ser trabalhar como ceifeiros para vocês - afirmou Daniel, guardando o celular e encostando-se no banco da catedral, esticando as pernas.
- Na realidade têm - esclareceu Atos. - No momento que vocês saírem por aquela porta, vocês poderão se esquecer de tudo que ouviram aqui e seguir o caminho que estavam seguindo antes de resolverem entrar na catedral, caso recusarem. E vocês não serão ceifeiros. Não estarão tirando vidas. Estarão, apenas, direcionando as almas para seus devidos destinos. Não serão assassinos. Nós somos a Morte, uma entidade divina. Vocês foram escolhidos a partir da providência divina. No entanto, não os privaremos do direito de escolha, se assim fizéssemos, não seríamos justos como justas divindades que somos. A decisão cabe apenas à vocês.
Cátia olhou para Fabrício com um ar de dúvida. Daniel esticou os braços atrás da cabeça, a olhar para o teto da catedral, enquanto Maria Helena permanecia com a cabeça baixa. "E essa agora?" pensou novamente Fabrício.

Este trecho é uma prévia e está sujeito a mudanças. Desculpem-me pela extensão do texto.
Rá, que tal? :D
O layout ficou bom né, não vão mentir para mim!
Sem frases famosas e sem trilha sonora hoje.
Beijos, se cuidem.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Jogo da Velha em Delphi.

Inovando as postagens do ooh-mygod ;D
Estava eu numa bela aula de Delphi, onde nosso primeiros programa para desenvolver foi um belo jogo da velha. Então este post é dedicado ao código e algumas imagens deste projeto que eu desenvolvi.
Enjoy.
Evidentemente, para criar seu próprio jogo, é necessário salvar as imagens no mesmo diretório do projeto, modificar os nomes de certas variáveis, e a execução do projeto requere um pouco de conhecimento sobre linguagem de programação :)

Projeto: Jogo da Velha.
Programa utilizado: CodeGear Delphi 2007
Professor responsável: Alexandre Manoel dos Santos.

Código:

Imagens:


Logo abaixo há uma pequena pesquisa solicitada pelo professor.
Posts um tanto quanto alternativos hoje ;D
Aproveitando a deixa, já inauguro previamente o novo layout do blog, tematizado pela personagem Beast, do mangá Kuroshitsuji. Depois eu faço um post mais aprofundado sobre a questão HAHAH
Porque o tal do layout deveria entrar em vigor apenas mês que vem, talvez ainda passe por modificações e tal... Enfim, talvez fique assim mesmo, até que gostei do estilo :)
Desculpem a minha ausência, tá difícil de conseguir inspiração ultimamente.

Beijos, se cuidem.

Contar um conto.


Um conto, a grosso modo, é uma história que ocorre em poucos cenários. É a forma narrativa, em prosa, de menor extensão (no sentido estrito de tamanho). Entre suas principais características, estão a concisão, a precisão, a densidade, a unidade de efeito ou impressão total – da qual falava Poe (1809-1849) e Tchekhov (1860-1904): o conto precisa causar um efeito singular no leitor; muita excitação e emotividade. Ao escritor de contos dá-se o nome de contista. O enredo de um conto é mais estreito que de um romance. Afinal, um romance envolve vários cenários, várias condições para desenvolver a trama. Um conto é mais curto, mais direto. É apresentada uma situação, o problema da situação, a solução e uma moral, tudo isso numa narrativa não muito extensa. Por esse mesmo motivo, um conto precisa prender o leitor e causar um impacto diferente do impacto apresentado por um romance.

Origem dos Contos
De o livro do mágico (cerca de 4000 a.C.), escrito pelos egípcios, até a Bíblia encontram-se textos com estrutura de conto. No entanto, a autoria deles foi perdida. O primeiro grande contista da História é tido como Luciano de Samosata (125-192). São da mesma época Lucius Apuleius (125-180) e Caio Petrônio. Do século XIV ao XIX Giovanni Boccaccio (1313-1375), em sua obra Decameron, estabeleceu as bases do que se entende por conto. A época é marcada por contistas célebres, como Geoffrey Chaucer (que publica os Os Contos de Canterbury), Jean de La Fontaine (autor de vários contos infantis, como A cigarra e a formiga) e Charles Perrault, de O Soldadinho de Chumbo. No século XIX, destacam-se Honoré de Balzac, Leo Tolstoy, Guy de Maupassant e Mary Shelley. Na Alemanha, os irmãos Grimm publicam dezenas de contos infantis (muitos recontados dos originais de Perrault), incluindo Branca de Neve e Capuchinho Vermelho (português europeu) ou Chapeuzinho Vermelho (português brasileiro), enquanto Washington Irving estabelece-se como o primeiro contista estadunidense relevante.

