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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

- Ah, cansei.

Lisa fez uma pausa demorada, esticando os braços e deitando-se na jaqueta que ele estendera sobre a grama com os cotovelos dobrados e as mãos atrás da cabeça.
- Preciso de um homem - disse ela, como que para si mesma. Ícaro virou-se para ela com as sobrancelhas erguidas, e riu. Riu de forma que ela sentou-se corretamente num sobressalto e corou tão rápido quanto compreendeu o que acabara de dizer. - E...Eu...É...
- Sua... Idiota! - disse ele, ainda rindo, abraçando os joelhos de forma relaxada. Lisa ainda sentia a face quente, mas tal sensação mudou quando Ícaro virou-se para ela e sorriu. Os cabelos castanhos ondulavam com o vento, e a camiseta verde oscilava menos, ora evidenciando os músculos em suas formas sutis e ao mesmo tempo fortemente delineadas, ora reforçando a sensação de leveza que Ícaro emitia.
- Quando eu saio com você, sinto como se eu fosse feliz e não soubesse - disse ele, ainda sorrindo. - O seu jeito de agira me faz pensar em como não percebemos o que acontece ao nosso redor e saímos perdendo por insistir em procurar o que está mais do que na cara. E agora você fez exatamente o contrário!
No auge da inocência, Lisa quis pensar que não entendera o que Ícaro queria dizer, mais por não querer navegar demais nas intenções que ele tinha ou deixava de ter do que por não ter entendido de fato. O rapaz moveu-se levemente, do mesmo jeito leve que tudo que ele fazia parecia ser executado, e encostou-se à ela, que permanecia com os braços esticados atrás do corpo e os joelhos dobrados, ainda tensa diante da reação anterior dele.
- Você precisa de um homem. E tem um homem bem aqui que precisa de você.
- Logo o homem que acabou de me chamar de idiota - comentou ela, satisfazendo o atrevimento que restava em seu ser. - E que frase mais...
- De pedreiro? - indagou ele. Agora as mãos já se tocavam, e a distância entre eles já não precisava ser calculada. - Bom, eu não consegui pensar em nada melhor, porque, diferente de você, eu não escrevo a letra, só desenvolvo a melodia.
- Ah, seu idiota... - disse ela, referindo-se ao fato dele não admitir que as letras que ele montava eram tão boas quanto os melhores textos que ela já havia conseguido escrever. - Mas que eu sou uma idiota eu até admito.
- Ah é? - agora o sorriso dele parecia mais interessado do que relaxado, e os olhos dele ora focavam-se nos dela, ora mais abaixo em direção aos lábios da moça.
- É... Porque só uma idiota como eu para demorar tanto para perceber que gosto tanto assim de um idiota como você.


Imagem do mangá Dengeki Daisy, que é a coisa mais linda do mundo *-*
Texto escrito num momento relax da aula de história, e o final eu modifiquei agorinha.

Trilha sonora:
"Então deixe-me entender isso direito
Agora você diz que sempre me amou
O que te fez hesitar,
Ao dizer com palavras o que você realmente sente?"
Day Late Friend - Anberlin

Frase:
"Não tenha medo de tentar nem se culpe quando fizer algo que não dê certo." - Luiz Gasparetto

Só eu entendo: SCORE!
Considerações finais: Ah, essa vida é tão bonita.
Beijos de gloss de menta, leitores meus :*

domingo, 21 de fevereiro de 2010

When I first saw you standing there,

You know it was a little hard not to stare.
(All or Nothing - Theory of A Deadman)

