"As pétalas das flores são todas iguais".
- adaptado de Dive to World (Cherryblossom)
Quando eu era pequena, sempre visitava com meus pais uma cidade que fica à uma hora e meia daqui, aproximadamente. Um de meus tios mora lá, numa casa que sempre me pareceu enorme - e hoje essa sensação não é muito diferente. Lembro do jardim, cuja sensação de grandeza era mais impactante que a casa. Lembro de um balanço, que já deve ter enferrujado. Lembro do portão e do muro, escondendo metade das árvores no jardim. Porém não foi voltar à casa do meu tio hoje que me fez vir aqui digitar tudo isso. Foram as hortênsias.
Na estrada até a cidade, em curtos intervalos, há hortênsias. Por algum motivo, toda vez que eu vejo uma hortênsia, eu lembro de uma casa branca, retirada da cidade, com um portão ladeado de rochas brancas e hortênsias. Dezenas de hortênsias. Hortênsias como as da estrada, como as da casa da minha tia-avó, que eu ia visitar quando a outra tia-avó e minha avó ainda estavam vivas. Hortênsias que pareciam nunca perder a cor. Azuis como o claro céu de um dia de verão. Aquela casa branca, eu sempre quis saber onde era. Sempre quis descobrir o que fazia-a voltar à minha memória quando via uma hortênsia. Hoje, no caminho para a cidade citada na primeira linha, minha mãe me contou que era uma clínica de homeopatia que pertencia à um casal de amigos dela, na mesma cidade. Até o nome da mulher me parece familiar agora. Acho que na casa da minha avó havia hortênsias também. Lembro que a jardim dela parecia ser a mais vasta selva, sendo que ocupa um espaço menor que o meu próprio quarto. Quando minha avó se foi, não importa quantas vezes eu olhasse para a casa, parecia que ela ia sair pela porta, dizendo que tinha acabado de tirar o pão do forno, chamando para irmos tomar um café. A família passa por seus problemas, mas as hortênsias sempre estavam lá.
Agora entendi porque é que hortênsias me fazem sorrir. Porque me lembram da família. Lembram-me do pão da vó, das ruas da cidade do tio, da casa da tia. Passam uma sensação de paz. Como se tudo fosse se ajeitar, como se tudo fosse dar certo. Como se tudo estivesse certo.
Hoje, eu daria tudo para ver aquela casa de pedras brancas e as hortênsias de novo.
Só mais uma vez.
Porque aí eu vou saber que está tudo bem.
E aí não vou mais chorar.






4 comentários:
Confesso que meus olhos encheram de agua no final do texto.
Lindo texto. Mesmo!
Confesso que tb me emocionei com o seu post. Agradeço por tb ter me feito lembrar que coisas boas nc envelhecem!
Obrigada
Ah! mudei de endereço to agora no http://marijust.blogspot.com/
espero sua visita por lá!
bjos
Conforto.
Definição única para o que eu senti lendo isso. A memória da gente é um castigo e uma dádiva. As duas coisas concorrem para o nosso crescimento e evolução. Porém quem dita o que vai predominar é você mesma Julia. Feliz por ler isso, pelo rumo que escolheu. De coração.
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