Conteúdo e forma
Forma: expressão ou linguagem mais os elementos concretos e estruturados, como as palavras e as frases. Conteúdo: é imaterial (fixado e carregado pela forma); são as personagens, suas ações, a história. Há contos de Machado de Assis, de Katherine Mansfield, de José J. Veiga, de Tchecov, de Clarice Lispector, por exemplo, que não são "contáveis", não há "nada" acontecendo. O essencial está no "ar", na atmosfera, na forma de narrar, no "estilo". No livro "Que é a literatura?" de Jean-Paul Sartre diz que “ninguém é escritor por haver decidido dizer certas coisas, mas por haver decidido dizê-las de determinado modo. E o 'estilo', decerto, é o que determina o valor da prosa”.

Necessidades básicas
O conto necessita de tensão, ritmo, o imprevisto dentro dos parâmetros previstos, unidade, compactação, concisão, conflito, início, meio e fim; o passado e o futuro têm significado menor. O "flashback" pode acontecer, mas só se absolutamente necessário, mesmo assim da forma mais curta possível.

Final enigmático
O final enigmático prevaleceu até Maupassant (fim do século XIX) e era muito importante, pois trazia o desenlace surpreendente (o fechamento com “chave de ouro”, como se dizia). Hoje em dia tem pouca importância; alguns críticos e escritores acham-no perfeitamente dispensável, sinônimo de anacronismo. Mesmo assim não há como negar que o final no conto é sempre mais carregado de tensão do que no romance ou na novela e que um bom final é fundamental no gênero. “Eu diria que o que opera no conto desde o começo é a noção de fim. Tudo chama, tudo convoca a um final” (Antonio Skármeta, Assim se escreve um conto). Neste gênero, como afirmou Tchecov, é melhor não dizer o suficiente do que dizer demais. Para não dizer demais é melhor, então, "sugerir" como se tivesse de haver um certo "silêncio" entremeando o texto, sustentando a intriga, mantendo a tensão. Ricardo Piglia, comentando alguns contos de Hemingway (1898-1961), diz que o mais importante nunca se conta: “O conto se constrói para fazer aparecer artificialmente algo que estava oculto. Reproduz a busca sempre renovada de uma experiência única que nos permite ver, sob a superfície opaca da vida, uma verdade secreta” (O laboratório do escritor). Piglia diz que conta uma história como se tivesse contando outra. Como se o escritor estivesse narrando uma história "visível", disfarçando, escondendo uma história secreta. “Narrar é como jogar pôquer: todo segredo consiste em fingir que se mente quando se está dizendo a verdade.”

Diálogos
Os diálogos são de suma importância; sem eles não há discórdia, conflito, fundamentais ao gênero. A melhor forma de se informar é através dos diálogos; mesmo no conto em que o ingrediente narrativo seja importante. “A função do diálogo é expor.”, disse Henry James. Em alguns escritores o diálogo é uma ferramenta absolutamente indispensável. Caio Porfírio Carneiro, por exemplo, chega ao ponto de escrever contos compostos apenas por diálogos, sem que, em nenhum instante, apareça um narrador. Em 172 páginas de Trapiá, um clássico da década de 60, há apenas seis páginas sem diálogos. Vejamos os tipos de diálogos:
1.Direto: (discurso direto) as personagens conversam entre si; usam-se os travessões. Além de ser o mais conhecido é, também, predominante no conto.
2.Indireto: (discurso indireto) quando o escritor resume a fala da personagem em forma narrativa, sem destacá-la. Vamos dizer que a personagem conta como aconteceu o diálogo, quase que reproduzindo-o. Essas duas primeiras formas podem ser observadas no conto "A Missa do Galo", Machado de Assis.
3.Indireto livre (discurso indireto livre) é a fusão entre autor e personagem (primeira e terceira pessoa da narrativa); o narrador narra, mas no meio da narrativa surgem diálogos indiretos da personagem como que complementando o que disse o narrador.
4.Monólogo interior (ou fluxo de consciência) é o que se passa “dentro” do mundo psíquico da personagem; “falando” consigo mesma; veja algumas passagens de Perto do coração selvagem, de Clarice Lispector. O livro A canção dos loureiros (1887), de Édouard Dujardin é o precursor moderno deste tipo de discurso da personagem. O Lazarillo de Tormes, de autor desconhecido, é considerado o verdadeiro precursor deste tipo de discurso.