Não traduzo a frase porque prefiro ela assim e porque daria muita bandeira. Ênfase no "muita". Provavelmente poucas pessoas entenderiam porque diabos eu estaria dando bandeira, e é por isso mesmo que eu prefiro que continue assim.
E estou me explicando para a tela do computador, oh Deus.
Sabe quando tudo dá certo e alguma coisa fica faltando? Acho que é assim que eu posso definir. E o que falta é algo que eu queria poder contar à Deus e o mundo para que logo se ajeitasse e eu seguisse sabendo que tudo foi como devia ser. Odeio isso de querer saber e não poder. Expectativa chata. Nem expectativa é, uma vez que você não sabe o que esperar. Eu poderia ficar sonhando, mas do jeito que estou a encarar o fato eu não quero mais perder tempo imaginando. Quebrei a cara por coisas assim, na época que eu me prendia ao passado (legal falar disso como se fosse muito tempo atrás). Ficar só na suposição cansa, porque depois que a sua suposição falha repetidas vezes, você bate com tanta força contra a realidade que simplesmente se entrega à ela. Dói quando isso acontece, tentem não experimentar.
O legal é que eu me acostumei/conformei depois que doeu tanto. E agora eu volto à estaca zero? Ah não. Sei que a parte sonhadora de mim quer imaginar o quanto quiser e ficar só supondo, mas a parte de mim que sentiu a dor da realidade não quer nem saber como será descobrir que imaginei tudo errado.

Droga, me tornei uma pessoa mais complicada.
Tudo vai dar certo, né?
Quem confirmar para mim num comentário ganha um abraço do tamanho do mundo :D

Para descontrair:
Saí do quarto faz uns minutos e encontrei uma lagartixa quase transparente escalando as paredes e/ou portas do corredor.
Bichinho tão bonitinho, né não?

Beijos, pessoas menos complicadas que eu :*

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Eu quero te ligar, eu quero algo para beber.

Algo para encher, algo que me faça acreditar.
O Rock Acabou - Moptop

Eu já deveria ter ido dormir... Mas isso não vem ao caso.
O que vem ao caso é a significativa mudança que eu sinto em mim.
Significativa do tipo que me faz pensar se eu sempre fui assim e não percebi, ou se finalmente consegui avançar e me tornar uma pessoa pelo menos um pouco melhor. Sempre me considerei antipática, sabe. Antipatia chata, tão chata que irrita o próprio antipático. Se eu pudesse, eu me deixava em casa e saía para tentar ser diferente. E não é que de repente eu simplesmente me vi sendo a pessoa que tanto queria deixar a parte antipática de mim em casa?
Vai ver eu comecei a me perceber como parte do mundo e não como alguém que observa. Afinal, se eu estou aqui com todo mundo, como é que eu não vou me dar bem com todo mundo? Bora morar em Marte e ficar observando a Terra de longe, então. Eu vivia me dizendo: "Quer saber? Deixe ser". Igual a propaganda da Warner, que "te faz sentir". Chega de querer ser alguém tão diferente e admitir que eu também tenho minhas características como todo mundo. Admitir que a vida é feita para ser vivida, e não para calcular o futuro.

Eu era uma pessoa que prendia-se ao passado como aquele personagem do Charlie Brown que vivia carregando o cobertor por aí... Uma hora eu lembro o nome dele.
Mas de que vale viver do passado, se o presente é o que vale?

"Se a vida atrás de você,
te faz de pano de chão,
fica tranquilo porque nada é em vão.
E o que se tem a fazer é relaxar e beber,
trocar uma ideia com os amigos no QG.
Gastar a onda no céu e o dinheiro em motel,
e lembrar sempre agradecer que
Tudo, vai virar passado no futuro,
e dessa vida não se leva nada.
Felicidade é um fim de tarde, olhando o mar,
e a gravidade não nos impede de voar."


