Mas quando eu estiver morto,
suplico que não me mate não,
Dentro de ti.
suplico que não me mate não,
Dentro de ti.
O homem de cabelos claros encostou-se na parede de madeira da taverna, com Maxwell apontando o bastão em frente aos olhos dele, com uma expressão contente de ameaça. Ella começou a cantarolar, e Lena imaginou que a irmã havia percebido que o homem iria falar a verdade logo. Alice aliviou o peso da perna que ela mantinha sobre as costelas do caçador estirado no chão e Code abriu um sorriso fino.
O sorriso de Code não durou um segundo. Um movimento, um som de algo batendo contra a parede e o barulho de alguém tossindo chamou a atenção de todos para onde o rapaz estava.
- Fracos - disse o caçador que estivera à esquerda de Code, encarando todos os outros quatro, enquanto apertava o pescoço do vampiro com a mão, erguendo-o alguns centímetros do chão e pressionando-o contra a parede. - Nós nunca deixaremos que o Projeto Amanhã acabe por causa de vocês, só porque resolveram voltar à ativa agora.
- Code! - exclamou Lena, com uma expressão levemente aflita. - Seus... O que é que eles ofereceram de tão bom assim para vocês seguirem os ideais deles tão cegamente?
- Cegamente, você diz! Ora, é claro que eu vou seguir aqueles que irão governar o mundo, não é mesmo? E se eu posso ganhar poder assim, melhor ainda! Ainda mais agora que vocês não podem fazer nada! Quatro vampiros puros que reaparecem das sombras se achando os melhores, e uma que já não é nem vampira nem humana... O que é que cinco monstros como vocês podem fazer? Responda!
O caçador ria freneticamente. Seu companheiro permanecia com os pés grudados no chão, à direita de Code. A ênfase que ele dera à palavra "monstros" fez Alice cerrar os dentes. Maxwell sentiu o sangue ferver e largou o bastão no chão.
- Retire o que disse! - bufou Maxwell, pisando com força no chão, indo em direção ao caçador. Sua caminhada furiosa foi impedida pelo homem que ele deixara.
- Mas que bela inversão de papéis - riu-se o caçador que segurava Code, quando viu a garganta de Maxwell ser pressionada pelo próprio bastão que ele tanto usava para ameaçar outros. - Vejamos o quando as suas existências imortais podem aguentar. Afinal, vocês não são imunes a dor, são?
Code tossiu novamente, a mão do caçador fechando-se ao redor de sua traqueia. Ele agora respirava ofegante, enquanto o riso do caçador soava cada vez mais frenético.
- Larguem suas armas, seus fracos - ameaçou o caçador. Code olhava fixo para Alice, como se quisesse se comunicar apenas através do olhar. A expressão aflita de Lena intensificou-se, e não demorou muito para que ela largasse a lança no chão com um som metálico. Ella parou de balançar as pernas, pulou de cima da mesa e estendeu os braços, num ato de rendição. Alice bufou e hesitou. Ver Code sofrer na sua frente era a última coisa que ela queria ver. Tirando o pé das costelas do caçador, ela girou o Magnum na mão, entregando-o à ele.
Os caçadores que eles haviam feito reféns lentamente saíram de suas posições e juntaram-se em pequenos grupos aqui e ali, puxando as armas para perto de si para garantir que nenhum dos quatro revidasse.
- Pensei que eu demoraria mais para conseguir driblar vocês - comentou o caçador que segurava Code, rindo. - Estão na palma da minha mão, percebem? Mas me parece que se eu levar todos vocês vivos, eu vou ganhar uma bela promoção!
- Ah, eu posso te garantir uma promoção. Direto para o paraíso.
Numa fração de segundo, o riso do caçador se extinguiu, e uma leve exclamação de espanto ouviu-se pela taverna. O caçador soltou o pescoço de Code, pois a mão que o segurava estava agora quebrada, e Code segurava o braço do caçador com uma força avassaladora. Olhando friamente para o caçador com seus olhos tingidos de vermelho, o vampiro sorriu com os caninos pontiagudos.
- Vampiros não precisam de armas, meu caro - disse o vampiro, num tom pomposo de voz. - A parte boa é que você ficará sabendo como foi que eu ganhei o apelido de "Coração de Gelo".
O caçador abriu a boca para suplicar, mas Code já havia golpeado seu peito com a mão esquerda.
- Você pode sentir? - sussurrou Code, com uma expressão de contentamento. - Eu só preciso segurar seu coração assim com força, e congelá-lo. E então ele irá parar de bater. É bonito, não é?
Code retirou a mão sangrenta de dentro do caçador, e este caiu molemente no chão. Lena chutou o ar e com um golpe derrubou os três caçadores que permaneciam próximos à Ella. A moça, por sua vez, balançou-se de um lado para o outro e nocauteou os que se aproximavam da lança de Lena. Maxwell segurou o bastão que pressionavam sobre sua garganta e descarregou uma quantidade razoável de eletricidade por ele, matando o homem que o segurava. Alice sacou o revólver e atirou no Magnum que haviam tirado dela, golpeando os caçadores restantes com chutes e mais tiros.
- Argh, eu odeio quando tentam de matar sufocado - reclamou Code, massageando o pescoço.
- A agonia de não morrer é pior assim, né... - comentou Alice, andando até ele.
- Eles nos chamam de "maldições", quando na verdade nós somos os amaldiçoados - filosofou Ella, lambendo o sangue de um dos caçadores que escorria pelas bandagens em seu punho.
- Não ter a morte para poder sentir medo numa luta faz tudo mais chato - completou Lena. - Bom, ao menos eles aprenderam a lição.
- E a gente não conseguiu nenhuma informação - disse Maxwell, limpando o bastão com a barra da camiseta.
- Odeio as suas rimas - disse Lena.
- E tem algo que você não odeie? - provocou ele, sorrindo. - O problema é que a Sociedade do Sangue está conseguindo seguidores apenas impondo medo neles. Será que eles estão assim tão fortes?
- O jeito vai ser testar se as nossas maldições superam a força deles - concluiu Code, pegando na mão de Alice e se dirigindo para a porta.
créditos à Skank pelo título.





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