Focos narrativos
1.Primeira pessoa: Personagem principal conta sua história; este narrador limita-se ao saber de si próprio, fala de sua própria vivência. Esta é uma narrativa típica do romance epistolar (século XVIII).
2.Terceira pessoa: O texto é narrado em 3ª pessoa e neste caso podemos ter:
A) Narrador observador: o narrador limita-se a descrever o que está acontecendo, “falando” do exterior, não nos colocando dentro da cabeça da personagem; assim não sabemos suas emoções, idéias, pensamentos. O narrador apenas descreve o que vê, no mais, especula.
B) Narrador onisciente: conta a história; o narrador tudo sabe sobre a vida das personagens, sobre seus destinos, idéias, pensamentos. Como se narrasse de dentro da cabeça delas.

Minhas histórias são essencialmente romances, por mais que talvez pareçam ser contos - ou não - quando postadas aos trechos aqui no blog. Não consigo escrever contos, tampouco crônicas. Se tenho uma moral para atingir, começo a descrever as situações, e cenários, e personagens, e diálogos... E a história não cabe em meras linhas. Logo temos uma nova página, e depois desta outras novas páginas. Bom para vocês, leitores meus, que podem vir aqui e prestigiar novas histórias. E não vou parar tão cedo, como eu já disse antes: por mim, eu escrevo até morrer.

Frase famosa!
"Literatura, a mais sedutora, mais enganosa, mais perigosa das profissões." - John Morley.

Acabaram-se as postagens alternativas, espero que gostem :)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Feito anjo que morreu de raiva.

Créditos do título: Luxúria.
Este trecho é uma continuação deste outro trecho aqui.