Ah, o personagem era o Linus :B
Beijos de Trident de melancia, gente :*

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Desisti do café e dos cigarros,

Odeio dizer que isso não me ajudou em nada ainda.
(Michelle Featherstone - Coffee & Cigarettes)

Um dia eu vim aqui e fiz um post sobre o cheiro do cloro, não foi?
Pois então, se há um cheiro que eu gosto tanto quanto cloro é o cheiro de pó de café e...
Cigarro.
Não, eu não fumo.
Sim, você leitor(a) deve pensar que eu sou louca, porque eu honestamente duvido que você concorde comigo... Porque afinal, cigarro não cheira bem. Senso comum, certo? Digamos então que esse senso comum não se aplica à mim. Posso ter sido influenciada pelos dias ao lado da minha vó na lavanderia enooorme da casa dela, fumando um daquele cigarros de palha, ou pela minha tia que sempre me convida para "ir fumar" com ela. De repente eu percebi que não me incomodava o cheiro nas roupas depois de voltar de um show, enquanto minha mãe ia lavá-las com vigor para tirar o fatídico cheiro de cigarro. Cheiro forte, um jeito amargo de conhecer alguém, como canta Moptop em "2046". Resta-me descobrir porque é que o tal cheiro não me incomoda de jeito nenhum. Tem seu estilo, eu tenho certeza que eu não conseguiria fumar, mas o cheiro... Ah.
É igual o cloro, exceto o fato de que o cloro é relativamente mais agradável. Cheiro de cigarro é tão... É, creio que eu teria que inventar um adjetivo novo.

Badou Nails, um dos meus personagens fumantes favoritos.

Beijos sem cheiro de cigarro, galera :*

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

- As pessoas são tão...

- Loucas?
- Não, não é isso...
- Tresloucadas?
- Você só enfatizou o que disse antes...
- Mas e eu não tenho razão?
Lisa deixou o picolé derreter um pouco sobre sua língua, olhando para Ícaro pelo canto do olho.
- Explique - pediu ela.
- É só ligar a televisão quando você chega do colégio que você vê. É só desgraça, tragédia, perdição. Eu já cansei de ficar relembrando todo dia o quanto esse mundo perdeu seus princípios. Hoje em dia pouco importam os valores que deveriam ser mantidos desde sempre...
- Você fala de um jeito revolucionário.
- Você comenta de um jeito inocente demais.
- Não seja mau comigo! - riu ela, virando-se para ele, encostado na beirada do mirante, de costas para o lago, sem rir. - Não pense que eu não levo o que você diz a sério.
- Eu sei que você leva. Você é uma das poucas que leva... - ele suspirou, olhando para baixo.
- Acho que as pessoas não estão loucas - começou Lisa. - Acho que elas se esqueceram. Esqueceram de como deveria ser.
Ícaro virou a cabeça levemente para a esquerda, fitando os olhos decididos de Lisa.
- Esqueceram de como a gente se sente melhor quando sorri. Esqueceram do quão reconfortante é o abraço de uma criança, esqueceram de como um pôr-do-sol pode ser lindo. Perderam o foco. A questão não é mais viver, a questão é competir. É ter, e não ser. Sei que isso já virou senso comum e que todo mundo deve um dia na vida ter pensado como eu, mas logo no dia seguinte esqueceu que havia prometido à si mesmo que tentaria ser uma pessoa melhor. Você tem toda a razão, mas não é loucura. É cegueira.
Lisa voltou a deixar o picolé derreter sobre sua língua enquanto tornava a olhar para o lago. Ícaro tirou o celular do bolso, checou o horário e respirou fundo.
- Precisamos ir - disse ele, pegando-a pela mão e puxando-a levemente em direção ao carro. Lisa mordeu o pedaço restante do picolé e ficou com o palito na boca. Ícaro não olhou diretamente nos olhos dela até os dois chegarem mais perto do carro. - Não acho que todos tenham pensado como você um dia, sabe.
- Ah é? - indagou ela, inocentemente.
- É - afirmou ele, virando-se e tirando o palito da boca dela. - Porque para ver as coisas desse jeito, a pessoa tem que ser assim diferente, como você. Curiosa, cheia de problemas consigo mesma, chorona... E alheia às coisas. Você observa tudo, e interpreta de um jeito que, quando conta a interpretação à alguém, esse alguém sente-se como se a verdade fosse aberta à sua frente, e então tudo se resolve. Pelo menos é assim que eu me sinto.
Ele mordeu o palito e abriu a porta do carro para que ela entrasse. Enquanto ele dava a volta para entrar pela outra porta, Lisa sentiu a face esquentar. "Pode ser", pensou ela. "E você fala de um jeito que me faz ficar assim, como ninguém mais faz".

