- Loucas?
- Não, não é isso...
- Tresloucadas?
- Você só enfatizou o que disse antes...
- Mas e eu não tenho razão?
Lisa deixou o picolé derreter um pouco sobre sua língua, olhando para Ícaro pelo canto do olho.
- Explique - pediu ela.
- É só ligar a televisão quando você chega do colégio que você vê. É só desgraça, tragédia, perdição. Eu já cansei de ficar relembrando todo dia o quanto esse mundo perdeu seus princípios. Hoje em dia pouco importam os valores que deveriam ser mantidos desde sempre...
- Você fala de um jeito revolucionário.
- Você comenta de um jeito inocente demais.
- Não seja mau comigo! - riu ela, virando-se para ele, encostado na beirada do mirante, de costas para o lago, sem rir. - Não pense que eu não levo o que você diz a sério.
- Eu sei que você leva. Você é uma das poucas que leva... - ele suspirou, olhando para baixo.
- Acho que as pessoas não estão loucas - começou Lisa. - Acho que elas se esqueceram. Esqueceram de como deveria ser.
Ícaro virou a cabeça levemente para a esquerda, fitando os olhos decididos de Lisa.
- Esqueceram de como a gente se sente melhor quando sorri. Esqueceram do quão reconfortante é o abraço de uma criança, esqueceram de como um pôr-do-sol pode ser lindo. Perderam o foco. A questão não é mais viver, a questão é competir. É ter, e não ser. Sei que isso já virou senso comum e que todo mundo deve um dia na vida ter pensado como eu, mas logo no dia seguinte esqueceu que havia prometido à si mesmo que tentaria ser uma pessoa melhor. Você tem toda a razão, mas não é loucura. É cegueira.
Lisa voltou a deixar o picolé derreter sobre sua língua enquanto tornava a olhar para o lago. Ícaro tirou o celular do bolso, checou o horário e respirou fundo.
- Precisamos ir - disse ele, pegando-a pela mão e puxando-a levemente em direção ao carro. Lisa mordeu o pedaço restante do picolé e ficou com o palito na boca. Ícaro não olhou diretamente nos olhos dela até os dois chegarem mais perto do carro. - Não acho que todos tenham pensado como você um dia, sabe.
- Ah é? - indagou ela, inocentemente.
- É - afirmou ele, virando-se e tirando o palito da boca dela. - Porque para ver as coisas desse jeito, a pessoa tem que ser assim diferente, como você. Curiosa, cheia de problemas consigo mesma, chorona... E alheia às coisas. Você observa tudo, e interpreta de um jeito que, quando conta a interpretação à alguém, esse alguém sente-se como se a verdade fosse aberta à sua frente, e então tudo se resolve. Pelo menos é assim que eu me sinto.
Ele mordeu o palito e abriu a porta do carro para que ela entrasse. Enquanto ele dava a volta para entrar pela outra porta, Lisa sentiu a face esquentar. "Pode ser", pensou ela. "E você fala de um jeito que me faz ficar assim, como ninguém mais faz".
Postagem editada porque a imagem parou de abrir! x_x
Imagem do filme baseado no mangá Hells Angels, cujo qual parece ser bem interessante, e cujo qual eu irei procurar até os confins do universo, e cujos 6 últimos capítulos do mangá poderiam muito bem ser encontrados facilmente em inglês, mas pois é, a vida não é fácil (?) Ahahahah
Agora sim, gostei mais do layout :B
Beijos, pessoal.






3 comentários:
só inspiração, muito bem ^^
gostei do final
Sim, vc é uma pessoa horrível! Mas escreve super bem! hahahahah
Relaxa Ju, passa qdo puder!
Bjos
Aiin que post mais lindo...
saudades de ler seus contos!!
mil beijos e - a imagem do posto não abre o_O
té!
=3
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