- Quem é você? - perguntou Fabrício, pausadamente, num tom de voz que beirava o assombro, abraçando Cátia com um pouco mais de força, enquanto ela esticava os braços à criança sozinha em meio aos corpos ensanguentados. A expressão no rosto da moça era ilegível, em meio a tristeza de seus olhos e o desespero de sua boca meio-aberta, da qual não saíam palavras, uma vez que as palavras soavam efêmeras diante da situação.
- Ora, ora, eles realmente se conheciam - ouviu-se uma voz feminina, e repentinamente uma mulher de cabelos negros surgiu ao lado de Cátia. Fabrício deu um ou dois passos para o lado, surpreso diante da mulher, sem coragem o suficiente para fitar os olhos azuis dela. Maria Helena soltou um leve grito quando um homem de olhos também azuis e cabelos prateados surgiu entre ela e o rapaz ao seu lado, trasnpondo a porta da catedral como e a madeira fosse a mais leve névoa.
- E além disso, parecem ser amigos - riu-se o homem, olhando de Maria Helena para o rapaz e novamente para Maria Helena. - Faz uns dois minutos que nós saímos e esses quatro já chegaram...
- Pai nosso que estás nos céus... - começou o rapaz, levando uma mão ao peito, uma expressão de súplica no rosto.
- Tarde demais para orar, garoto - alertou o homem, segurando o queixo do rapaz com os dedos finos e pálidos, um sorriso estranhamente divertido no rosto. - Aliás, a questão aqui não vai contra nenhuma divindade, então suas orações não farão grande diferença...
O homem calou-se, analisando o rapaz com os olhos azuis. Levantando-lhe brevemente o rosto, encontrou uma fina marca logo abaixo do queixo do rapaz, e então o soltou.
- Seu nome é Daniel, estou correto? - indagou o homem. O rapaz engoliu em seco. - Sim, é você mesmo. O outro cara lá não deve ter uma marca no queixo como a que a profecia descrevia.
O homem deu as costas aos dois e foi em direção à mulher, que já havia deixado Fabrício e Cátia e seguia até o padre, em pé logo após a poça de sangue.
- Que cena mais dramática - comentou a mulher, soando indiferente. - Voltem logo para o inferno e deixem o pequeno anjo em paz.
Cátia apertava as mãos de Fabrício que a seguravam pela cintura, sentindo um tom estranho na voz da mulher. Ela não tratava os corpos ali estirados com desprezo, mas falava-lhes de uma forma que a fazia crer que ela lhes dava certa importância. O homem agachou-se e estendeu a mão para a criança, que ainda não tirara os pequenos olhos de Cátia e Fabrício.
- Por que veio aqui? - a voz do homem, antes entre gargalhadas, agora soava gentil e doce. - Seu lugar não é aqui.
- Aqui - repetiu a criança, virando-se para o homem e estendendo uma das mãos em direção à Cátia. - Cá...Cátia. Fa... Brício.
Cátia cobriu a boca ao ouvir a voz inocente que falava seu nome. Daniel pegara na mão de Maria Helena e a conduzia pelo corredor da catedral, para se encontrar com os outros dois.
- Eu sei - disse o homem, sorrindo bondosamente para a criança. - Nós vamos explicar tudo, você veio avisar, não veio?
A criança segurou a mão do homem, sorrindo e confirmando com a cabeça afirmativamente. Um segundo depois desapareceu num lampejo branco, ao passo que o sangue no chão começava a ser dragado para baixo, como se fosse escoado pelo chão de cimento da catedral. Daniel parou ao lado de Cátia, olhando para Fabrício na tentativa de que o outro lhe dissesse algo sobre o que estava acontecendo. O padre respirou fundo e adiantou-se.
- Não fiquem em silêncio, assim é difícil de saber se estão apreensivos apenas ou realmente aterrorizados - disse ele, gentilmente.
- Aterrorizado é uma boa palavra para descrever - murmurou Daniel. Cátia suspirou e soltou as mãos de Fabrício, dando um passo à frente, fitando o padre com os olhos castanho-esverdeados.
- Quem são eles? - perguntou ela, tentando soar calma, embora sua mão esquerda tremesse.
- Eu sou Than - disse a mulher, olhando para Cátia como se a considerasse igual à ela.
- E eu sou Atos - continuou o homem, sorrindo. Maria Helena levantou as sobrancelhas.
- Hei, seu padre, ainda não chegou o dia das bruxas - disse ela, rindo. O padre olhou para ela indignado, abrindo a boca, mas nada disse. - Isso é uma grande piada de mal gosto.
A moça deu as costas e parecia decidida a ir embora, quando Daniel a segurou pelo braço.
- Do que é que você está falando?
- Não é óbvio? Than e Atos. Junte as palavras e temos "Thanatos" - disse ela, recitando cada palavra como se fosse um discurso ensaiado. - Estão tirando uma da nossa cara.
- Não, não estão - disse Cátia, ainda sem tirar os olhos da mulher. - É verdade.
- Ela acredita em nós! - exclamou Atos, rindo-se. O padre observava os quatro com certa apreensão no olhar. - E agora ela com certeza quer saber o que está acontecendo, não quer?
Cátia não respondeu, e Maria Helena desistiu de ir embora. Tudo estava confuso, incerto, e isso a mantinha curiosa, por mais que uma parte dela quisesse ir embora o mais rápido possível, como se precisasse proteger sua existência. Fabrício, por sua vez, já não sentia mais medo, se é que em algum momento tal sentimento realmente o tivesse acometido.
- Pois bem. Vocês parecem ser crianças espertas, então já entenderam que nossos nomes formam o nome Thanatos... - começou Atos.
- Morte, para os leigos - disse Maria Helena, num tom de desdém, como se nada mais pudesse impressioná-la.
- Correto. Então já que você é tão espertinha, quem somos nós?
- Podem ser personificações da morte, coisa que eu duvido...
- Duvidou errado - interveio Than. Maria Helena calou-se. - Realmente somos "personificações", como você diz. Cuidamos do ir e vir das almas, tanto para o paraíso quanto para o inferno. E isso faz de vocês...
- Nossos quatro cãezinhos infernais escolhidos a dedo - completou Atos. Uma brisa percorreu a catedral, que caiu num perturbador silêncio. O padre ainda olhava para Cátia e Fabrício, e deu alguns passos à frente.
- Então, se vocês forem gentis o bastante para ouvir, temos coisas a explicar.