 

Postagem editada porque a imagem parou de abrir! x_x
Imagem do filme baseado no mangá Hells Angels, cujo qual parece ser bem interessante, e cujo qual eu irei procurar até os confins do universo, e cujos 6 últimos capítulos do mangá poderiam muito bem ser encontrados facilmente em inglês, mas pois é, a vida não é fácil (?) Ahahahah
Agora sim, gostei mais do layout :B
Beijos, pessoal.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Só gosto de educação sexual,

e eu odeio química, química, química.


 
Fanart de Dogs: Bullets and Carnage, ótimo mangá! Leiam aqui

E as aulas voltam, moçada!
Diferente de como Renato Russo dizia, eu não tenho contra a química!
Aliás, é uma matéria cujo livro eu gosto de ler... Mas voltando ao assunto que importa, eu acabei ficando com saudade das aulas. Terceirão, saudades do povo, dos papos, de ficar escrevendo coisas aleatórias que às vezes viram posts do blog nas aulas de sociologia antes da professora perceber e empurrar meu caderno para longe do meu colo, por mais que eu olhasse para ela a concordasse com o assunto a cada 5 minutos... Porque afinal, eu ainda presto um cadinho de atenção nas aulas, sabe como é... Ahahah ^^
Algo me diz que algo inesperado acontecerá (?) Esses meus pressentimentos sempre erram, mas fazer o quê. Sei que quero professores novos, comprei um caderno lindo, já meio que tenho todo o ano programado, sei que vai dar muita briga, vestibular me preocupa, estou estranhamente alegre, vamo que vamo e é isso aí!

Agora um vídeo para voocês.
É que é o seguinte, esse layout do blog era para ter ficado bom, mas agora começou a me irritar. Então eu vou bolar uma coisa decente e aparecerei com um layout novo essa semana. Eu faria hoje, mas surgiram certos visitantes inesperados que me atrasaram toda! De uma coisa eu sei, o vídeo inspirou-me.

 

Agora eu me vou, assistir um Bakemonogatari esperto, e dormir, porque afinal...
Amanhã tem aula ;D

Frase!

"O coração é guiado pela verdade que ecoa na mente." - 07-Ghost

Ouvindo ♪
"Nobody likes you...
Everyone left you...
They're all out without you...
Having fun..."
- Letterbomb (Green Day)

Beeijos amo vocês.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Há tantas verdades,

quanto há pessoas no mundo.

Estava eu assistindo ao episódio final de 07-Ghost, um anime que não teve o tipo de final que eu gostaria de ver, mas mesmo assim foi interessante, e eis que eu me deparo com a frase que hoje resolvi usar como título. Muitas e muitas vezes eu me pergunto o que é e o que deixa de ser verdade. E não sou só eu, é claro. Todo mundo quer saber. Saber afinal quem é, de onde veio, para onde vai, isso só para citar as indagações básicas de qualquer humano. Saber a verdade da vida, o motivo pelo qual fulano ama fulana e fulana só liga para ciclano, a razão pela qual existem tantos paradigmas e estereótipos que tanto enfurecem certas pessoas, descobrir porque raios o céu é azul. Em tudo há uma pergunta. Em toda pergunta há uma verdade. Em toda verdade, há um mistério.

Mistério do tipo que faz ciclana crer num ser maior, mistério que faz beltrano pensar que tudo é uma conspiração e que somos todos obra da Matrix. Mistério que faz surgir um zilhão de mentiras para um zilhão de verdades. Afinal, verdade é algo que poderia existir no plural? Se é verdade, é isso e ponto, não precisa ter outra. Seria eterna e absoluta, como uma única certeza. Por ventura seja esse o motivo de ninguém sabe e todo mundo querer saber: é só uma. Uma única e absoluta verdade, da qual podem derivar zilhões de outras que acabam sendo denominadas verdades também.
É o frase chave desse blog: tudo depende do ponto de vista. E como para cada metro quadrado de terra há uma pá de pontos de vista, é mais do que aceitável que haja uma pá (e meia, talvez) de verdades. Qual delas é real, afinal? Afinal, terá de ser uma?
Olha que bonito, mais perguntas. E para todas as que eu fiz, podem aparecer várias cidadãs e vários cidadãos com uma resposta, cada uma diferente. Se juntar tudo e tentar interpretar, o que daria, será? Será que dá uma resposta final para tudo e todos e todas as coisas que existem? Essa é a questão. Ninguém chega na resposta porque ninguém chega a considerar todas as possíveis e imagináveis possibilidades. Porque afinal, há tantas verdades quando há pessoas no mundo. É procurar a palha no agulheiro. Ou vice-versa, escolha com o seu ponto de vista.

Verdade.
Ano passado eu pensava na felicidade, agora eu penso na verdade.
O que será ela, afinal?
 
Será que o sábio chinês sonhou que era uma borboleta,
ou a borboleta sonhou que era um sábio chinês?

Tanta coisa a se saber. A se discutir, a se dividir, a se compreender.
Almejo o dia em que todo mundo poderá saber, discutir, dividir e compreender.
Porque aí não haverão discórdias e angústias.
E aí, a verdade simplesmente vai aparecer.
Bem embaixo do nosso nariz, onde ela pode sempre ter estado.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Maldição - Parte III

Mas quando eu estiver morto,
suplico que não me mate não,
Dentro de ti.