Metade do trecho escrito no meio da aula de sociologia, metade agora. Todas as questões de posts anteriores foram resolvidas. Eu voltei ao outro lado da piscina, e a virada olímpica foi mais fácil do que eu esperava. Obrigada à todos que me desejaram sorte, eu realmente precisei.

A imagem de hoje é em homenagem à um cachorro - ou seria cadela? - muito simpático - ou talvez simpática - da raça Collie, que eu encontro quase todos os dias quando estou indo para a natação. 

Vamos a um fato interessante.Lembram do Fulano X, aquele cara parecido com o Gregory Smith - ui calorão -, que faz parte de uma das minhas longínquas paixões platônicas? Não?
Pois, este é o post que se refere à ele: Platônico. E hoje eu, sentada na frente do pc, digitando este trecho, escuto o interfone tocar. Vou atender, é uma entrega, minha câmera digital que chegou. Espero o entregador subir até o andar correto, olhando pelo olho mágico. Abro a porta, e quem é? O tal do Fulano. 

Irônico, é o que eu digo.

sábado, 3 de outubro de 2009

Virada Olímpica.

"(...) o nadador aproxima-se da borda e faz um mergulho em direção oposta , girando o tronco para que fique com o tronco voltado para baixo, impulsiona as pernas na parede e desliza em direção a outra borda com os braços estendidos a frente."
- CDOF

Lembro-me da primeira vez que completei uma virada olímpica. Não sei ao certo quantos anos eu tinha, mas sei que passei metade do tempo de aula tentando virar uma cambalhota certinha para conseguir o impulso certo. Primeiro cruza-se a piscina com todo o fôlego, chega-se à borda e então a virada. Depois da virada, resta voltar ao outro lado da piscina.

Ontem foi um dia decisivo. "Ontem eu percebi... Ontem o que eu fiz?". Ontem eu declarei à uma pessoa, e não mais somente às paredes do meu quarto e às linhas desse blog, toda essa questão de audácia e falta de coragem. A audácia não chegou a ser citada, afinal, a pessoa para quem eu contei a tal da questão já sabia de tudo. Agora a questão perdeu uma parte de suas incógnitas e deixou de ser uma equação de sétima potência - ou deixou de ser um bicho de sete cabeças, a analogia é a mesma. Agora eu me sinto com uma parcela a mais de coragem. Ontem, eu iria resolver a questão. Ontem eu ia determinar o conjunto solução da equação, cortar a última cabeça do bicho. Mas adivinhem o quê? Sobrara uma mísera carreira de tijolos dessa minha barreira entre a coragem e eu, na qual eu acabei tropeçando e a questão caiu por terra. Hoje, eu sei que posso pular a carreira de tijolos, agora que a coragem saiu do canto onde estava escondida e resolveu dar as caras. E não esperarei mais. Pode parecer que eu sou uma pessoa que se conforma com as coisas e que está enrolando a questão, e parece ser assim porque é verdade, oras. Eu estou enrolando a questão porque sou uma covarde, um fato que eu não ignoro. Eu disse em algum post que lá por "semana que vem" eu pararia e falar nisso, e eu não parei, vejam só vocês. Imaginei tudo isso que hoje digito aqui ontem, enquanto nadava, enquanto praticava uma virada olímpica. E então eu encontrei a melhor analogia para a minha situação: primeiro encara-se a tal da situação com todo o fôlego, alcança-se o desfecho da situação e então a superação. Depois da virada, resta voltar ao outro lado da piscina.

Frase famosa.
"Eu abandonei minha busca pela verdade e agora estou buscando uma boa fantasia."
- Ashleigh Brilliant.

Trilha sonora. ♪
"Mas quando eu estiver morto,
suplico que não me mate não,
dentro de ti."
Sutilmente (Skank)

"Eu com certeza quero voltar a andar na linha,
e eu farei o que for necessário,
mesmo que isso me mate."
Even If It Kills Me (Motion City Soundtrack)

"Eu queria poder salvar você
Eu queria poder dizer a você
Que eu não estou indo a lugar algum
Eu queria poder dizer a você
Que vai ficar tudo bem"
Save You (Kelly Clarkson)

Hoje temos um vídeo ao invés de uma imagem. :)



Tradução aqui.

Votem no Shounen, só para lembrar.
Votação 1 | Votação 2

Beijos, se cuidem e me desejem sorte. :*