O homem de cabelos claros encostou-se na parede de madeira da taverna, com Maxwell apontando o bastão em frente aos olhos dele, com uma expressão contente de ameaça. Ella começou a cantarolar, e Lena imaginou que a irmã havia percebido que o homem iria falar a verdade logo. Alice aliviou o peso da perna que ela mantinha sobre as costelas do caçador estirado no chão e Code abriu um sorriso fino.
O sorriso de Code não durou um segundo. Um movimento, um som de algo batendo contra a parede e o barulho de alguém tossindo chamou a atenção de todos para onde o rapaz estava.
- Fracos - disse o caçador que estivera à esquerda de Code, encarando todos os outros quatro, enquanto apertava o pescoço do vampiro com a mão, erguendo-o alguns centímetros do chão e pressionando-o contra a parede. - Nós nunca deixaremos que o Projeto Amanhã acabe por causa de vocês, só porque resolveram voltar à ativa agora.
- Code! - exclamou Lena, com uma expressão levemente aflita. - Seus... O que é que eles ofereceram de tão bom assim para vocês seguirem os ideais deles tão cegamente?
- Cegamente, você diz! Ora, é claro que eu vou seguir aqueles que irão governar o mundo, não é mesmo? E se eu posso ganhar poder assim, melhor ainda! Ainda mais agora que vocês não podem fazer nada! Quatro vampiros puros que reaparecem das sombras se achando os melhores, e uma que já não é nem vampira nem humana... O que é que cinco monstros como vocês podem fazer? Responda!
O caçador ria freneticamente. Seu companheiro permanecia com os pés grudados no chão, à direita de Code. A ênfase que ele dera à palavra "monstros" fez Alice cerrar os dentes. Maxwell sentiu o sangue ferver e largou o bastão no chão.
- Retire o que disse! - bufou Maxwell, pisando com força no chão, indo em direção ao caçador. Sua caminhada furiosa foi impedida pelo homem que ele deixara.
- Mas que bela inversão de papéis - riu-se o caçador que segurava Code, quando viu a garganta de Maxwell ser pressionada pelo próprio bastão que ele tanto usava para ameaçar outros. - Vejamos o quando as suas existências imortais podem aguentar. Afinal, vocês não são imunes a dor, são?
Code tossiu novamente, a mão do caçador fechando-se ao redor de sua traqueia. Ele agora respirava ofegante, enquanto o riso do caçador soava cada vez mais frenético.
- Larguem suas armas, seus fracos - ameaçou o caçador. Code olhava fixo para Alice, como se quisesse se comunicar apenas através do olhar. A expressão aflita de Lena intensificou-se, e não demorou muito para que ela largasse a lança no chão com um som metálico. Ella parou de balançar as pernas, pulou de cima da mesa e estendeu os braços, num ato de rendição. Alice bufou e hesitou. Ver Code sofrer na sua frente era a última coisa que ela queria ver. Tirando o pé das costelas do caçador, ela girou o Magnum na mão, entregando-o à ele.
Os caçadores que eles haviam feito reféns lentamente saíram de suas posições e juntaram-se em pequenos grupos aqui e ali, puxando as armas para perto de si para garantir que nenhum dos quatro revidasse.
- Pensei que eu demoraria mais para conseguir driblar vocês - comentou o caçador que segurava Code, rindo. - Estão na palma da minha mão, percebem? Mas me parece que se eu levar todos vocês vivos, eu vou ganhar uma bela promoção!
- Ah, eu posso te garantir uma promoção. Direto para o paraíso.
Numa fração de segundo, o riso do caçador se extinguiu, e uma leve exclamação de espanto ouviu-se pela taverna. O caçador soltou o pescoço de Code, pois a mão que o segurava estava agora quebrada, e Code segurava o braço do caçador com uma força avassaladora. Olhando friamente para o caçador com seus olhos tingidos de vermelho, o vampiro sorriu com os caninos pontiagudos.
- Vampiros não precisam de armas, meu caro - disse o vampiro, num tom pomposo de voz. - A parte boa é que você ficará sabendo como foi que eu ganhei o apelido de "Coração de Gelo".
O caçador abriu a boca para suplicar, mas Code já havia golpeado seu peito com a mão esquerda.
- Você pode sentir? - sussurrou Code, com uma expressão de contentamento. - Eu só preciso segurar seu coração assim com força, e congelá-lo. E então ele irá parar de bater. É bonito, não é?
Code retirou a mão sangrenta de dentro do caçador, e este caiu molemente no chão. Lena chutou o ar e com um golpe derrubou os três caçadores que permaneciam próximos à Ella. A moça, por sua vez, balançou-se de um lado para o outro e nocauteou os que se aproximavam da lança de Lena. Maxwell segurou o bastão que pressionavam sobre sua garganta e descarregou uma quantidade razoável de eletricidade por ele, matando o homem que o segurava. Alice sacou o revólver e atirou no Magnum que haviam tirado dela, golpeando os caçadores restantes com chutes e mais tiros.
- Argh, eu odeio quando tentam de matar sufocado - reclamou Code, massageando o pescoço.
- A agonia de não morrer é pior assim, né... - comentou Alice, andando até ele.
- Eles nos chamam de "maldições", quando na verdade nós somos os amaldiçoados - filosofou Ella, lambendo o sangue de um dos caçadores que escorria pelas bandagens em seu punho.
- Não ter a morte para poder sentir medo numa luta faz tudo mais chato - completou Lena. - Bom, ao menos eles aprenderam a lição.
- E a gente não conseguiu nenhuma informação - disse Maxwell, limpando o bastão com a barra da camiseta.
- Odeio as suas rimas - disse Lena.
- E tem algo que você não odeie? - provocou ele, sorrindo. - O problema é que a Sociedade do Sangue está conseguindo seguidores apenas impondo medo neles. Será que eles estão assim tão fortes?
- O jeito vai ser testar se as nossas maldições superam a força deles - concluiu Code, pegando na mão de Alice e se dirigindo para a porta.

créditos à Skank pelo título.